You give love a bad name

An angels smile is what you sell
You promise me heaven, then put me through hell
Chains of love got a hold on me
When passions a prison, you cant break free

Youre a loaded gun
Theres nowhere to run
No one can save me
The damage is done

Chorus:
Shot through the heart
And youre to blame
You give love a bad name
I play my part and you play your game
You give love a bad name
You give love a bad name

Paint your smile on your lips
Blood red nails on your fingertips
A school boys dream, you act so shy
Your very first kiss was your first kiss goodbye

Youre a loaded gun
Theres nowhere to run
No one can save me
The damage is done

Chorus

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Guimaraes Rosa no cinema – MUTUM

23/05/2007 – 20h07

“Miguilim” de Guimarães Rosa chega à tela em Cannes

MÁRCIO FERRARI,
editor de UOL Cinema

Divulgação

Cena de Mutum

Cena de Mutum

Estréia da diretora Sandra Kogut na ficção, o longa-metragem “Mutum” será exibido nesta sexta-feira em Cannes, no encerramento da tradicional Quinzena dos Realizadores. O filme é uma adaptação da novela “Manuelzão e Miguilim”, de João Guimarães Rosa. A história acompanha o dia-a-dia do menino Miguilim na fazenda onde mora, em particular sua relação com a mãe e o irmão Felipe. A diretora define “Mutum” como “um filme sobre a despedida da infância”.

“Mutum” é uma co-produção entre a brasileira Tambellini Filmes e a francesa Gloria Films, com apoio do canal de televisão francês Arte. Boa parte do elenco é formada por atores não-profissionais, lado a lado com nomes conhecidos como João Miguel, Flávio Bauraqui e Luiz Carlos Vasconcelos. A comissão de seleção da Quinzena dos Realizadores destacou no filme seu “olhar poético”.

A carioca Sandra viveu e trabalhou na França e nos Estados Unidos. O início de sua carreira esteve mais ligada às artes plásticas, com ênfase nas experimentações em vídeo. No início dos anos 90 ela criou o projeto “Parabolic People”, rodado em seis grandes metrópoles do
mundo. Outros de seus trabalhos mais divulgados são o curta “Lá e Cá” e o documentário em longa metragem “Um Passaporte Húngaro”.

Leia a seguir a entrevista que a cineasta concedeu ao UOL por email.

O enrendo do filme difere muito da novela de Guimarães Rosa?

Sim e não. Talvez seja mais indicado dizer que o filme é um diálogo com a novela, porque ele é fiel a ela no que tem de mais essencial: as sensações da infância. Mas, para ter força como filme, ele teve de ganhar independência do livro. Senão seria impossível dar certo. Um livro é uma coisa enorme, que a gente lê durante dias. Um filme perto disso não é nada? só uma hora e meia! Então o filme é mais conciso, tem menos histórias paralelas, aposta mais nos personagens principais.

O que a atraiu em “Manuelzão e Miguilim”?

Há muitos anos eu sou fã do Miguilim. Sempre achei que daria um lindo filme, porque fala de sentimentos delicados e profundos e o cinema é um lugar muito rico para expressar sutilezas. Apesar da história se passar numa fazenda, com vaqueiros (é um faroeste), eu tenho a impressão de conhecer profundamente as sensações que são contadas ali.

Por que o filme se chama “Mutum”?

Mutum é o nome do lugar onde eles moram, no livro também. Como todo o resto, tem um lado real (se você procurar no mapa, vai achar um lugar com esse nome) e outro totalmente imaginário. O Mutum simboliza a infância, tem a mata escura e assustadora, as brigas ouvidas atrás da porta, as conversas escondidas dos irmãos no quarto antes de dormir, já no escuro, as tempestades? E também as brincadeiras, as cumplicidades. As paisagens são paisagens internas; a natureza é o mundo interior dos personagens.

Que soluções você buscou para levar a linguagem de Guimarães Rosa às imagens?

Muitas vezes as pessoas se apegam à maneira de falar dos personagens quando adaptam Guimarães Rosa. No nosso caso, os atores nunca leram o roteiro, e falaram usando as próprias palavras — o que não quer dizer que eles improvisavam. Como a maioria deles era do sertão, tinham um jeito de falar próximo à linguagem do livro. Todo o trabalho de atuação se construiu nessa proximidade entre a vida deles e a dos personagens.

Quem são os atores e como eles foram escolhidos?

O elenco mistura alguns atores profissionais com vários não-atores. A primeira coisa que eu quis foi encontrar as crianças, porque o filme se constrói a partir delas. Para mim era muito importante fazer esse trabalho eu mesma. O encontro com o Thiago [Thiago da Silva Mariz], que faz o personagem principal, me deu a certeza de que o filme era possível. Em função das crianças pude escolher os adultos, para formarem então uma família. Em seguida eles moraram juntos durante dois meses, mergulharam de cabeça nessa experiência de vida. No total foi um ano e meio de preparação. O trabalho da preparadora de elenco Fátima Toledo, desde a fase das oficinas, foi importantíssimo.

Como foi filmar no interior de Minas e onde exatamente foram as locações?

A escolha das locações foi feita a partir da escolha dos atores. Quis filmar na região onde tinha estabelecido laços mais sólidos, porque o mais importante para mim não eram as paisagens, mas a vida daquelas pessoas. Nossa base foi a cidade de Três Marias, no norte de Minas.

Sua carreira esteve até agora mais ligada ao universo não-ficcional. Que novidades “Mutum” representou para você e como as encarou?

Foi um desafio e tanto. Aprendi muito. Embora tenha muitos elementos de documentário, é um filme de ficção, com todos os desafios que isso representa — uma equipe muito maior, uma escala de produção também muito maior. A gente trabalhou numa situação em que nada era realmente controlado. Tínhamos muitos fatores de risco, o que em geral acontece mais em documentários. Mas isso trouxe muita vida ao filme. Todos os dias a Ana [a co-roteirista Ana Luiza Martins Costa] e eu reescrevíamos as cenas do dia seguinte. Achei isso fascinante: o filme vai se impondo, como uma coisa viva. Adorei trabalhar com ficção.

A pergunta inevitável: qual é sua expectativa em relação ao festival?

0 convite da Quinzena dos Realizadores foi muito especial: eles nos convidaram para fazer o encerramento, dando ao filme um destaque excepcional, que mostra a relação legal que eles estão tendo com ele. Foi um convite prestigioso e o jeito como eles vêem o filme me deixou
muito feliz. Fico honrada de fazer parte disso.

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A Poesia é um segredo dos deuses…

ANTONIO CICERO

A poesia é um segredo dos deuses?

Conhecendo a poesia, conhecemos uma maravilha que nenhum deus é capaz de conhecer

NUMA MESA-REDONDA de que participei recentemente, no encontro de escritores que tem lugar anualmente em Póvoa de Varzim, no norte de Portugal, o tema proposto para discussão foi: “A poesia é um segredo dos deuses”.
A propósito desse assunto, lembro que João Cabral dividia os poetas entre aqueles que tinham a poesia espontaneamente, como presente dos deuses, e aqueles -entre os quais ele mesmo se situava- que a obtinham após uma elaboração demorada, como conquista humana.
Ora, o tema da nossa mesa havia sido proposto tanto para deixar à vontade os poetas do primeiro grupo, isto é, os que acreditam na inspiração, quanto para provocar os do segundo, isto é, os que não acreditam nela, de maneira que uns e outros se sentissem livres para expor as suas poéticas divergentes.
Quanto a mim, não sinto que caiba inteiramente em nenhum desses dois grupos. Certamente considero uma tolice pensar que a poesia seja pura inspiração, pura dádiva dos deuses; mas penso que há também um quê daquela violência que os gregos chamavam de “húbris”, um quê de insolência e arrogância na tese de que ela seja o resultado plenamente consciente e calculado do trabalho.
A inspiração é o nome que damos à contribuição indispensável do incalculável, do inconsciente,

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imagens e palavras

Sob o domínio da imagem
Especializado em reduzir idéias a frases curtas, o intelectual se converteu em “mais um profissional”

LUIZ COSTA LIMA
COLUNISTA DA FOLHA

Há pouco mais de uma década deu-se entre nós a reaproximação do intelectual com a imprensa cotidiana. Em um país que custou a implantar o ensino universitário, o jornal havia sido o veículo de aprendizagem dos que queriam aprender a escrever.
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