WELCOME, Mr. Zimmermann

06/03/2008 – 08h08
Bob Dylan inicia turnê brasileira com apresentação para 2.500 pessoas em SP

MARCUS MARÇAL
Da Redação

Marcos Hermes/Divulgação

Bob Dylan durante apresentação no Via Funchal, SP (05/03/2008)

Bob Dylan durante apresentação no Via Funchal, SP (05/03/2008)

O cantor norte-americano Bob Dylan realizou nesta quarta-feira (6) a primeira etapa da “Never Ending Tour”, com apresentação para 2.500 pessoas no Via Funchal, em São Paulo. A excursão promove no Brasil seu mais recente álbum de inéditas, “Modern Times” (2006), terceira etapa da trilogia iniciada com “Time Out of Mind” (1997) e “Love & Theft” (2001).

Pouco depois das 22h, cantor e seu quinteto iniciaram o show com “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, canção do álbum “Blonde on Blonde” (1966), seguida de mais três temas sessentistas de Dylan: “It Ain’t Me, Babe”, “I’ll Be Your Baby Tonight” e “Masters of War”, respectivamente faixas de “Another Side of Bob Dylan” (1964), “John Wesley Harding” (1967) e “The Freewheelin’ Bob Dylan” (1963).

Como na maior parte dos números mais antigos, o andamento foi acelerado e a voz rascante de Dylan confere aos temas a atualidade de seu trabalho corrente. Tradicionalmente, o cantor somente é fiel às versões eternizadas nos discos vigentes, assim evita a mera reprodução ao vivo de seus próprios temas gravados. E, em se tratando de uma figura de sua estatura no panorama da música popular a partir do século 20, o artista obtém resultados distintamente complementares em estúdio e palco.

Detentor de uma discografia de 44 álbuns autorais, há décadas seus shows notoriamente não são matéria para saudosistas. E a postura de Dylan de sempre recriar suas músicas antigas de acordo com seu temperamento, modo operante mais recorrente a partir da excursão do álbum “Oh Mercy” (1989), torna cada uma de suas apresentações experiências únicas. Razão maior de sua devota audiência segui-lo em “peregrinação”, objeto de estudo parcialmente abordado no documentário “How Many Roads” (2006), de Jos de Putten.

Acompanhar um show de Bob Dylan é como montar quebra-cabeças, reflexo de sua própria postura de sempre manter-se incógnito, seja evitando fotos em close, entrevistas ou mesmo sendo implacável com as versões de seus clássicos eternizados em disco, adulterando-os sem dó, a fim de ressaltar a vivacidade de sua música. Aos que sabem devidamente apreciar sua postura, a recompensa é inestimável.

E parte da audiência brasileira tomou ciência disso já nas primeiras apresentações no Brasil em 1990, pois se Dylan na época ainda se dava ao luxo de distinguir as facetas elétricas e acústicas de seu trabalho, hoje o cantor parece cada vez mais se entranhado como parte fundamental da própria genealogia musical norte-americana desde os primórdios do século 20, a mesma que tanto reverencia desde a mais tenra idade. Inclusive, o mote principal de “Modern Times” é um retorno ao Velho Mundo para então se poder entender melhor os dias de hoje.

No palco, todos os músicos vestiam preto e Dylan apenas se diferenciava por um paletó prateado, semelhante ao da capa de “Love & Theft”. Tocou guitarra apenas até a quarta música e, dali em diante, passou o restante do show nos teclados. Na seqüência, privilegiou material recente como “The Leeve’s Gonna Break”, “Spirit on the Water”, “Things Have Changed”, “When the Deal Goes Down” e “High Water (for Charley Patton)”.

No decorrer do show, aumentou a alternância entre material clássico e músicas novas, sem distinção ou tampouco solavancos para a dinâmica do espetáculo. “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again”, “Workingman’s Blues Nº2”, “Highway 61 Revisited”, “Nettie Moore” e “Summer Days” anteciparam o momento mais populista desta apresentação: a bela perversão de “Like a Rolling Stone”, o que levou parte da platéia ao fundo a ocupar os espaços entre as mesas mais à frente.

Uma jovem chegou a invadir no palco, mas diante da impassibilidade de um atento Dylan, apenas se deixou ser contida pela segurança da casa. Pouco depois, o artista se retirou na companhia de sua banda e, após uma rápida pausa, voltou para tocar “Thunder on the Mountain”, uma das músicas mais características de seu repertório atual.

Antes de encerrar o show de pouco menos de duas horas, Bob Dylan falou ao público pela primeira vez e agradeceu o acolhimento da platéia, a quem chamou de “amigos”. Em seguida, fechou o espetáculo com uma dinâmica versão de “All Along the Watchtower”, forte e contida nas devidas medidas.

E contrariando as expectativas em relação a sua persona pública, o cantor ainda se postou em frente ao palco com sua banda, apenas seu baterista ficou mais ao fundo, e fez poses para a audiência ao mesmo tempo em que se despedia. O público gritou seu nome, mas logo os roadies começaram a retirar os equipamentos de palco.

Bob Dylan ainda se apresenta na capital paulista na quinta-feira (6) e segue para o Rio de Janeiro, onde toca no sábado (8). A turnê latino-americana teve início no México (26/02) e, depois da passagem pelo Brasil, segue para Chile (11), Argentina (13, 15 e 18) e Uruguai (20). E no que diz respeito às demais datas, a única certeza é a de um repertório imprevisível, digno de um dos mais influentes artistas de nossa época.



BOB DYLAN EM SÃO PAULO
Quando: 6 de março, às 22h
Onde: Via Funchal – r. Funchal, 65, Vila Olímpia
Quanto: de R$ 400 a R$ 900
Informações: 0/xx/11/3044-2727

BOB DYLAN NO RIO DE JANEIRO
Quando: 8 de março, às 21h
Onde: Rioarena – av. Embaixador Abelardo Bueno, s/nº, Barra da Tijuca
Quanto: de R$ 150 a R$ 360
Informações: 0/xx/21/3326-7243
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