MESTRE ZUENIR VENTURA sobre Henrique Gravatá

Zuenir VenturaZUENIR VENTURA .

Zuenir Ventura Foto: O Globo

À saúde de Henriquinho

Sugerem que eu não seja muito pessimista, deixando mensagem de esperança para a plateia. O pedido faz sentido, porque pessimismo é o que mais está sendo oferecido

Vocês devem ter lido anteontem a reportagem de Caio Barretto Briso sobre o menino Henrique, de 11 anos, com leucemia. A propósito, recebi de meu amigo Luiz Gravatá uma mensagem em que diz: “Henriquinho é filho de meu querido primo Raul e há dois anos luta contra uma terrível doença que hoje só tem uma esperança de cura: o transplante de medula. A partir de seus colegas de colégio, houve uma enorme mobilização para que pessoas se inscrevam no Hemorio e demais centros onde podem ser feitos os testes de doação. Henriquinho é um menino maravilhoso, estudante exemplar, muito querido por todos”.

A partir de uma foto dele na internet e a revelação de seu drama, surgiu um impressionante movimento de solidariedade, que está envolvendo milhares de anônimos e muitas celebridades. Luiz Gravatá lembra que Reynaldo Gianecchini, que se salvou graças a um transplante, é um dos apoiadores da campanha. No seu caso, a medula óssea foi do próprio corpo. Outros que já manifestaram seu apoio: Camila Amado, Carlinhos Lyra, Fernanda Montenegro, Francisco Cuoco, Fred, do Fluminense, Neymar e Sérgio Moro, o juiz. Moro enviou para Henrique um vídeo em que, ao lado da mulher, Rosângela, anuncia que vai se cadastrar como doador de medula, porque isso “pode salvar uma vida”. Termina com uma conclamação: “Força, Henrique, estamos torcendo por você”.

Loulou et Marisa

Loulou de la Falaise: The Legend

Although she is best known as the longtime muse of fashion designer Yves Saint Laurent, Loulou de la Falaise had a signature aesthetic that was all her own. “Loulou was a walking art piece,” writes Marisa Berenson in Loulou de la Falaise, a new book published by Rizzoli. “I always remember her as having the most unique style.” Berenson isn’t the only one to share her respects for de la Falaise, who passed away in 2011 at the age of 63. “She was a great icon,” recalled Marianne Faithfull. “She was infinitely elegant,” addedCatherine Deneuve. “The last time I saw her, we hung out all night and had such good fun,” wrote Kate Moss. Memories like these are dotted throughout the book by Sofia Coppola, Pierre Berge, Grace Jones and more, alongside photographs documenting her days as an effortlessly chic model, mother, and entrepreneur.

Loulou de la Falaise by Ariel de Ravenel and Natasha Fraser-Cavassoni, $65,

MURILO MENDES – 40 anos…

MAPA

Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.

[…..]

Andarei no ar.
Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.
Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”. ..
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito.
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.
Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre em transformação.

Murilo Mendes (*Juiz de Fora, 1901-+Lisboa, 1975), com Jorge de Lima e Mario Faustino são os meus Poetas (brasileiros), do coração e da alma.
Não que eu não ame profundamente João Cabral e Drummond (a quem muito homenageio aqui no Sub Rosa), o grande Manuel Bandeira, Mario de Andrade.e mais alguns outros….mas Murilo é diferente, especialíssimo.
Murilo jamais escreveu um verso ou poema banal. Foi barroco e surrealista. Moderno e tradicional; sempre mantendo uma independência e um certo desprezo, pelo enquadramento dos manifestos.
Veio à luz, como poeta, no mesmo ano (1930) que Drummond, e foi logo saudado por Mario de Andrade. Em tudo, Murilo foi revolucionário. Até sua conversão para o cristianismo, tão incompreendida na polaridade angelismo/demonismo foi, ao contrário, um ato de resistência, (que estava ao mesmo tempo acontecendo na Europa, principalmente na França) e não se tratava de aceitação e sim, uma nova proposição: a saber, a proposta de um catolicismo mais voltado para os problemas humanos, terrenos.

Satírico, irônico, é dele o que já se viu atribuído a Oswald de Andrade:

“O homem
é o único animal que joga no bicho”

que depois renegaria:-)

Em 1941, conheceu Maria da Saudade Cortesão, filha do grande historiador português, Jaime Cortesão, exilado no Brasil.
Seis anos depois Murilo e Saudade casaram-se.
Em 1956, ele e Saudade mudaram-se para a Itália e Murilo foi ser professor de Cultura Portuguesa, na Universidade de Roma.
O casal formou um círculo lítero-artístisco-cultural (no mesmo prédio morava Audrey Hepburn, amiga do casal), freqüentado por músicos, artistas plásticos, atores, homens de letras e artes; críticos, como o linguista Roman Jakobson, que muito o admirava.

Influenciou e foi reverenciado por alguns dos maiores poetas brasileiros de sua época. Foi um arrebanhador de poetas futuros.

Com seus poemas , grafittis e murilogramas, o Poeta era apenas e sempre *o Poeta*.
Um Imperador das Palavras, que sofreu, se atormentou sempre, com o descaso e a indiferença com que o Brasil costuma tratar e dedicar a seus filhos grandiosos.

“Não sou brasileiro, nem russo nem chinês,
Sou da terra que me diz NÃO eternamente-
Eu sou terrivelmente do mundo”

Sobre Murilo Mendes é rezar -os que não tem a ventura de ter suas Obras Completas , ou seja TODOS NÓS – pois há muita cois inédita de Murilo. Daí a demora de uma nova Edição. Há muita coisa publicada em Prosa e VERSO.
Mas o livro imprescindível é o de LAÍS CORRERA DE ARAÚJO. Da Editora Perspectiva.
ARAUJO> Laís Corrêa de. Murilo mendes. S. Paulo, Perspectiva. 2000. Col. Signos, 29.

Enquanto isso, o livro traz uma Antologia, Ensaios, Iconografia extensa Bibliografia, e a Correspondência trocada entre a estudiosa e o Poeta.
Murilo era grande Amigo dos mais expressivos Poetas portugeseses à sua época, pois lá viveu e morreu… Procurem conhecer JANELAS VERDES.
Uau! Quem não tiver – e realmente esteja ou querira estar *in* coisas poeticas, não é poeta nem nada se não correr e ir procurar um imediatamente;-)
Dersafio feito!.

Augusto de Campos – Prêmio Neruda dePoesia

http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,augusto-de-campos-ganha-premio-no-chile-e-lanca-novo-livro,1712644

Outro’ é o primeiro volume de poemas inéditos do poeta em 12 anos

Está marcado para o próximo dia 3 de agosto, às 19h, o lançamento em São Paulo do novo livro de poemas de Augusto de Campos, Outro – o primeiro em 12 anos. Como o Estado adiantou no início de junho, o livro tem texto, capa, projeto e execução gráfica do próprio autor. O lançamento ocorre na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37).

Nesta terça-feira, 23, o poeta foi agraciado com o Prêmio Iberoamericano de Poesia Pablo Neruda, concedido pelo governo chileno. “O reconhecimento também contribui a dar visibilidade a autores de excelente nível, cuja obras às vezes é pouco conhecida fora de seus países de origem”, disse o ministro da Cultura do Chile, Ernesto Ottone, na entrega do prêmio – dotado de um diploma, uma medalha e US$ 60 mil.

Augusto de Campos
Augusto de Campos

Segundo os jurados, os poemas de Campos se destacam “por sua transversalidade, ao serem transferidos para formatos como o audiovisual, a computação gráfica e inclusive a música”.

Entre os premiados anteriores, se encontram Nicanor Parra, Óscar Hahn e José Emilio Pacheco. / AP


DACS / 1978, estate of Duncan Grant, courtesy of Henrietta Garnett and Paul Roche; National Portrait Gallery, London
Vanessa Bell (née Stephen)  by Duncan Grant
oil on canvas, circa 1916-1917
50 in. x 40 in. (1270 mm x 1016 mm)
Purchased, 1982
NPG 5541

Copyright © 2003 Estate of the Artist, Courtesy of Henrietta Garnett.Angelica Playing the Violin, 1934 by Duncan Grant

Falando de Amor

Por Marcelo Ferlin Assami
Poder do Amor sobre o Universo
Eustache Le Sueur – L’Amour ordonne à Mercure d’annoncer son pouvoir à l’Univers, Eustache le Sueur,1644, Musée du Louvre.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.”  (ICoríntios 13 :6)

“Volto à Bíblia para falar de amor porque em nenhuma obra moderna encontro equivalente. O papel hoje recebe impressão de terapias, de críticas, de ódio, tudo disfarçado de amor.
Amor, hoje, só nas letras de música do pop, e com sofrimento.
Não terminei ainda a Comédia, mas no final de cada parte, Dante insiste em ver estrelas, e encerra a obra com o verso: “l’amor che move il sole e l’altre stelle”.
Caminho pelas ruas de São Paulo, o que para os cínicos parece um verdadeiro exercício de amor, e me pego transbordado, cheio dessa sensação de olhar para prédios, carros, árvores e pessoas e sentir-se bem, sentir carinho, satisfação, interesse.
E sem deixar de ver a feiúra, física ou moral, a sujeira do centro, a gritaria dos que não sabem falar. A cidade com nome de santo é mesmo uma ilha do purgatório, como disse alguém que ouve Nick Cave cantando “Here Comes the Sun”.
Há muita maldade no mundo, há muita maledicência na rede, e, se perco meu tempo apontado o ridículo dos líderes, tento sempre recusar o ódio.
E é fácil odiar. A indignação moral é o primeiro passo para aceitar o ódio. Você pode subir a escada ou pode descer, onde encontrará outra tentação, o desespero. O desespero é cinzento? Ele arde em quem foi consumido pelo ódio sem nada ter produzido nem alcançado com isso.
E há os que sobem a escada, os que construíram grandes coisas com seu ódio e com sua indignação moral. Estes são peões de obra. Um cavalheiro não odeia, debocha. Um cavalheiro se recusa a tal trabalho de pedreiro.
Para quem acha cavalheirismo coisa de fresco ou para quem não entende o que é ser cavalheiro, mais um versículo:

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.” 1 Coríntios 14: 20
As crianças amam e odeiam facilmente, mas nenhum engenho frutifica da malícia infantil. Nada constróem com seus ódios. E, se cabe mais uma digressão, o fundamento do cavalheiro é o fair play, a existência não é uma brincadeira, mas a vida humana, a vida que levamos, está bem longe de ser séria, e me recuso a ser envenenado.
Atravesso as ruas e penso no que se repete ao longo dos dias. Todo dia parece necessário dizer ao próximo: você não é obrigado a nada, você é livre, todas as suas preocupações são responsabilidades suas, você sabe que pode parar de fazer da própria vida o seu inferno.
E não abro a boca para dizer nada disso. Por timidez? Por querer publicar mais um livro de auto-ajuda e forrar o cu de dinheiro? Talvez, mas também por respeito. Que eu ame as pessoas, isso não me cega, há mais disposição para falar e reclamar do que para ouvir.
A fala não tem sido o melhor instrumento. A escrita muito menos, o ódio tem mais aceitação, mesmo nos blogs, que o amor.
E, no entanto, é o amor que move as estrelas.”
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