Blogs de Papel e Tinta – Entrevista com Ruy Goiaba

Foi  à época da publicação do livro Wunderblogs.com, S.Paulo, Ed. Barracuda, 2004 – 297p –

Olá, Ruy. Eu leio você desde o Blogger/Blogspot. mais ou menos, desde 2001.Você nunca deixou a peteca cair. Era uma espécie de vicio solitário?:-)Antes que surgisse a maçon…digo, os Wunderblogs, vc alguma vez já quis parar?

Ruy: Muito obrigado pelo elogio, Meg. Por não concordar inteiramente com ele é que já pensei em parar inúmeras vezes -sempre que me sinto sem inspiração, sofro com o excesso de trabalho extrablog ou “deixo a peteca cair”. Acontecia antes que eu me juntasse aos Wunderblogs e também aconteceu depois. Acabo voltando a escrever porque o Brasil é, para mim, um país inspirador -a goiabice aqui está por toda a parte.🙂

*É diferente: bom, melhor etc . escrever num ‘condomínio’ de blogs?

Ruy: Em alguns pontos, é diferente para melhor, sem dúvida. A qualidade dos textos de meus companheiros de portal exige que eu me esforce para escrever posts à altura dos deles (ou que, pelo menos, não passem muita vergonha na comparação). Esse nível de exigência é ótimo. E, em si, a companhia deles é fantástica. Foi um presente duplo -o convite para o portal e as amizades que fiz (e ainda estou fazendo) dentro dele.

* Por ser um livro de blogueiros, blogueadores, ou como dizem os lusos: bloguistas;-) há ilustrações? (como vê só perguntas cruciais;-(((]

Ruy: Nenhuma, Meg. Só texto. Mas você sabe que o forte dos nossos blogs é texto, com o perdão da imodéstia. O meu quase não tem ilustração nenhuma, a não ser os “pingüim covers” (ultimamente, algumas musas cinemusicais -Fanny Ardant, Françoise Hardy, Audrey Hepburn, Charlotte Rampling). Acho muito legal que uma editora como a Barracuda considere que nossos posts, escritos para ser efêmeros, ficam de pé a ponto de justificar um livro. Não estou muito certo disso no que tange aos meus, mas concordo quanto aos dos meus colegas.

*Diante do seu blog, às vezes, fico parada como o burro de Buridan (ou seria o “asno”?) e não sei se vou ler os posts de 2001, 2002 ou o que escreveu um ano atrás nessa mesma data. Você acha que é ruim o fato de que o que você faz tão bem, ficar esquecido, lá pra trás etc..?

Ruy: Sinceramente, Meg, acho ótimo que os posts de 2001 fiquem esquecidos. Odeio ler o que escrevi no começo do blog. Penso que só comecei a acertar o tom depois de uns seis meses de “blogagem” -só a partir de maio ou junho de 2002 escrevi alguns textos que ainda gosto de ler. Foi esse, aliás, o marco inicial da seleção que fiz para o livro.

*Como vocês fizeram para escolher os seus melhores posts se todos, em tese, são melhores? No flattery, ok? I swear!. De fato, os meus blogs favoritos são os melhores:-)
Pois bem, como foi? Quem disse pra vocês, ou vocês se disseram: Basta!
Ficaram em dúvida, se arrependeram depois de tê-los enviado (os posts)
e acharam que “ai!, porque não mandei este em lugar daquele”?

Ruy: Não, foi fácil. Eu tinha uma idéia bem clara de quais posts desejava manter no livro, quais eu achava que ainda eram interessantes. Fizemos uma seleção inicial mais longa, que teve de ser bastante cortada para que coubéssemos todos num livro de 300 páginas -e eu cortei os meus com gosto e sem dó. Sou jornalista e tenho bastante experiência como redator: massacre da serra elétrica é comigo mesmo🙂

Quanto tempo levou entre a idéia de fazer o livro até o livro ir para a gráfica, a prova final e ficar pronto para o lançamento?
– Vocês tiveram encontros (para discutir o livro, bem entendido) ou tudo foi pela Internet?

Ruy :Preciso checar as datas certas, mas acho que a idéia de fazer o livro começou a ser discutida no segundo semestre de 2003 no grupo dos Wunderblogs dentro do Yahoo!. Dali até o lançamento -que será agora, no início de julho- deve ter transcorrido um ano, talvez até um pouco menos. Conversamos muito pela internet e marcamos alguns encontros não-virtuais para tratar da obra.

*Aliás, como/quando foi que a idéia de fazer um livro dos wunder reunidos ganhou consistência e vocês viram que ia dar mesmo;-)?

Ruy: Fomos convidados pelo dono da Barracuda, Freddy Bilyk -também blogueiro, dono do “168 horas”- para fazer um livro-coletânea de posts, o que muito nos honra. Não saímos com a idéia da coletânea embaixo do braço, batendo à porta das editoras: fomos procurados. E o Freddy ainda está lançando a própria editora com o “wunderbook”, o que é uma tremenda responsabilidade para nós. Vimos que a coisa era séria ao longo das conversas com ele e com a nossa editora, Isabella Marcatti, que já trabalhou na 34. Freddy foi, salvo engano meu, diretor comercial da Editora D’Avila, na época em que ali se editavam as revistas “Bravo!” e “República”, então no auge. Espero que a Barracuda dê muito certo.

*Você acha que poderia fazer um livro de seu blog? Isto é, um livro solo, só seu?

Ruy: Só do meu? Não, nem me interessa muito. Acho legal como um capítulo do livro dos Wunderblogs, mas não penso que a “carreira solo”, no caso, se justifique. Um pedaço de goiaba já está de bom tamanho🙂

*Vocês escolheram posts engraçados, sarcásticos, mas escolheram também os sérios se é que vocês tem ‘assomos’ (hohoho) de seriedade?

Ruy: No blog, eu tenho “assomos” de seriedade muito raros, graças a Deus. E nenhum deles está na coletânea. Por outro lado, você pode considerar que todas as minhas brincadeiras são seriíssimas. 😉

* É verdade que vocês vivem todos presos, e submissos aos tacões (ueba!!!)
ao chicot…digo, à tirania, ou melhor dizendo, ao reinado da Miss Veen ,
(nao me levem a mal, mas Miss Veen…com esse nick, sendo a única menina, bonita, inteligente, num bando de enlouquecidos rapagões ops. o que estou dizendo, Good Gosh, mas não lembra coisa de Dominatrix? Veen;-)?

Ruy:Juliana gosta de bancar a “rainha má” de vez em quando, mas não é bem assim. Ela é um doce. Somos “súditos” de Miss Veen não graças ao chicote, mas pela combinação de inteligência e beleza -ambas raras, ambas em grandes quantidades. Com isso, é claro que ela acaba sendo bastante paparicada, mas agora há mais wunderwomen para chamar a atenção dos “enlouquecidos rapagões”. Sobre os “tacões”, acho que só o Marcelo pode se pronunciar a esse respeito🙂

*Reza a lenda que o Marcelo di Polli (sp? é assim?) tem 3 metros de altura e por isso ele é o boss e ai de vocês que não dancem conforme a música;ou seja que tirando ele, que é muito altão, vocês todos são rostinhos e corpinhos de uma beleza ímpar, mas querem vencer pelo próprio talento. É verdade?

Ruy: Se o critério fosse só altura, Felipe Ortiz seria um sério competidor de Marcelo de Polli. 🙂 Marcelo e Juliana merecem todos os elogios pela qualidade do portal que foram capazes de montar. Quanto a mim, que sou mesmo um rosto de beleza ímpar (afe), não tem essa de “vencer pelo próprio talento”, não. Eu quero é ser gostoso, ver as goiabetes se jogando aos meus pés e dançar mambolê com todas elas. Uepa!🙂

*Do alto da autoridade;-) que agora vocês têm, que blog “de fora” dos wunder, você acha que daria pé, digo, livro?

Ruy: Ah, há uma lista considerável. Vou citar só aqueles de que me lembro imediatamente -espero não cometer nenhuma injustiça. Eu leria livros-coletânea escritos pelo Nelson Moraes, do “Ao Mirante, Nelson!”, pelo velho e bom Inagaki, pelo Arnaldo Allemand Branco (do Mau Humor), pelo Milton Ribeiro, pelo Pedro Sette doIndivíduo e pelos lusitanos do Gato Fedorento. E tenho certeza de que esqueci vários; desculpem.

*É verdade que logo mais estaremos assistindo Wunderblogs.com , o filme? E quem vai dirigir?

Ruy: Deus livre os leitores! *rs* . Mas, se houvesse a possibilidade e eu tivesse algum poder de decisão, queria ser dirigido pelo fantasma do Walter Hugo Khouri e ter no elenco, contracenando comigo, Monique LafondAldine MüllerHelena Ramos eNicole Puzzi. Claro, eu mesmo no papel de Jece Valadão ou Pereio. Não me contento com pouco, porra🙂

*Há entre os wunder quem já tenha livros editados ou prestes a ser editado.
Vocês acham ou não acham que escrever um blog dos bons não é coisa pra amadores? Particularmente, Ruy, lembro de você colocar à nossa disposição os livros do Campos de Carvalho. Putz…isso tem que ser considerado, não é?

Ruy: Meg, acho que isso de colocar à disposição os livros do Campos de Carvalho não fui eu que fiz… *rs*. Já citei o escritor surrealista, mas não me lembro de ter posto esse tipo de link para ele. Será que fiz isso? Preciso consultar os arquivos. Quanto à “coisa para amadores”, bem, todos somos amadores, mas tentamos sê-lo profissionalmente.🙂

Os portugueses vivem fazendo livros de blogs… aqui no Brasil nunca se fez ainda – até o de vocês. O que vc acha disso?

Ruy: Em Portugal, desde o início, os blogs têm essa característica “literária”, por assim dizer, bem mais acentuada do que aqui. Lá eles são levados mais a sério, como veículos de expressão de gente como o escritor Miguel Esteves Cardoso e o eurodeputadoPacheco Pereira. O lado “querido diário”, que existe, parece bem menos presente do que no Brasil, e isso é ótimo – os portugueses parecem ter consciência de que para escrever em blog é preciso ser alfabetizado. Mas sou metade português, filho de mãe trasmontana e bem suspeito para falar disso🙂

*Ouve-se falar, agora,  que  ‘livro é livro, blog é blog’, (bem,…até é)
mas você acha que são coisas excludentes,  blog e literatura?

Ruy: Certamente não. Acho que qualquer coisa se pode fazer num blog. Literatura, filosofia -até um tratado teológico, se a pessoa tiver fôlego e interesse. Blog é só um instrumento. Aquela história de “diário virtual” é um clichê cada vez mais falso, embora ainda bastante confirmado. Reduzi-lo à dimensão do “diarinho” é, contudo, empobrecê-lo.

*Just for you’, Ruy: É verdade que você não acredita no Estado do Pará, oh homem de pouca fé?;-)))

Ruy: Eu disse isso também? Meu Deus, quanta bobagem já escrevi na internética:) Na verdade, influenciado pelo Campos de Carvalho, eu não acreditava era na existência daBulgária. Mas fui cabalmente desmentido pelos belos olhos verdes de uma amiga que me assegurou ser descendente de búlgaros. Now I’m a believer:)

*E, por fim: Há alguma coisa inteligente, cool;-) que eu não tenha perguntado e deveria?

Ruy:Não, Meg, as perguntas foram ótimas. Muito obrigado por elas.

Ruy, fico obrigadíssima. E, como já falei, encantada por sua gentileza em me deixar quase à l’aise:-) Muito sucesso para o livro e para a Editora.

 

 

Links referenciais e umas N. da E.:-):

Jules=Juliana Lemos = Miss Veen, que durante todo o tempo foi a única menina do portal:-). Agora, há a esfuziante Colorina e a inefável Astartéia.

Marcelo de Polli – El Gran Señor do Portal Wunderblogs e blogueiro
do Aquapermanens.

*Felipe Ortiz. É o outro altão dos Wunder, Ele é meu querido amigo e correspondente, em Constantinopla 😉 e escreve o belo blog Alexandrinas.

* Editora Barracuda Ltda..

*Alfred (Freddy) Bilyk, dono da Editora Barracuda e do blog 168 horas.

Isabella Marcatti. Editora da Editora .

Arnaldo Allemand Branco, escreve o blog Mau Humor.

Nelson Moraes – mantém um site e escreve vários blogs, entre eles o citado e conhecido de todos Ao Mirante, Nelson! 😉

Alexandre Inagaki mantém o blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Milton Ribeiro – escreve o blog Milton Ribeiro, homônimo, portanto:-).

*Pedro Sette Câmara Do site e do blog – O Indivíduo (que começou com Pedro Sette Câmara, Alvaro Velloso e Sergio di Biasi)* e continua embora o Pedro escreva com a maior frequência:-)
(alterado em 22/jul/04 à 1:20 h a.m – updated)

*Miguel Esteves Cardoso – Escritor. É de Portugal. No Brasil, há dois de seus livros: Minhas Aventuras na República Portuguesa (crônicas e textos coligidos por Eugénia Melo e Castro) e O Amor é fodido (romance) ambos pela Editora Francisco Alves.
Além disso, (como eu) adota o acrônimo MEC 😉 e adora Audrey Hepburn, para dizer o mínimo. Sou ‘cliente’ dele;-)

J. Pacheco Pereira, o deputado representante de Portugal na Comunidade Européia – mantém o blog Abrupto que assina como JPP

*Gato Fedorento blogue/ ‘criação coletiva’ de Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela.

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Ficou grandinho, né? Desculpem. Mas vocês vão ler tu-di-nho, não vão?;-)

*Originalmente publicado em 19 de julho de 2004

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2 respostas em “Blogs de Papel e Tinta – Entrevista com Ruy Goiaba

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