TIM MAIA – 10 anos sem o Síndico

14/03/2008 – 18h05
Morto há dez anos, Tim Maia reclamou do som até o último show
MARCELO NEGROMONTE
Editor de Entretenimento do UOL

Dadá Cardoso/ Folha Imagem

O cantor e compositor Tim Maia, em fevereiro de 1996

O cantor e compositor Tim Maia, em fevereiro de 1996


No dia 8 de março de 1998, um domingo, Tim Maia subiu pela última vez ao palco. O cantor morreu uma semana depois, no dia 15, há dez anos.

O último show do Síndico seria um espetáculo acústico gravado pelo canal pago Multishow no Teatro Municipal de Niterói, no Rio. Mas esse foi um show que não aconteceu, afinal duas músicas, sendo só uma delas com a presença do cantor, não configuram um show propriamente.

Famoso pelo não comparecimento a inúmeros espetáculos e pelos atrasos, Tim Maia demorou a aparecer também no último show de sua vida.

O evento era especial. Na platéia lotada estavam convidados, artistas, celebridades, atores, músicos e jornalistas. Era a reabertura do pequeno e charmoso Teatro Muncipal de Niterói, que havia passado por uma reforma e cheirava a tinta fresca.

Mais de uma hora depois do início programado, a banda Vitória Régia, que acompanhava o músico havia uns 20 anos, finalmente deu início ao show apenas com os backing vocals. Cadê o Síndico? Nada.

Na segunda música, “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, aplausos. Eis o carioca da Tijuca, 55 anos, imenso, terno azul claro, camisa branca, suor no rosto.

Reclamou do “ré menor” e interrompeu a música –outra característica marcante do cantor era a eterna insatisfação com os técnicos de som a quem pedia sempre o “retorno” e mandava tirar o “reverb” ou qualquer outra coisa que o incomodasse.

A música começou novamente. “Vou pedir…”, “Vou pedir…”, cantou Tim, e a platéia completava os versos que todo mundo conhece. Com sinais claros de que daquele jeito não dava mais para continuar, Tim Maia deixou o palco sob risadas do público, que imaginava se tratar de mais um episódio temperamental do cantor.

Não era possível, ele iria dar o cano num especial de TV ao qual ele havia comparecido? A banda terminou a música pouco depois da saída do cantor.

“A semana inteira fiquei te esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando”, cantou a platéia com palmas, pedido claro para que Tim retornasse. Não houve retorno –cadê o retorno?

“Tim Maia não está passando bem. Tem algum médico na platéia?”, foi o que saiu do sistema de som do teatro para perplexidade geral. Até havia um, Drauzio Varella, acompanhado de sua mulher, a atriz Regina Braga.

A partir daí, foi o caos. Vários minutos depois, chegou a ambulância do Corpo de Bombeiros, que entrou no átrio do teatro, ocupado agora pelos convidados que haviam saído da sala de espetáculo.

Amparado dos dois lados e com máscara de oxigênio, o hipertenso Tim Maia subiu na ambulância com pés trêmulos. Fotógrafos, cinegrafistas e curiosos dificultavam o trabalho de resgate do rei do soul brasileiro.

Às 23h, o cantor foi encaminhado ao hospital Antônio Pedro, em Niterói, que parecia mais uma delegacia, com grades na entrada a impedir a entrada de quem fosse. Aflita, só se via a secretária particular do cantor, Adriana Silva, ao celular.

 

Uma semana depois, Sebastião Rodrigues Maia morria no mesmo hospital de infecção generalizada em conseqüência de um edema pulmonar, seguido de parada respiratória.

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