ESPECULAÇÕES

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Tempo e memória by Joan Brossa

Tempo e memória by Joan Brossa

“Não vou me preocupar em ver,

seu caso não é de ver pra crer

– tá na cara!”

(Arnaldo Passos & Monsueto Menezes, Mora na Filosofia)

Mesmo para o mais ingênuo dos espectadores, é evidente que houve, ou talvez se deva “gerundizar”, está havendo, um gigantesco “acordão” envolvendo os quatro poderes da República, Executivo, Judiciário, Legislativo e imprensa: vamos abaixar o fogo, baixar a pressão, que se o caldeirão entorna muita gente vai sair escaldada ou coisa pior; e vamos tratar de “coibir abusos” – leia-se, quebrar os braços e as pernas – de órgãos importunos como Polícia Federal (ou parte dela), Ministério Público Federal, juizados de primeira instância e, para não perder a viagem, Ministério Público do Trabalho e IBAMA.

Até agora, o “acordão” implicou a degola de alguns delegados da PF, mas isso, em arranjos de tal porte, é trocado miúdo. Especula-se que, pelo sim pelo não, um certo procurador e um certo juiz, ambos federais e de sobrenomes semelhantes, talvez devessem pôr as metafóricas barbas de molho e adotar o “silêncio obsequioso”.

Não se sabe ao certo o que foi alegadamente encontrado em um suposto esconderijo durante a busca e apreensão realizadas na residência do Sr. Daniel Dantas; pode-se apenas especular que não terá sido algo como uma coleção da revista O Cruzeiro. Tampouco se sabe exatamente o que foi conversado no encontro entre o Presidente da República, o Ministro da Justiça e o Presidente do Supremo Tribunal Federal; pode-se apenas especular que o tema central não terá sido a transferência de Ronaldinho Gaúcho para o Milan.

Especulações, especulações. Palavra que, aliás, é correlata de “espectador” e de “espetacularização”, e também de “espelho”.

A quem especular mais queira, uma sugestão. Levantar o histórico, digamos de 1994 em diante, dos dois entre os supracitados que, nos últimos dias, mais freqüentaram as manchetes dos jornais, e de alguns outros personagens que também são, ou no mesmo período foram, figuras de destaque no noticiário político. E cotejar quem fez o quê, quando e onde.

© Carlos Eduardo Martins é economista.

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