“Não somos nós os fascistas”, diz Wagner Moura

04/10/2007 – 14h31

“Não somos nós os fascistas”, diz Wagner Moura

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RICARDO CALIL
Editor de UOL Cinema

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Rogério Resende/Divulgação

Wagner Moura, que interpreta o capitão Nascimento no filme

Wagner Moura, que interpreta o capitão Nascimento no filme

Wagner Moura confessa estar exausto. O ator baiano emendou o final da novela “Paraíso Tropical” com a campanha de divulgação de “Tropa de Elite”, filme de José Padilha que estréia nesta sexta-feira. Conhecido pela intensidade com que abraça todos seus papéis, ele agora está visivelmente sem energia.Mas não é apenas a maratona física que tem exaurido Moura. Em entrevista ao UOL no Rio de Janeiro, ele se diz cansado também das acusações em série contra o “Tropa”, em especial a de que teria participado de um filme fascista. “O Diogo Mainardi falou em um podcast da ‘Veja’ (ouça aqui) que o cinema brasileiro não deveria existir, que não viu o filme, mas sabe que sou péssimo ator só pelo cartaz, que deveriam raspar minhas sobrancelhas. Ele é o herói de muita gente. E nós é que somos fascistas? É brincadeira.”

Em relação ao heroísmo que algumas pessoas enxergaram no capitão Nascimento, o truculento e incorruptível policial que ele interpreta em “Tropa”, Moura diz: “Para mim, o filme é uma tragédia, e o Nascimento está longe de ser um herói. Algumas pessoas podem até vê-lo dessa forma, mas não sou responsável pela opinião deles.”

UOL – Há notícias de que um boneco do Bope estaria sendo vendido por camelôs no Rio, como reflexo do sucesso da versão pirata de “Tropa de Elite”. Vários blogs exaltam o pensamento do capitão Nascimento. Como você vê essa glorificação dos personagens do filme?

Wagner Moura – Nós não fizemos um filme de heróis. Para mim, “Tropa” é uma tragédia. O capitão Nascimento é um homem dividido, cheio de conflitos. Mas tem muita gente que acha que a tolerância zero é a solução para o problema da violência e enxerga no personagem um representante dessa idéia. Essa não é a minha visão, mas pode ser a de alguém que assiste ao filme. Só que eu não sou responsável pela opinião desse cara. Nós apenas tentamos mostrar a realidade da violência pelo olhar do policial. Conheci oficiais do Bope que são íntegros e acham que a solução para a violência é subir o morro e matar os vagabundos. É um ponto de vista de alguém que enfrenta aquela guerra. Eu não concordo. Mas nem por isso acho que essas pessoas não devam ser ouvidas. A mentalidade delas é um produto da situação em que vivem diariamente. No caso do documentário “Ônibus 174”, eu também não concordo com o sequestrador, acho que o Sandro tinha que ser preso. Mas o filme queria mostrar como aquele garoto tinha sido transformado pela realidade. O “Tropa” faz o mesmo com a figura do policial.

UOL – A experiência de fazer o “Tropa” mudou sua opinião sobre a polícia?

W.M. – Hoje eu acho que o Bope é necessário. Não é a solução para o problema. Sou contra métodos como a tortura. Mas é preciso ter uma polícia com condição de enfrentar bandidos com armas poderosas.

UOL – O personagem do capitão Nascimento defende a idéia de que o consumidor da droga seja diretamente responsável pelo crime, por financiar o tráfico. Você concorda?

W.M. – Não, acho injusto jogar toda a responsabilidade no consumidor. As pessoas batem no elo mais fraco dessa tragédia. Mas é inegável que o consumo alimenta o tráfico. Sou a favor da descriminalização das drogas. Não sei como fazer isso, para onde vai a mão-de-obra do tráfico. Mas sei que não está funcionando do jeito que está. Acho que uma campanha de conscientização seria bem-vinda, embora não suficiente. Não acho eficiente apenas reprimir, porque o consumo de drogas sempre vai existir.

UOL – Você tem dado opiniões menos severas que o resto da equipe contra a pirataria. Qual é sua visão sobre o problema?

W.M. – Todos nós do filme concordamos que a pirataria é um problema terrível. A acusação de jogada de marketing foi muito dolorosa para o Zé (Padilha) e para toda a equipe. Mas não dá também apenas para tentar impedir a pirataria, não dá para retroceder nessa questão do acesso às novas tecnologias. Então as gravadoras de disco, as distribuidoras de cinema têm que encontrar fórmulas para se adaptar a essa realidade, a fazer dinheiro dentro desse modelo. Eu tenho amigos que não compram mais disco, que baixam filmes pela internet. Eu nem sei fazer isso, porque sou um dinossauro tecnológico. Ainda gosto de comprar o CD, ver a capa, as letras.

UOL – Você diz que a acusação de jogada de marketing foi dolorosa para a equipe. E a de fascismo, que é muito mais pesada?

W.M. – Essa acusação foi triste. Eu me sinto atingido pessoalmente. Não sou fascista, o Zé não é fascista, o filme não é fascista. O Diogo Mainardi escreve na “Veja” que o Brasil não precisa de cinema, que o governo não deveria dar dinheiro para os filmes, que só viu o cartaz de “Tropa de Elite”, mas já deu para perceber que sou um péssimo ator, que deveriam raspar minhas sobrancelhas. Tem muita gente que o vê como um herói. E nós é que somos os fascistas?

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