Gilberto Freyre (1900-1987) – Museu da Língua Portuguesa


Museu da Língua Portuguesa homenageia Gilberto Freyre; montada como uma casa, mostra é visita à obra do autor de “Casa-Grande & Senzala’

Divulgação
Freyre, a mulher, Magdalena, e a filha Sonia Maria, num passeio de gôndola em Veneza, em 1960

EDUARDO SIMÕES
DA REPORTAGEM LOCAL

O Museu da Língua Portuguesa abre hoje, para convidados, e amanhã para o público, sua terceira exposição temporária. Depois de homenagear Guimarães Rosa e Clarice Lispector, o museu abriga, até o dia 4 de maio de 2008, “Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil”, seu tributo ao sociólogo e antropólogo brasileiro Gilberto Freyre, morto há 20 anos.
Freyre é autor, entre outros, de “Casa-Grande & Senzala” (1933), que já está em sua 48ª edição. A obra tornou-se um marco na historiografia brasileira, opondo-se ao mero registro cronológico de feitos grandiosos, para se debruçar sobre hábitos nacionais até então vistos como insignificantes, do ponto de vista da interpretação do país, e ainda sua história oral, manuscritos de arquivos públicos e privados etc.
A mostra é uma visita metafórica à “casa”, à obra de Freyre. Ela reúne, pela primeira vez em conjunto, 27 pinturas, entre aquarelas e telas a óleo, feitas por Freyre, que retratam temas que lhe eram caros, como a religiosidade, a família e os sobrados. Assinadas apenas com “Gil”, as obras não são datadas, mas, segundo a curadora Julia Peregrino, foram feitas durante as décadas de 1940 e 1950.
Peregrino -que já havia feito a curadoria da mostra de Clarice Lispector- divide o trabalho agora com Pedro Vásquez, o cenógrafo André Cortez e a professora Elide Rugai Bastos, da Universidade de Campinas.
“Há recantos que lembram os engenhos, os sobrados, as raízes da obra de Freyre. A idéia é que o espectador viaje na cenografia, conhecendo sua obra ao abrir gavetas, armários etc.”, adianta Peregrino.

A visita
Todo o material em exibição pertence à Fundação Gilberto Freyre ou foi garimpado das coleções particulares da família do escritor. Logo à entrada da exposição, um conjunto de paredes divididas ao meio traz frases do autor em vitrines e nichos com seus quadros.
A casa de Freyre no museu abriga ainda cinco criados-mudos com registros de recepções a que ele compareceu na década de 50, em Portugal. Duas malas com seus passaportes. E uma grande mesa, dividida em duas. Numa parte estão livros de receitas dos engenhos, material de pesquisa que usou para os livros “Açúcar” e “Casa-Grande & Senzala”. Noutra, 26 correspondências trocadas com, entre outros, o pintor Portinari, o compositor Heitor Villa-Lobos, o educador Anísio Teixeira e o sociólogo Florestan Fernandes.
Dois destaques da mostra são a exibição de documentos originais e a reprodução, em áudio, de trechos dos questionários que Gilberto Freyre fez com brasileiros de ambos os sexos, de diferentes classes sociais, nascidos entre 1850 e 1900, para a escrever outro de seus clássicos, “Ordem & Progresso”, de 1959. Os fones estão espalhados em 27 maquetes de sobrados, que novamente remetem à obra do sociólogo

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4 respostas em “Gilberto Freyre (1900-1987) – Museu da Língua Portuguesa

  1. O Comentário serão informações de uma vista in situ a Casa museu Magdalena e Gilberto Freyre para convidar a quem ainda não conhece a fazê-lo pessoalmente; além de parabenizar a iniciativa do Museu da língua portuguesa

    Gilberto Freire casou com 41 anos e sua esposa Magdalena, oriunda do Rio de Janeiro tinha na época 20 anos e formada em Educação Física. Conta-se que Gilberto fez uma promessa para Santo Antônio para casar com Magdalena e, entre conhecimento, noivado e casamento foi um período de aproximadamente 3 meses. O casal teve dois filhos, o Fernando Freyre e a Sônia Maria Freyre.
    Na sala de estar da casa museu se encontra vários quadros retratando os avôs, paterno e materno do Gilberto, tios e tias, seu pai, Alfredo Freyre e José Lins do Rego, um dos melhores amigos de Gilberto.
    Também existem sobre uma mesa central as obras Casa Grande e Senzala, cuja primeira edição é de 1933 e o Nordeste, lançado em 1937, a obra preferida do Gilberto. Em 1981 saiu a primeira edição da obra Casa Grande e Senzala em quadrinho e, depois em 2000, foi re-editada de forma colorida, para motivar a leitura por um público infantil. Nesta mesa também estão dispostos um exemplar da obra Os Lusíadas, de Camões, uma edição especial, que foi editada em número reduzido (150 exemplares e distribuídos pelo mundo para pessoas que se destacavam). No Brasil existem dois exemplares, um presenteado, ao então presidente da república, Getúlio Vargas e outro a Gilberto Freyre. Além dos livros existe uma charuteira em prata.
    Neste ambiente existem muitos livros, como quase em todos os cômodos da casa e uma coleção de bengalas utilizadas pelo Gilberto para caminhar no sítio, cujas árvores frutíferas, foram em grande parte plantadas pelo mesmo.
    Passando-se a um segundo cômodo da casa denominado Sala Lula Cardoso Ayres, um famoso pintor pernambucano e amigo de Gilberto Freyre, inclusive com a esposa do Gilberto sendo madrinha de um filho do casal Ayres e vice-versa, o casal Ayres como compadres do Gilberto e da Madalena, tendo batizado a Sônia. Fala-se que o Lula solicitava muito a opinião de Gilberto para a pintura dos seus quadros. Nesta sala está os livros mais antigos da casa, uma coleção que pertenceu ao pai de Gilberto e foi doado para o mesmo. Além dos quadros pintados por Lula Cardoso Ayres. Está também disposto um leão do time esporte, pois o autor era rubro-negro e esta foi uma homenagem do clube, em vida do Gilberto, enquanto torcedor do time.
    A casa de Gilberto Freire tornou-se Museu quando ela ainda estava vivo, em março de 1987, passando a família Freyre a residir num anexo. Logo depois Gilberto veio a falecer, em julho , no dia do aniversário de sua esposa (18/07/1987),mas foi sua vontade transformar sua residência em museu.
    Na sala de Jantar são preservados os móveis de jacarandá do séc. XIX e um móvel alemão, tipo aparador, feita pelo alemão Spiller que utilizava em suas esculturas na madeira motivos de frutas e flores tropicais. Na época sobre o aparador eram colocada as bebidas e licores servidos as visitas e principalmente, o conhaque de pitanga, uma receita especial, elaborada por Gilberto Freyre, e mantida em segredo, mas foi repassada para o filho, Fernando Freire, que veio a falecer de forma repentina e, esta receita, perdeu-se no tempo. Nesta sala encontram-se 8 painéis em azulejos portugueses da Igreja de nossa Senhora da Anunciação, de Portela de Sacáven, Portugal, encontrados por Gilberto num antiquário e na época o mesmo fez uma solicitação para trazê-lo ao Brasil. Há mais um desses painel na parte externa da casa.
    No final da Sala há um terraço, tipo solário, que é a parte mais ventilada e clara da casa e onde Gilberto costumava receber seus visitantes e fazia suas pinturas e desenhos. Há uma mesa com banquinhos todos em azulejo que foram presenteados pela família real a Gilberto. Cada azulejo representa uma antiga província do Brasil. Sobre esta mesa encontram-se dois cinzeiros de cerâmica, presentes do Brennand para Gilberto e também até hoje numa área externa, tipo jardim, sobrevive o jaboti chamado Chiquito, também um presente de Brennand para a família e recebeu o nome de Chiquito em homenagem ao seu presenteador: Francisco Brennand. Este jaboti tem mais de 60 anos. Imagens de São Francisco e Santo Antônio, também estão presentes neste recinto.
    Depois se adentra a cozinha onde Gilberto e Magdalena costumavam de cozinhar. Aí ainda são mantidos utensílios por eles utilizados, além de livros de receitas de Magdalena, onde existem receitas manuscritas e outras de recortes. É neste local que está à mostra o livro açúcar de Gilberto Freyre, que foi um dos primeiros escritores a associar culinária com cultura. Afinal para Gilberto a feijoada brasileira foi nascida nas senzalas. Há também dispostos quadros de Brenam e ao fundo um banner de um engenho antigo da região.
    Há depois uma sala denominada Gilberto Freyre, onde estão as comendas recebidas pelo autor de Casa Grande e Senzala, como a Order of the British empire, Sir – “Cavaleiro Comandante do Império Britânico “ concebida pela Rainha Elizabeth II,em 1971, além de várias outras comendas. Gilberto deve ter sido um dos brasileiros mais condecorados de todos os tempos. Uma também uma das mais importantes condecorações italiana (Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969 ), prêmio de literatura. Gilberto publicou aproximadamente 76 obras em vida, podendo-se afirmar que conseguiu viver da Literatura. Há neste recinto um importante quadro original do pintor Cícero dias, a Família de Luto. Foi este pintor e desenhista quem ilustrou a obra Casa Grande e Senzala. Está ocorrendo, atualmente no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo uma exposição: Gilberto Freyre, interprete do Brasil, cujo catálogo se encontrava sobre a mesa. Nesta sala estão todas as obras de Gilberto e as várias edições de sua mais importante obra: Casa Grande e Senzala, traduzida para mais de 15 idiomas.
    Na biblioteca, onde de fato se encontra a maior parte dos livros e uma poltrona onde o Gilberto costumava escrever. Lá existe um boneco sentado simbolizando o Gilberto e a sua forma de escrever, sempre utilizando lápis e com uma perna sobre a poltrona. Junto há um porta-retrato com uma fotografia mostrando esse hábito do escritor. Há também uma vitrina onde estão contidas várias placas comemorativas recebida pelo autor durante a passagem dos seus 80 anos, que foi bastante festejado.
    O pai de Gilberto Freyre foi juiz e educador e ajudou na formação de seu filho, chegando a trazer professor de fora do país para alfabetizar o Gilberto, que primeiro chegou a ser alfabetizado em Inglês, e depois em português, pois na época teve dificuldade para aprender e ser alfabetizado em português, chegando a trazer preocupação para a família, pois já quase 8 anos de idade e ainda não conseguia ler e escrever.
    Depois subindo para o cômodo superior da casa onde se encontram o quarto do casal (Gilberto e Magdalena) e dos dois filhos, Sônia e Fernando. No quarto de casal é interessante observar à cama disposta de uma forma bem central no quarto, disposição essa atribuída à superstição do Gilberto, de que a cama não poderia estar posicionada de frente para as portas. De um lado há o guarda roupa e pertences que foram do Gilberto e do outro de Magdalena, principalmente destacando suas linhas de bordado, pois, toda a tapeçaria e almofadas da casa foram tecidas por ela, em ponto de cruz. Há também três grandes espelhos de cristal, com molduras banhada a ouro. Existe uma gueixa de porcelana, com cabelo verdadeiro de japonesa que foi presenteado ao casal no noivado. Aí também se encontram últimas fotografias tiradas do autor com sua família.
    No quarto de Sônia aparecem várias pastas com manuscritos de Gilberto e, ela própria, chegou a escrever um livro: Vidas vivas e revividas, onde conta sua história de criança convivendo nesta casa com seus pais. No quarto de Fernando os móveis também foram feitos pelo escultor alemão Spiller e existem coleções de barro (cerâmica) provindas de caruaru e do artista Zé do Carmo, ceramista e pintor pernambucano, considerado patrimônio vivo.
    De fato uma visita ao Museu e Casa Magdalena e Gilberto Freire é uma viagem no tempo. Há ainda ao redor da residência todo um sítio ecológico com as trilhas, como a da pitanga, um convite a viver a natureza e a tradição do povo pernambucano.

  2. Pingback: Casa Museu Madalena e Gilberto Freire - um Convite especial « Textos especiais v2.3

  3. O nome dele é Gilberto Freyre… com “Y”.

    =-=-=-
    Renata, muito obrigada pela correção.
    Leitores atentos nos livram desses deslizes.
    Um abraço
    M.

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