Noel Rosa – entrevista com João Máximo

‘O romantismo do Noel é todo às avessas’

Entrevistamos o jornalista João Máximo, autor da biografia do Poeta da Vila, que conta um pouco mais sobre a história desse músico que nasceu há cem anos
Vivi Fernandes de Lima

O livro “Noel Rosa, uma biografia”, de Carlos Didier e João Máximo, só pode ser encontrado em sebos e por mais de R$ 400. Isso porque sua única edição – lançada pela editora da Universidade de Brasília, em 1990 – virou uma raridade. E, pelo que o jornalista João Máximo nos conta nesta entrevista, o preço deve aumentar. O autor recebeu a RHBN na redação do jornal “O Globo” e, como um bom repórter, começou a conversa antes mesmo de a primeira pergunta ser lançada:

[Foto de Nataraj Trinta]

João Máximo: Quando eu fiz o livro do Noel, não tinha essa tecnologia, não… [Apontando para o gravador digital]. Quando eu gravava, gravava em K-7. Acho que eu poderia ter gravado mais se tivesse um desse.

Revista de História: Que depoimento gostaria de ter gravado e não gravou?

JM: O do Mário Reis. Eu o entrevistei por telefone. Ele nunca dava entrevista… Fiz umas quatro ou cinco longas ligações pra ele. Ele gostava de falar no telefone. Era uma pessoa que não saía do Copacabana Palace, onde ele morava. Foram entrevistas sensacionais.

RH: Por quê?

JM: Porque ele contou, por exemplo, uma viagem com Noel Rosa para o sul. Ele, Noel, Francisco Alves, Peri Cunha e o pianista Nonô passaram por Curitiba, Florianólis e Porto Alegre. Não tínhamos quase nada sobre isso. O Mário Reis contou todas as diabruras que Noel fez. E contava com um humor, um sabor e uma precisão… Lembrava dos nomes e dos lugares. E das bebedeiras do Noel.

RH: Lembra de alguma dessas histórias?

JM: A melhor delas foi que Mário Reis, passando pelo convés do navio, encontrou Noel dedilhando o violão e cantando uma música. Era “Mulato bamba” [O mulato é de fato,/ E sabe fazer frente a qualquer valente/Mas não quer saber de fita/ nem com mulher bonita.] É sem dúvida o primeiro samba a tratar a homossexualidade sem o deboche que as canções carnavalescas sempre trataram. Mário se encantou pela música e disse: “Noel, não mostre essa música pro Francisco Alves. Eu quero gravar”. Isso porque se o Francisco Alves ouvisse e gostasse, ninguém mais gravava. Ele dominava todos eles, dizia o que ele ia gravar sozinho, o que ia gravar com Mário, e o que Mário ia gravar sozinho.

RH: A maior parte da pesquisa se baseou em depoimentos?

JM: Sim, conseguimos muita coisa com ex-alunos do Colégio São Bento. Uma coisa que me impressionou muito foi como é que eles se lembravam de um colega do ginásio. Eles lembravam com clareza os mesmos episódios. Noel marcou a vida de todos deles. Tinha um general, um almirante, um brigadeiro… O médico Lauro de Abreu Coutinho, já falecido, foi quem me contou uma frase clássica de Noel. Numa conversa com o colega, ele lamentou: “Poxa, Noel, você vai largar a medicina…”.  E Noel respondeu: “Lauro, como médico, eu jamais serei um Miguel Couto. Quem sabe não posso ser um Miguel Couto do samba?”.

RH: Além do Colégio São Bento, quais foram as outras referências?

JM: O objetivo era saber quem era Noel Rosa segundo uma lição que me foi ensinada: você não pode conhecer um homem se não conhecer profundamente o lugar e o tempo a que ele pertenceu. Então, tinha que conhecer os lugares que ele frequentava: Vila Isabel, Lapa… E também tinha que saber o que as pessoas pensavam, que valores elas tinham, seus preconceitos… Isso tudo pra saber até onde ele foi rebelde. E, é claro, o seu tempo, que é uma coisa que o Caetano Veloso ainda não entendeu. Quando ele diz que Noel é racista por causa dos versos de “Feitiço da Vila” [“A vila tem um feitiço sem farofa/ Sem vela e sem vintém que nos faz bem…], ele está julgando Noel Rosa pelos padrões de hoje. Mas você não vai pegar uma samba que Noel fez em 1935 e julgar sob os padrões de hoje! Pra aparecer, ele fez isso com Noel Rosa.

RH: Você encontrou muitas contradições nos depoimentos?

JM: Encontrei contradições que não alteram muito quem foi Noel Rosa. As pessoas têm memória às vezes fraca, às vezes seletiva. Por exemplo, a Ceci, que foi a paixão da vida dele, me contou que o primo dele, Jacy Pacheco, primeiro biógrafo de Noel Rosa, teria dado uma bofetada nela. Isso porque ele ficou indignado com ela, que já estava com outro namorado, enquanto Noel estava muito doente. Ela contou isso. Mas ele negou veementemente. Obviamente, eu tive que contar as duas versões. Mas isso não altera a essência do Noel Rosa. A essência dele, o grande achado é a importância que ele tem na música popular brasileira.

Primeiro, ele foi um tipo fascinante, bem rebelde em relação ao Brasil, à cidade, às diferenças sociais. O Mulato Bamba, o João Ninguém, a Maria Fumaça são a parte desvalida da população, pisoteada pelas relações econômicas de status social. Quando ele fala do barracão lá na Penha, fala contra os arranha-céus. “Essa mulher dos arranha-céus” é a Julieta, mentirosa, ardilosa, que quer carícias de papel [dinheiro].

RH: Essa habilidade de fazer críticas com sutilezas é o grande diferencial dele?

JM: Eu acho que ele foi genial por isso. Foi o primeiro letrista da MPB que ensinou que tudo poderia ser usado em letra de música, desde que bem usado. Quando a bossa nova teve um sentido inovador, até ali havia um certo preconceito contra certas coisas… Imagina em 1930! Como é que você vai falar em música que bate na mulher amada, que vai chamar a mulher de mentirosa? O romantismo do Noel é todo às avessas, ele é um romântico que não crê no amor.

RH: E como músico?

JM: Ele foi um dos primeiríssimos brancos a terem adotado o samba do Estácio, que é o grande samba carioca, que substitui o samba amaxixado dos baianos da Cidade Nova. De 1929 a 1933, ele é o único branco de classe média com passagens pela universidade que se tornou parceiro de 16 ou 17 negros dos morros cariocas.

RH: Vila Isabel mudou com Noel?

JM: Ah, sim. Até hoje, as pessoas falam “aqui morou Noel Rosa’, “aqui é o bairro de Noel Rosa”, é um mito. Você pega um táxi, pede pra ir pra Vila Isabel – eu faço isso todo dia – e o taxista comenta: “A vila de Noel, né?”.

RH: O seu livro chega a custar mais de 400 reais nos sebos. Há previsão para reedição?

JM: É, alguns amigos me pedem, mas eu não tenho mais exemplares… Há vários impedimentos para a reedição. Um deles é que há duas herdeiras do Noel Rosa que proibiram. São duas sobrinhas, filhas do Hélio Rosa, irmão de Noel. Elas implicaram com várias coisas, como o suicídio [do pai de Noel], e até com o casamento dele com Lindaura, que parece que dificulta provar que são únicas herdeiras… Já nos processaram algumas vezes e perderam todas.
Outro problema é que os autores não se dão mais, não têm mais uma relação de amizade. Mas não houve briga, não somos inimigos, só não temos mais a relação de amizade que permita a gente sentar pra rever o livro. Por computador eu não faço livro com ninguém. Por isso tudo eu acho que o livro não sai mais.

Todos os direitos : REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL

Radio Barata 51 – Banda Sub-Rosa

Rádio Barata 51 – Especial Sub-Rosa


A banda Sub Rosa foi escolhida a melhor no 1º. Festival de Musica Independente A Barata e Radio WULP. O Rádio Barata foi especial de 2 horas com a banda, batemos um papo com Reinaldo Penido, baixista e vocalista e tocamos na íntegra o CD “The Gigsaw”

Banda SubRosa
Banda SubRosa

Sub Rosa
Bárbara – Bateria, Reinaldo – Baixo e voz, Al – Sintetizadores e voz, Thiago – Guitarra, Glaydston – Voz, Márcia – Voz.
Cidade /Estado     Betim – MG
E-Mail     contato@subrosa.com.br
Contato     31 – 91946271 begin_of_the_skype_highlighting              31 – 91946271      end_of_the_skype_highlighting
Site     http://www.subrosa.com.br
Banda de rock progressivo, de Betim/MG. Lançou em dezembro de 2009 seu primeiro disco, o álbum conceitual THE GIGSAW. Em suas apresentações o vivo, a banda une ao espetáculo musical vários elementos de artes cênicas, para melhor ilustrar todo o rico conceito deste disco. Apesar da influência de bandas como Pink Floyd, Genesis e Beatles, a Sub Rosa tem uma sonoridade bem própria, que tem conquistado público e crítica por onde passa.

Equinox
I: Spring (instrumental)

II: Summer
If it weren’t to be now, tell me when it was going to be?
You build your creed and make believe you better stay right here
But when it comes down to the thing, you are older than you imagine
And if it doesn’t make things happen now, perhaps it’s your last chance.
It’s too late. Too late

III: Autumn
The winds are howling on my blue hands – I think I couldn’t hear the starting gun
My senses tangled to the core – I stand to a few dreams waiting for more

IV: Winter
Now you’re close to see an end and feel the story must be told
But in the end we see the story has just begun

Donloudi do Programa na Íntegra: http://www.multiupload.com/59KRBWX0VU

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Cortesia: Claudio Boczon. Artista plástico. E músico.Do magnífico blog Porão. E da Banda Gás Pimenta. Quer mais?:-)

Marcos Sacramento- É com esse que eu vou

O maior e o melhor cantor do Brasil:

Sexta, 22 de outubro >> MPB
com Marcos Sacramento

Em cartaz no musical ‘É com esse que eu vou’, de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, o cantor Marcos Sacramento apresentará um repertório camerístico interpretando clássicos da nossa Música Popular: valsas e serestas inesquecíveis. “Rosa”’, de Pixinguinha, “Último desejo”, de Noel Rosa e “Mentirosa”, de Custódio Mesquita e Mario Lago são algumas das canções que Sacramento cantará acompanhado pelo violonista Luiz Flávio Alcofra.

Sacramento começou a cantar profissionalmente no grupo ‘Cão sem dono’, em 1984. Já lançou cinco CDs solo (‘Modernidade da tradição’, ‘Caracane’, ‘Memorável  samba’, ‘Sacramentos’ e ‘Na Cabeça’, os três últimos pela gravadora Biscoito Fino), cinco com a cantora Clara Sandroni (‘Saravá, Baden Powell’, pela mesma gravadora, mais quatro da dupla com o grupo Lira Carioca).

Sobre o artista, escreveu o jornalista Ruy Castro: “…não há nada que ele não possa cantar. Seu domínio é absoluto quando solta voz…tudo isto com o maior balanço. Não é apenas um sambista perfeito, mas um cantor completo”.

Serviço / ‘MPB’ com Marcos Sacramento
Quando: sexta-feira, 22 de outubro, às 19h
Quanto: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia entrada)

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Transcrito do blog da FUNARTE  – Sala Sidney Miller

PEDRINHO CAVALLÉRO

Pedrinho Cavalléro - Vinicius Saravá

Pedrinho Cavalléro - Vinicius Saravá - Belém

Vinícius Saravá! 30 Anos de Saudade

   Em 09 de julho de 1980, parte o nosso Vinícius de Moraes. O “Poetinha”, como era conhecido. É considerado o mais poeta dos poetas e a mais real e clara expressão do romantismo. Sua obra serviu de referencial para muitos compositores e intérpretes. Em suma, ele faz parte da história musical e literária desse país, e só por isso, merece ser eternamente lembrado, cantado e recitado.

            Para relembrar o grande poeta é que desenvolvemos o projeto “Vinícius Saravá – 30 Anos de Saudade” que conta com o patrocínio da Y.Yamada através do incentivo da Lei Semear.

Convidamos o compositor, músico e intérprete Pedrinho Cavalléro, para apresentá-lo, por todo seu conhecido amor pela obra do poeta, mais o ator Ricado Tomaz e as intérpretes Aninha Portal, Silvia Lobo, Patrícia Rabelo, Adriana Cavalcante, Marcia Yamada e Karen Tavares, que irão se apresentar a cada terça feira.

Dividindo o palco com Pedrinho Cavalléro estarão os músicos Lenilson Albuquerque, Mário Jorge e Bruno Mendes.

As apresentações serão no Bar Teatro Vitrola, todas as terças-feiras, nos meses de outubro e novembro, às 21h, ingressos a R$ 10,00.

 Ficha Técnica:

Produção: Igara Produções – Nayana Reis

Projeto Visual: Andréa Cavalléro, Ricardo Tomaz e Nayana Reis

Direção Musical: Pedrinho Cavalléro

Produção Executiva: Andréa Cavalléro

 

 

 

Música : Jussara Silveira e Maria João Pires

Jussara Silveira traz seu mar de volta ao país

Um ano após o lançamento do CD, cantora estréia a turnê “Entre o Amor e o Mar’

Após temporada no exterior com a pianista Maria João Pires, intérprete canta no show músicas portuguesas que têm “balanço baiano”

RAQUEL COZER
DA REPORTAGEM LOCAL

Houve um intervalo de um ano, além de uma temporada no outro lado do oceano, entre o lançamento do álbum “Entre o Amor e o Mar” (Maianga) e o início da turnê de divulgação, com a qual Jussara Silveira enfim aporta em São Paulo. À espera de soluções para “questões burocráticas” (leia-se patrocínio para os shows), a intérprete de 48 anos fixou bases temporárias no além-mar. Ela era, ao lado de André Mehmari, um dos nomes brasileiros dentre os internacionais convidados para a série “Schubertíade”, da conceituada pianista portuguesa Maria João Pires.
E foi em território ibérico que, caderninho na mão, rascunhou o roteiro dos shows que apresenta hoje e amanhã no Sesc Pompéia, antes de seguir para Salvador -sua terra, se não natal (ela nasceu em Nanuque, no interior de Minas), de coração e criação.
Em meio a canções de temática praieira, entraram no show mais músicas que, imagina ela, ninguém conhece. “É, eu sou louca”, ri Jussara, por telefone, durante uma pausa nos ensaios, no Rio, onde mora há 15 anos. “Primeiro, gravei um CD em que praticamente todas as canções eram inéditas. Daí, quando faço o roteiro para o show, coloco mais canções desconhecidas”, afirma a intérprete -uma das melhores do país, embora conhecida por um público ainda restrito.
“Tenho essa conquista no meu trabalho que é fazer com que as pessoas escutem novidades e se deliciem com elas. É uma marca minha, não planejei ser assim. Coloco aquela que me parece “a” canção ideal no disco, no show, e depois penso: “Pôxa, existem 500 músicas do Roberto, do Caetano, do Chico, e de novo não incluí nenhuma no repertório'”, diz.

Balanço baiano
Tirando releituras de “Morena do Mar”, de Dorival Caymmi -a quem Jussara já homenageou no disco “Canções de Caymmi” (1998)-, e “Oferenda”, de Itamar Assumpção, o álbum “Entre o Amor e o Mar” é quase todo composto por músicas pouco ou nada conhecidas. Estão lá composições de nomes como Adriana Calcanhoto (“Meu Coração Só”), Quito Ribeiro (“Braço de Mar”, que também entrou no disco de estréia dele) e Rômulo Fróes e Gustavo Moura (“Só pra Ver Onde Dá”). Para completar, no show, o rol de músicas que quase ninguém ouviu por aqui, Jussara incluiu duas canções portuguesas: o fado “És Livre”, de Alves Coelho Neto, e “Uma Canção por Acaso”, de Pedro Jóia e Thiago Torres da Silva.
Músicas que, para ela, têm muito a ver com o disco. “”Uma Canção por Acaso” tem um balanço, eu diria, quase de um ijexá. Não em características do arranjo nem na letra de um ijexá, mas um balanço baiano. Parece que o Pedro e o Thiago aportaram em Salvador”, diz. O show terá ainda “Eu Vi”, versão de José Miguel Wisnik para “J’ai Vu”, de Henri Salvador, e “Maria, Particularmente”, de Luiz Melodia.
“Essa [do Melodia] tem um refrão incrível, que já cantei há muito tempo”, conta Jussara, implacável recitadora de refrãos. “Ela fala assim: “Fado é na ponta da língua, ô lê lê, samba é na ponta do pé, ô lé lé”. É uma canção que combina com o mundo em que vivo, que é brasileiro, português, baiano, de samba, de fado.”
Jussara canta no Sesc Pompéia acompanhada por Luiz Brasil (violões e vocais), com quem lançou no começo do ano passado o CD “Nobreza”, além de Alberto Continentino (baixo), Vítor Gonçalves (teclados, piano e sanfona) e Tamina Brasil (percussão). O show tem ainda participação do articulista da Folha Arthur Nestrovski, que fez arranjos que entraram no disco, incluindo os de “Morena do Mar”.

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