Lula e a crise dos aeroportos

ELIANE CANTANHÊDE

Lula na TV BRASÍLIA – O governo tinha de agir e agiu. Com nove meses de atraso e de uma inacreditável seqüência de erros, mas agiu. A tendência da crise dos aeroportos é ir acabando, acabando e acabar, até virar caso de Justiça -com o inquérito contra os controladores.
Primeiro, Lula deu uma de bonzinho na forma (passando a mão na cabeça de sargentos insubordinados) e foi negligente no conteúdo (sem negociar nada, apesar de haver reivindicações justas).
Agora, depois de ter transformado uma insubordinação restrita num movimento de grandes proporções, a tentativa é fazer o contrário: endurecer na forma (prendendo e afastando os líderes) e depois ceder no conteúdo (criando um plano de carreira para a categoria). No fundo, punindo os líderes e premiando os que ficarem.
A grande guinada estratégica é que o governo entrou na crise, nove meses atrás, anunciando negociação, paciência e desmilitarização do setor, conforme exigiam os líderes do movimento. Chega ao final fazendo o oposto: sem negociar, baixando o pau e aprofundando a militarização no tráfego aéreo.
Para Lula, o que interessava era resolver a situação, não importa como. Ele -e ninguém- não suportava mais ver aquela classe média todo dia se amontoando pelos aeroportos, cansada e irada. Resolvido o problema, ele deve tirar uma casquinha, fazendo um pronunciamento em rádio e TV à nação.
E o ministro da Defesa, Waldir Pires? Ele entrou na crise atribuindo toda a culpa da queda do Boeing aos pilotos americanos, seguiu sendo “bonzinho” com os controladores, chegou a defender publicamente a desmilitarização do setor e… acabou soltando uma nota na linha do “esqueçam o que eu disse”.
A Aeronáutica debelou a crise, o ministro da Defesa evaporou e Lula vai capitalizar o sucesso. Quando há crise, a culpa é dos outros. Quando dá certo, o mérito é do Lula.

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