Lula e a crise dos aeroportos

ELIANE CANTANHÊDE

Lula na TV BRASÍLIA – O governo tinha de agir e agiu. Com nove meses de atraso e de uma inacreditável seqüência de erros, mas agiu. A tendência da crise dos aeroportos é ir acabando, acabando e acabar, até virar caso de Justiça -com o inquérito contra os controladores.
Primeiro, Lula deu uma de bonzinho na forma (passando a mão na cabeça de sargentos insubordinados) e foi negligente no conteúdo (sem negociar nada, apesar de haver reivindicações justas).
Agora, depois de ter transformado uma insubordinação restrita num movimento de grandes proporções, a tentativa é fazer o contrário: endurecer na forma (prendendo e afastando os líderes) e depois ceder no conteúdo (criando um plano de carreira para a categoria). No fundo, punindo os líderes e premiando os que ficarem.
A grande guinada estratégica é que o governo entrou na crise, nove meses atrás, anunciando negociação, paciência e desmilitarização do setor, conforme exigiam os líderes do movimento. Chega ao final fazendo o oposto: sem negociar, baixando o pau e aprofundando a militarização no tráfego aéreo.
Para Lula, o que interessava era resolver a situação, não importa como. Ele -e ninguém- não suportava mais ver aquela classe média todo dia se amontoando pelos aeroportos, cansada e irada. Resolvido o problema, ele deve tirar uma casquinha, fazendo um pronunciamento em rádio e TV à nação.
E o ministro da Defesa, Waldir Pires? Ele entrou na crise atribuindo toda a culpa da queda do Boeing aos pilotos americanos, seguiu sendo “bonzinho” com os controladores, chegou a defender publicamente a desmilitarização do setor e… acabou soltando uma nota na linha do “esqueçam o que eu disse”.
A Aeronáutica debelou a crise, o ministro da Defesa evaporou e Lula vai capitalizar o sucesso. Quando há crise, a culpa é dos outros. Quando dá certo, o mérito é do Lula.

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Invasão na USP revela um desejo paradoxal por ordem

Os sociólogos Francisco de Oliveira e Laymert Garcia dos Santos e o filósofo Paulo Eduardo Arantes discutem o significado da crise na USP

Movimento estudantil rompeu hiato de apatia, mas seu objetivo é conservador

UIRÁ MACHADO
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

“O período das grandes marchas acabou”, afirma o filósofo Paulo Arantes. A invasão da reitoria da USP também. E agora?
Seria um equívoco procurar no passado -e na mística de 68- a chave de compreensão do movimento liderado pelos estudantes contra o governo do Estado e o comando da universidade. Parece haver algo de novo no ar, embora ainda não seja possível dizer exatamente o que nem afirmar qual o legado que deixará para a esquerda.
O que já se sabe é que nasce com o mérito de romper um hiato de apatia e desmobilização, mas marcado por um paradoxo: o movimento que se pretende revolucionário e desafia a ordem legal é o mesmo que luta por pautas conservadoras e para restabelecer a ordem.
A análise é de Paulo Arantes e dos sociólogos Francisco de Oliveira e Laymert Garcia dos Santos, três dos mais importantes intelectuais da esquerda brasileira, próximos dos estudantes e simpáticos ao movimento. A Folha os convidou na última terça-feira para debater o significado da crise na USP, quando o cenário para o fim da invasão já estava desenhado.
Naquele dia, Arantes e Oliveira -e mais alguns colegas- participaram de uma reunião com a reitora da USP, Suely Vilela, para discutir os rumos da crise na universidade. Ficaram ainda mais convencidos da irrelevância da política.
“A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais”, afirma Oliveira. “É essa incapacidade que eu venho chamando de irrelevância da política.”

Adeus às marchas
“Simplesmente estamos nos dando conta de que política pode ser outra coisa. Um pontapé na porta rompeu uma rotina de decretos, de apatia. E fez com que um governo prepotente revogasse os decretos. Pode ser que o movimento não tenha um futuro. Daqui a dois dias [última quinta-feira] vão desocupar e não se sabe o que vai acontecer. Estamos vivendo um tempo inesperado, porque não entra nos parâmetros antigos. O período das grandes marchas acabou”, diz Arantes.
O filósofo compara a situação atual com a de 2000, quando os alunos se associaram a outros setores em greve e conseguiram mobilizar 50 mil pessoas na avenida Paulista (15 mil, segundo a Polícia Militar).
Ele diz que o movimento de agora, “do ponto de vista política, é uma molécula”, mas produziu “um deus-nos-acuda que não havia sido visto”. A reação, diz Arantes, é desproporcional.
Se a política tradicional está em xeque, dizem eles, é preciso buscar outras formas de olhar para a crise na USP. E uma delas é justamente a reação da sociedade -mas, sobretudo, a da própria universidade.
Quando os estudantes estavam havia poucos dias na reitoria, professores da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), unidade tradicionalmente de esquerda, escreveram textos condenando a violência da ocupação. Outros professores organizaram uma passeata anti-invasão.
“São manifestações de extrema-direita que nem na ditadura nós tivemos”, diz Arantes.
“O grau de apatia, letargia e neutralização da política chegou a um ponto que reivindicar o que os alunos estão reivindicando e apontar os limites das ações do governo já é uma coisa escandalosa”, diz Laymert.
Aí apontam o que, para eles, é o grande mérito dos estudantes: se manifestar contra algo com o que não concordavam.
Essa linha de raciocínio os leva a considerar que a ordem, na verdade, é uma desordem aceita por todos. O primeiro ato de violência, dizem, não partiu dos estudantes, mas de José Serra, que decidiu governar por decreto e atacar a autonomia das universidades. O mesmo vale para o plano federal, em que, desde FHC, a prática é governar por medidas provisórias.
“A surpresa foi que ainda existe gás para reagir quando tudo vinha sendo engolido passivamente”, diz Laymert.
No começo do ano, o governador José Serra (PSDB) editou uma série de decretos que, segundo parte da comunidade acadêmica, ameaçavam a autonomia universitária. No dia 31 de maio, publicou um inédito decreto declaratório e revogou quase todos os itens que estavam sob a mira dos alunos.

Paradoxo
A medida foi considerada um recuo de Serra e uma vitória dos estudantes. Mas essa conquista encerra um paradoxo.
“Eu já disse isso a eles [os alunos], e eles ficam meio aborrecidos: foi uma ação de subversão -que parece subversão, mas não existe subversão numa sociedade permissiva- para o retorno ao statu quo ante. Zapatistas, ex-maoístas, trotskistas, independentes se juntaram, ocuparam a reitoria para que o reitor tivesse o direito do pleno exercício da execução orçamentária e financeira de uma universidade, que é puro establishment. É uma subversão pela ordem”, afirma Arantes, o mais próximo dos alunos.
“O famoso Estado democrático de Direito sendo violado nas suas regras elementares -que é o funcionamento de uma autarquia- provocou um ato considerado de subversão revolucionária para colocar as coisas no seu lugar, que é um lugar conservador”, completa.
Para Arantes, as demais reivindicações vão na mesma linha. A pauta inclui, entre outras, medidas de inclusão social (“assistencialismo”) e a Estatuinte (“dentro da normalidade de uma vida institucional”).
“A pauta de reivindicações, a própria reitora o disse, é perfeitamente realizável. Um dos pontos é o serviço de ônibus da USP. Ora, o que isso quer dizer para uma universidade como a de São Paulo? Não vejo como isso possa estar dizendo que se trata de nova forma de política”, diz Oliveira.

Contágio
Os três concordam quanto ao caráter algo conservador das reivindicações dos estudantes. Ao mesmo tempo, enxergam uma certa novidade no movimento: além da capacidade de quebrar o silêncio, apontam a forma de manifestação.
“No conteúdo, não há nenhuma alternativa política substantiva. Na forma, é uma ação política inédita, que tende a se multiplicar, como fórmula, independentemente do conteúdo. O contágio então vem da tecnologia política, do modo de fazer. O conteúdo está na forma”, diz Arantes.
Se a novidade está na forma, é porque os tempos são outros. Os modos antigos de fazer política, insistem eles, não têm mais alcance nem sentido.

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Filósofos, para quê?

Gestão cabeça
Levar a Filosofia para a empresa pode ajudar a encontrar o melhor de cada um, segundo Jerry Walls

Entrevista concedida a Jacqueline Sobral

Jerry Walls fará a abertura do 33º Congresso Estadual de RH – De Platão a Peter Drucker: A Sabedoria na Gestão com Pessoas, promovido pela ABRH-RJ entre os dias 17 e 19 de junho, no Hotel Intercontinental. Para mais informações, acesse http://www.abrhrj.org.br

Num mundo em que novas tecnologias são descobertas todos os dias e em que as empresas competem entre si para reter e atrair novos clientes ávidos por produtos e serviços, há um grupo de pessoas que prega o retorno a idéias do passado. A palavra grega Filosofia, que teria sido criada no século 5 a.C. por Pitágoras, volta a ser objeto de estudo de profissionais em pleno século 21. Jerry Walls, PhD em Filosofia e consultor do Morris Institute, afirma que as pessoas devem implementar em seu cotidiano pensamentos que conseguiram sobreviver ao teste do tempo. Em entrevista à MELHOR, Walls afirma que a Filosofia é uma grande libertadora e pode ajudar gestores e funcionários a dar o melhor de si, a conquistarem satisfação em seu trabalho e a serem persistentes para a conquista do sucesso.

MELHOR – Que filósofos, idéias e pensamentos o senhor sugere a profissionais que querem ter sucesso?

Walls – Acredito que o sucesso sempre surge da excelência e da paixão, conjugadas com as idéias certas e da maneira correta. Grandes filósofos práticos como Lao Tsu, Confúcio, Sêneca, Marco Aurélio, Cícero e Ralph Waldo Emerson nos aconselharam a nos conhecer – nossos talentos, nossos entusiasmos e nossas oportunidades -, e fazer surgir as melhores oportunidades todos os dias. Eu incitaria os profissionais de qualquer nível a redescobrir os maiores pensadores práticos da História e usar suas idéias. Um colega meu, Tom Morris, está levando as pessoas a terem essa sabedoria com os seus livros, como E Se Aristóteles Dirigisse a General Motors?, O Verdadeiro Sucesso e E se Harry Potter Dirigisse a General Electric?.

Existem casos de executivos de empresas de segmentos altamente competitivos que efetivamente colocaram lições filosóficas em prática, com resultados bem-sucedidos comprovados?

John Alison, presidente e CEO do BB&T Bank, conversa com todos os seus associados sobre Aristóteles e pede que leiam sobre Filosofia para melhorar e aprofundar o comportamento deles nos negócios. Steve Leveen, co-fundador e presidente da Levenger, a maior empresa de catálogos e varejo dos EUA, lê Filosofia o tempo todo – especialmente sobre os *estóicos (Originado no século IV a.C., com o filósofo Zenão de Cicio, o estoicismo tinha como princípios a conformação e imperturbabilidade. ) – e usa as idéias tanto para continuar tendo sucesso quanto para ajudar as pessoas a sua volta a se fortalecerem internamente de modo a atrair novos desafios. Uma grande cadeia de restaurantes americana, a Chic-Fil-A, baseia tudo que eles fazem em uma filosofia de vida muito positiva e obtém resultados incríveis com isso. Em termos de resultados mensurados, nós temos uma forte evidência anedótica de que a sabedoria dos grandes pensadores do passado pode levar as pessoas a altos níveis de sucesso no presente. Banqueiros e varejistas não têm tempo de se entregar ao hobby da Filosofia a não ser que isso traga resultados. Alguns são difíceis de serem quantificados e isso explica o porquê de muitas pessoas ainda negligenciarem tais idéias. Como na vida em geral, é freqüente que as coisas mais difíceis de se mensurar sejam as mais importantes, porque servem de suporte àquelas que podemos quantificar, como satisfação dos funcionários, taxas de rotatividade, manutenção de clientes e performance em indústrias altamente competitivas.

Em países como o Brasil, onde o nível educacional é baixo, é possível falar no uso da Filosofia na vida profissional?

Se Aristóteles dirigisse a General Motors, ele teria se concentrado nos quatro fundamentos da excelência: verdade, beleza, bondade e unidade. Ele teria se perguntado, todos os dias, como aplicar essas coisas no local de trabalho

É possível sim. A Filosofia não começa nas universidades. Tem início com as pessoas que são curiosas o suficiente para fazer perguntas sobre as coisas mais importantes da vida. Todos nós precisamos de sabedoria em nossas vidas. Algumas das pessoas mais sábias do mundo não são necessariamente as mais educadas no sentido comum. Mas são pessoas que prestam atenção no que elas vêem e em suas experiências, e que lembram das lições que têm aprendido sobre a vida. Essas pessoas respondem muito bem à grande sabedoria do passado. A Filosofia não precisa ser complexa para ser poderosa. Normalmente, é mais profunda quando é mais simples.

Mas as lições filosóficas não vão de encontro às expectativas de curto prazo das empresas?

Filósofos apreciam a verdade. É difícil obter resultados sólidos a longo ou a curto prazo se você não está aberto e sensível à verdade. Filósofos apreciam a beleza. Uma bonita solução para um problema do cliente pode criar resultados incríveis em curto prazo. Filósofos enfatizam a importância da bondade e da ética. Pessoas que acreditam em seu trabalho e no do colega trabalham melhor juntas e são as mais produtivas. Uma falta de bondade gera ressentimento e, quando não são bem tratadas, as pessoas nunca alcançam seu máximo e fazem o seu melhor.

Vamos pegar um exemplo prático: o que podemos aprender com a Alegoria da Caverna, de Platão, e a gestão de pessoas de hoje em dia?

Platão acreditava que todos nós somos pessoas acorrentadas em uma caverna, olhando uma dança de sombras pela parede e confundindo essas ilusões com a realidade. O filósofo é uma pessoa que liberta a si próprio dessas correntes, que sai dessa caverna de ilusões, vê a verdadeira luz do dia e retorna à caverna para ajudar a libertar os outros. Na área de Recursos Humanos, como em qualquer função empresarial, nós damos o nosso melhor se estamos livres de ilusões e entendemos as realidades de nossa situação. Nós também contratamos os melhores profissionais quando conseguimos achar pessoas que saibam distinguir aparências de realidades. A Filosofia é uma grande libertadora. Quando é bem usada, pode libertar as pessoas para serem o seu melhor e fazerem o seu melhor em qualquer ambiente.

Nietzsche costumava dizer que “acreditar que a satisfação vem facilmente é destrutivo em seus efeitos, por nos fazer desistir prematuramente frente aos desafios que podem ser superados somente se estivermos preparados.” Esse é um bom pensamento para ser seguido? Persistência é sempre sinônimo de sucesso?

Persistência é sempre uma pré-condição para o sucesso que vale a pena alcançar. As pessoas mais bem-sucedidas não são sempre as mais talentosas ou as mais inteligentes, mas tendem a ser as mais comprometidas, as mais resistentes e as mais persistentes. Cervantes uma vez escreveu: “Diligência é a mãe da boa fortuna.” Trabalhe em qualquer coisa que você queira e continue a trabalhar com diligência. Não desista. Nietzsche estava certo e ele entendeu o poder da persistência em sua própria vida. É uma qualidade que todos nós temos de ter.

É realmente possível aplicar a Filosofia em nosso trabalho diário e na administração de nossas carreiras, mesmo quando somos bombardeados o tempo todo por novas informações e quando somos cobrados a fazer o melhor em menos tempo?

Thomas Hobbes era pessimista sobre a natureza humana. Mas a maioria dos pensadores práticos da História compreendeu que a preocupação com os outros e um senso sobre a importância de atender os outros são os maiores atalhos para verdadeiros resultados excelentes

Precisamos estabelecer uma distinção cuidadosa entre a Filosofia Teórica e a Prática. A Filosofia Teórica requer sentar e ponderar. A Filosofia Prática procura levar as pessoas à ação –  não simplesmente qualquer ação, mas uma ação inteligente. Em tempos de mudança, precisamos basear nossas ações em idéias que vêm sobrevivendo ao teste do tempo. Os valores e os insights que nunca mudam são os que podem melhor nos ajudar a obter nossas orientações e a fazer nosso melhor em circunstâncias que estão mudando tremendamente. A maior prática da Filosofia Clássica proporciona a qualquer pessoa um norte nos negócios e na vida, uma verdadeira vantagem.

Podemos começar a questionar tudo na busca pela verdade, se tomarmos Sócrates como exemplo.  Mas o que pode ser a verdade nos negócios e em RH? É possível questionar tudo em uma empresa sem colocar em risco o seu emprego?

Pessoas questionadoras são pessoas que podem descobrir maneiras de melhorar o trabalho delas. Ao adotarmos a Filosofia Prática, questionamos com o objetivo de melhorar. Não estamos apenas contemplando e fazendo perguntas sem fim. Queremos melhores caminhos, queremos metas mais altas e queremos valores mais profundos para basear o nosso trabalho. Dessa forma, em bons ou maus momentos, podemos trazer idéias de poder para o ambiente.


As pessoas, hoje, querem o sucesso. Mas o que é o sucesso? O profissional não precisa saber primeiro exatamente o que ele sente e o que ele quer, em vez de apenas seguir o que a sociedade diz a ele?

O verdadeiro sucesso está relacionado à conquista de metas valiosas que nós, como indivíduos, achamos realmente animadoras e significativas. Essas metas podem não combinar com o que a sociedade, nossa família ou nossos amigos pensam. Gestores precisam saber casar suas verdadeiras paixões com seus objetivos, assim como os seus subordinados também. Quando essas metas são identificadas e conhecidas, tanto os administradores quanto os seus funcionários terão um senso de satisfação que está no coração do verdadeiro sucesso.

Ética é um tema importante nas empresas. O que os filósofos podem nos ensinar sobre a questão?

Muitas pessoas confundem Ética. Pensam que se trata somente de ficar longe de problemas. Os grandes filósofos entendiam que Ética é criar força – pessoas fortes, empresas fortes, relacionamentos fortes com clientes. Se entendermos a verdadeira natureza da Ética, ficaremos motivados a ser o mais ético possível em qualquer situação. E no centro desse complicado tema está algo mais simples que a Regra de Ouro: trate os outros da maneira com a qual você gostaria de ser tratado se estivesse no lugar deles. Esse é o fundamento para um ótimo trabalho e ótimos relacionamentos.

O filósofo Thomas Hobbes, no livro Leviatã, dizia que o soberano é movido por orgulho. Muitos executivos têm esse tipo de raciocínio?

Aqueles que buscam sua própria glória e fama de uma forma egocêntrica normalmente alienam todos a sua volta. As melhores pessoas não querem trabalhar para um egomaníaco. E uma pessoa arrogante, que só se preocupa com si própria, perderá o suporte dos melhores profissionais capazes de ajudá-la a fazer ótimas coisas. Hobbes era pessimista sobre a natureza humana e criou o termo “estado natural” [que seria um estágio anterior ao estado do homem em sociedade]. Mas a maioria dos pensadores práticos da História, independentemente de terem começado com uma visão pessimista ou otimista do ser humano, compreenderam que a preocupação com os outros e um senso sobre a importância de atender os outros são os maiores atalhos para verdadeiros resultados excelentes.

Sobre o livro de seu amigo Tom Morris, E Se Aristóteles Dirigisse a General Motors?, o que o filósofo, afinal, teria feito na empresa?

Ele teria se concentrado nos quatro fundamentos da excelência: verdade, beleza, bondade e unidade. Ele teria se perguntado, todos os dias, como aplicar essas coisas no trabalho, no design de produtos, nas vendas e em todas as outras facetas da empresa. Teria contratado não apenas pessoas inteligentes, mas realmente sábias. Ele teria criado parcerias em novos formatos. Teria sido um grande pensador que se preocuparia com todas as pequenas coisas. E ele alcançaria alguns resultados surpreendentes.

PÍLULAS FILOSÓFICAS

Como Goethe afirmou: “Nada é mais valioso que este dia”. Então, curta o dia o máximo que você conseguir

Jerry Walls dá algumas dicas baseadas em lições filosóficas para um profissional que está em busca de sucesso:

– Estabeleça objetivos claros enraizados no autoconhecimento e na compreensão do que é bom para os outros e para você próprio.
– Construa uma forte autoconfiança no que você está fazendo, baseada em competências pessoais verdadeiras.
– Foque sua concentração no que será preciso para atingir seus objetivos. Então, trabalhe duro, começando de onde você estiver. Jose Ortega y Gassett afirmou uma vez: “Nós distinguimos o homem excelente do homem comum dizendo que o primeiro é o que mais exigiu de si próprio e o segundo o que não fez nenhuma exigência a si mesmo.”  No mundo antigo, Publilius Syrus afirmou: “Se você quer alcançar o ponto mais alto, comece do mais baixo.”
– Seja consistente no que faz. Consistência é uma fonte de grande poder na vida. Epictetus nos lembra que “nenhuma grande coisa foi criada de repente”. A conquista de grandes coisas requer esforços consistentes e constantes.
– Tenha entusiasmo e paixão pelo que você faz. Nietzsche disse: “A vida não é cem vezes tão curta para entediarmos a nós mesmos?” Faça alguma coisa que ame, encontre o caminho para amar o que faz e, então, você será bem-sucedido.
– Para citar o pensador antigo Heráclito, “Caráter é destino.” Sucesso anti-ético é sempre auto-destrutivo. Somente o sucesso ético irá durar. Tenha cuidado com pequenas coisas. Sempre aja com integridade.
– Cultive uma capacidade de curtir o processo durante o caminho. Somos tão auto-orientados que esquecemos de curtir o processo. Mas é o processo que produz os resultados. As melhores pessoas em qualquer desafio são aquelas que amam o que estão fazendo. Como Goethe afirmou: “Nada é mais valioso que este dia”. Então, curta o dia o máximo que você conseguir!

São Paulo – SP – 05421-0001 – 11 3039-5600

PARIS -inverno – liquidações

Maya Vidon/EFE

Galerie Lafayette, smbolo das compras em Paris

Galerie Lafayette, símbolo das compras em Paris

Como Londres, Nova York e Dubai, Paris quer se transformar em um destino de compras e atrair, durante as promoções de inverno que começam na quarta-feira, turistas do mundo inteiro, entre eles chineses e russos, adeptos incondicionais das grandes lojas.

Um percurso “chic” para conhecer os bairros ricos e descobrir lojas de luxo e estilistas famosos, um trajeto “trendy” para os mais descolados ou uma visita “romântica” para as “compras apaixonadas”: a secretaria de turismo da capital francesa elaborou guias adaptados ao perfil dos visitantes.

“Paris é o berço das grandes marcas internacionais, a mais alta concentração de lojas do mundo e pode legitimamente reivindicar a posição de capital do ‘shopping'”, afirmou o diretor-geral da secretaria de turismo, Paul Roll.

“A idéia parte de uma comparação com as promoções de Londres, que têm forte poder de atração”, explicou Alain Barilleau, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Paris, um dos organizadores da operação.

Lançada pela primeira vez em 2007, a operação “Soldes by Paris” será organizada de 9 a 20 de janeiro, com 2.000 lojas e 350 profissionais do turismo (hotéis, restaurantes, transportes).

“A primeira edição foi boa, mas não tínhamos investido tudo. Desta vez, divulgamos um evento com um orçamento de 500.000 euros”, destacou Roll, para quem o objetivo principal é melhorar as taxas de ocupação (dos hotéis) na primeira quinzena de janeiro, um dos períodos chaves do ano.

O apito inicial será dado nesta terça-feira, véspera do início das promoções, na loja Printemps Haussmann por uma estrela da alta-costura, a ex-modelo da Chanel Inès de la Fressange. O bairro Haussmann é um dos maiores pólos comerciais europeus e recebe em média 120 milhões de clientes por ano.

Se a operação visa em primeira lugar os turistas dos países europeus vizinhos como os alemães, os belgas, os espanhóis ou os italianos, os visitantes dos países emergentes chamados “BRIC” (Brasil, Rússia, Índia e China) são também o centro das atenções.

Os turistas chineses, que visitam vários países europeus em busca de promoções durante 15 dias, adoram fazer escala para compras em Paris: eles deixam a cada ano entre 9 e 10 milhões de euros na Printemps Haussmann, com um gasto per capita de 700 euros, calculou seu diretor, Didier Lalance.

Outros campeões do “shopping”, os turistas russos perdem a cabeça no “8ème arrondissement”. Eles lotam a avenida Champs-Elysées e a rua Faubourg Saint-Honoré, dedicando 60% de seus gastos a artigos da moda e 19% a jóias, segundo organizações do “Soldes by Paris”.

Russos e chineses se beneficiam, enquanto turistas residentes fora da União Européia, de uma isenção de impostos de 12% sobre as compras nas grandes lojas.

Em sua busca pelo “chic e barato”, os fãs das liquidações serão assessorados por “shopping coaches”, recepcionistas trilíngües posicionadas em locais estratégicos e “concierges” nômades para acompanhá-los.

A única coisa que pode conter as ambições de Paris para se tornar a capital mundial das compras turísticas, no entanto, é o euro forte, que castiga os visitantes da zona dólar. Fora isso, somente as lojas que ficam fechadas aos domingos, apesar de algumas delas infringirem a lei, correndo o risco de receber grandes multas.

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A ópera de Rossini em SP

Fernando Moraes

Luisa Francesconi

A bela meio-soprano Luisa Francesconi: charme para viver a destemida Isabela


Escrita por Gioacchino Rossini com base em libreto do poeta Angelo Anelli, A Italiana em Argel estreou em 1813 na cidade de Veneza. Essa ópera-bufa deu notoriedade ao compositor, então com 21 anos, e ganha agora uma montagem inédita dentro da temporada lírica do Municipal.

Escalado para dirigir as cinco récitas em cartaz a partir de sábado (23), Hugo Possolo, do grupo Parlapatões, não economizou nos ingredientes circenses para narrar a história da destemida Isabela. Na trama, a personagem-título embarca para a Argélia a fim de resgatar o namorado, transformado em escravo por um governante local. O cenografista Luis Frugoli, o figurinista Cássio Abreu e o maquiador Eliseu Cabral auxiliam Possolo na tarefa de rechear o palco de elementos chamativos como um trono forrado de latinhas de refrigerante, vestidos montados com centenas de gravatas e objetos de tamanho totalmente fora de proporção – alguns enormes, outros minúsculos.

No papel principal está a meio-soprano brasiliense Luisa Francesconi. A bela cantora de 31 anos usa todo o seu charme para ludibriar o baixo-barítono americano Stephen Bronk, que interpreta Mustafá, o mulherengo soberano de Argel. Lindoro, o amado prisioneiro, é vivido pelo tenor André Vidal. Do elenco fazem parte ainda Douglas Hahn (barítono), José Gallisa (baixo) e Denise Tavares (soprano). A ala masculina do Coral Lírico, preparada por Mário Zaccaro, reveza-se em trajes de piratas, soldados e eunucos. Jamil Maluf rege a Orquestra Experimental de Repertório.


A Italiana em Argel (160min, com um intervalo). Teatro Municipal (1.580 lugares). Praça Ramos de Azevedo, s/nº, 3222-8698, Metrô Anhangabaú. Sábado (23), 20h30. R$ 20,00 a R$ 40,00. Cc.: todos. Cd.: todos. Bilheteria: 10h/19h (seg. a sex.); a partir das 14h (sáb.)

Lula e seus irmãos

Relação de Vavá e frei Chico com o presidente da República se ajusta mais ao gênero cômico do que ao trágico

ALCIR PÉCORA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Faltam alguns dos precedentes trágicos da situação vivida hoje por Lula e seus irmãos.
Com efeito, quando Aristóteles pensou sobre os eventos favoráveis à excitação do sentimento trágico, assinalou aqueles que diziam respeito aos amigos e, em particular, às ligações de sangue.
Isso porque, diz ele, “se as coisas se passam entre inimigos, não há que compadecer-nos nem pelas ações nem pelas intenções deles, a não ser pelo aspecto lutuoso dos acontecimentos; e assim também entre estranhos. Mas, se ações catastróficas sucederem entre amigos -como, por exemplo, irmão que mata ou esteja em via de matar o irmão, ou um filho o pai, ou a mãe um filho, ou um filho a mãe, ou quando aconteçam outras coisas que tais- eis os casos a discutir”.
Tais eventos são os que mais diretamente provocam em nós terror e piedade, os afetos trágicos por excelência.
Ambos decorrem da empatia, isto é, do sentimento de que também a nós poderia ocorrer um desastre semelhante, pois todos os que têm parentes e os amam podem intuir o temor de tê-los contra si, assim como estão aptos a sentir compaixão por quem sofresse pesar semelhante.
Por isso mesmo, Hegel entendeu que a essência da tragédia se caracterizava pelo confronto entre dois direitos antagônicos e contraditórios: os da leis escritas do Estado e os da lei não-escrita da família. Um belo exemplo dessa essência trágica, em língua portuguesa, encontra-se em “A Castro”, de António Ferreira, na qual se encena a conhecida história de Inês, amante do infante d. Pedro, que é assassinada a mando do rei, d. Afonso 4ø, temeroso de que a paixão ilícita do filho pusesse a perder os seus esforços de autonomia do trono português diante do poder de Castela.

Temor e compaixão
Em “Os Lusíadas”, não faltam células trágicas similares, em que o rei se deixa arrastar pelas contingências afetivas de sua “persona personalis” em detrimento dos deveres transcendentes de sua “persona ficta” ou “mystica”, que representa o Estado.
A considerar desse modo o caso, a atual irrupção de Vavá no noticiário do governo, guardaria em si o embrião de uma cena trágica, na qual o irmão no poder se vê constrangido e contraditado pelas ações do irmão imprudente ou desonesto, não importa se lambari ou tubarão.
Aliás, a levar adiante a analogia, a potência trágica do episódio deveria tornar mais cautos os críticos que vêem em Vavá causas para a queda de Lula: um episódio familiar é potencialmente lugar de simpatia, isto é, de temor e compaixão partilhados.
A tragédia, contudo, não parece ser o gênero mais ajustado à comparação com a situação vivida pelo presidente.
Pois a imitação trágica só funciona, no dizer de Aristóteles, quando o objeto da imitação são aqueles sobre os quais não restam dúvidas sobre o seu “caráter elevado”, como ocorre quando pessoas que julgamos de grande valor acabam sofrendo algum mal irreversível, por um erro involuntário cometido.
Quando, ao contrário, a ação em cena diz respeito a quem julgamos iguais ou piores do que gente como nós, o que se produz é comédia.
Como diz o filósofo, “a mesma diferença separa a tragédia da comédia; procura esta imitar os homens piores, e aquela, melhores do que ordinariamente são”.
Os efeitos correspondentes ao novo gênero já nada têm a ver com temor e compaixão, mas sim basicamente com o “ridículo”.
Este, aliás, em termos aristotélicos, não é qualquer defeito, mas apenas o que refere a “torpeza anódina”. Assim, quando não há certeza sobre a grandeza de um caráter, que apenas pode estar assentada sobre ações habitualmente virtuosas, está definitivamente perdida a possibilidade da imitação trágica.
Nesses termos, convenhamos, Lula, como persona trágica, já não é verossímil há muito tempo, ao menos desde que reinventou a si mesmo no pragmatismo eleitoreiro e vulgar do “Lulinha paz e amor”.
Se houve algum dia um verossímil trágico associado ao tema da catástrofe familiar na persona de Lula, talvez devesse ser buscado no pesar advindo da exposição de Lurian, a filha até então oculta, e da posterior derrota política decorrente da sórdida campanha movida por Fernando Collor de Mello, em 1989.

Anedota de corte
Agora, não. Agora a figura de Vavá apenas acrescenta mais um elemento pitoresco à baixeza ordinária. O episódio é absorvido genericamente como mais uma anedota da corte indecorosa.
Literariamente, a revelação das trapaças do irmão encontra, no máximo, analogia com as tópicas ridículas das comédias seiscentistas, quando a corte recentemente aburguesada se torna palco de toda sorte de ostentação reles.
Ali, falsos fidalgos, velhacos e emergentes, de cabeleira postiça e empoada, sentados sobre o próprio rabo, negando enfaticamente o próprio passado, fingem em vão acreditar nos áulicos venais que os pintam maiores do que são. Na hipótese trágica definitivamente perdida, Vavá seria parte das “ações paradoxais” a se abater sobre a excelência de um grande homem; na versão cômica atual, não passa de simples confirmação da “torpeza anódina” instalada na cena palaciana.

ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas e autor de Máquina de Gêneros (Edusp)

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Filósofo, poeta e amigo

O alemão Jürgen Habermas relembra o pensador pragmatista americano Richard Rorty, morto no dia 8.

JÜRGEN HABERMAS

Recebi a notícia por e-mail, faz quase um ano. Como tantas vezes nos últimos anos, Rorty expressava seu desconsolo diante de [George W.] Bush, o “presidente da guerra” cujas políticas tanto afligiam um patriota como ele, que sempre quisera “realizar” seu país.
Depois de três ou quatro parágrafos de análise sarcástica, vinha a frase inesperada: “Mas o fato é que estou com a mesma doença que matou Derrida”. Como se quisesse atenuar o choque, ele acrescentava que, segundo sua filha, esse tipo de câncer parece típico de quem “lê muito Heidegger”.
Três décadas e meia atrás, Richard Rorty livrou-se do corselete de uma profissão cujas convenções haviam se tornado estreitas demais para ele. Não o fez para se furtar à disciplina do pensamento analítico, mas para levar a filosofia a caminhos ainda não explorados.

Criatividade
Rorty sabia manejar magistralmente o aparato da nossa profissão; em duelos com os melhores entre seus pares -como Donald Davidson, Hilary Putnam ou Daniel Dennett-, ele era uma fonte inesgotável de argumentos sutis e sofisticados. Mas ele jamais esqueceu que a filosofia -a par das objeções dos colegas- não pode deixar de lado os problemas com que a vida nos depara.
Entre os filósofos contemporâneos, não conheço nenhum que se igualasse a Rorty na capacidade de confrontar seus colegas -e não apenas seus colegas- com novas perspectivas, novas intuições e novas fórmulas.
Essa criatividade espantosa deve muito ao espírito do poeta que deixara de se esconder atrás do filósofo acadêmico bem como ao brio retórico e à prosa impecável de um autor sempre disposto a chocar seus leitores com estratégias inauditas de representação, conceitos inesperados e novos vocabulários -um dos termos favoritos de Rorty. A arte ensaística de Rorty cobria toda a gama entre Friedrich Schlegel [1772-1829] e o surrealismo.

Orquídea selvagem
A ironia e a paixão, o tom jocoso e polêmico de um intelectual que revolucionou nossos modos de pensar e influenciou gente em todas as partes do mundo -tudo isso sugere um temperamento robusto. Mas essa impressão não faz justiça à natureza gentil de um homem muitas vezes tímido e reservado -e sempre sensível aos demais.
Um breve texto autobiográfico de Rorty traz o título de “Trotsky e as Orquídeas Selvagens” (disponível em
www.philosophy.uncc.edu/mleldrid/cmt/rrtwo.html). Rorty conta que, quando rapaz, gostava de caminhar pelas colinas em flor do noroeste de Nova Jersey e sentir o perfume poderoso das orquídeas.
Por essa mesma época, descobriu um livro fascinante na biblioteca de seus pais esquerdistas, uma defesa de Trótski contra Stálin. Assim nasceu a visão que o jovem Rorty levou consigo para os anos de universidade: a filosofia existe para reconciliar a beleza celestial das orquídeas com o sonho de justiça sobre a Terra.
Nada é sagrado para Rorty, o ironista. Quando lhe perguntaram, no fim da vida, sobre o “sagrado”, o ateu rematado respondeu com palavras que fazem pensar no jovem Hegel: “Minha noção de sagrado se prende à esperança de que, em algum dia distante, nossos descendentes viverão numa civilização global em que o amor será a única lei”.

Este texto saiu no “Süddeutsche Zeitung“.Tradução de SAMUEL TITAN JR.


Alguns livros de Rorty
Para Realizar a América (ed. DPA)
A Filosofia e o Espelho da Natureza (Relume-Dumará)
Objetivismo, Relativismo e Verdade (Relume-Dumará)
Ensaios sobre Heidegger e Outros Escritos Filosóficos (Relume-Dumará)
Contra os Chefes, contra as Oligarquias (DPA)
Verdade e Progresso (Manole)
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