BENEDITO NUNES :-Entrevista para o Jornal “O Liberal” (Belém)

Entrevista
Benedito Nunes discorre sobre a dor e a delícia de viver em uma cidade que mudou tanto. Um lugar que tem todo o direito de se modernizar, mas não de perder as raízes e a própria beleza.

IRAN DE SOUZA
Editor Executivo

Se procurar pelo nome, você não vai mais localizar a travessa da Estrela no bairro do Marco, embora, de certa forma, ali esteja um dos pontos mais luminosos da cidade. Também não anda fácil de encontrar a Belém que o maior intelectual paraense vivo emoldurou no coração, apesar de ela ser um lugar inesquecível para ele e para a História.

Isto porque o tempo passou e a capital do Pará, enfim, nem tinha mais como ser a mesma de 10, 30 ou de 77, quase 78 anos atrás, quando Benedito José Viana da Costa Nunes nasceu. Filósofo, ensaísta e crítico literário referencial na cultura brasileira, ele contempla a cidade com um misto de amor e severas restrições. E no cruzamento de dados historiográficos e afetivos conclui: o problema não é que Belém tenha mudado tanto, mas que tenha mudado para pior. ‘É tão ou mais complicado viver aqui do que em São Paulo, que é maior em tudo’, lamenta.

Ainda assim, na Estrela que agora é Mariz e Barros, e na Belém que já não é a aprazível cidade de outrora, Benedito vive entre plantas e livros, depois da infância e juventude em Nazaré, depois de temporadas alternadas entre a Europa e os Estados Unidos, onde consolidou sua trajetória como intelectual, estudando, lecionando, escrevendo (confira seus livros abaixo) e fazendo amigos. Constituir amizades, aliás, deve ser fácil para este homem simples e acessível que cultiva hábitos como caminhar pela manhã com a esposa Maria Sylvia Nunes no Bosque Rodrigues Alves, a poucas quadras de sua casa; fácil também porque Benedito não exala a soberba do conhecimento – aglutina e agrega, ao invés de espantar seus interlocutores – e também por isso é sábio, o nosso sábio da Estrela.

O que se vê e se sente ao conversar com Benedito Nunes, ainda mais no aconchego de sua invejável biblioteca, é que, mesmo morando na cidade, ele anda acometido de uma saudade louca de Belém. Sintoma claro dessa nostalgia é seu último livro, ‘Crônica de Duas Cidades – Belém e Manaus’ (Secult, 2006), escrito meio a meio com o romancista amazonense Milton Hatoum, e em cujas páginas confessa que redigi-lo foi pagar uma dívida com sua própria terra.

Entre débitos e créditos, porém, Benedito está no lucro, tantas são as suas contribuições naquilo que um dia já se definiu como Humanidades. Quem está no vermelho com ele – e com os quase dois milhões de habitantes de sua região metropolitana – é um certo lugar cujo nome próprio, por extenso, foi registrado em cartório como Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Um lugar em que cidadãos, empreendedores e governantes, por amor próprio, por respeito ao passado, por responsabilidade com o futuro, deveriam ouvi-lo mais, tomá-lo mais em conta, referenciá-lo como voz, fecunda e idônea, que tanto tem a dizer. Afinal, a crítica de Benedito ao que está sendo feito da cidade é dura, implacável, mas sempre construtiva em seus conceitos e indicações, como você pode ler na entrevista a seguir.

Esta entrevista é um convite a um passeio pela memória de Belém e de Benedito Nunes. O senhor o aceita?

Aceito, sim. Gosto de falar de Belém justamente porque revivo uma cidade que conheci e que não existe mais, embora saiba, é claro, que as instituições mudam, que as cidades se transformam, se modificam.

Belém se transformou a tal ponto de Benedito Nunes já não poder emoldurá-la no próprio coração?

Acho que a modificação de Belém foi um rebaixamento da cidade. Ela cresceu sem planejamento e continua crescendo desordenadamente, com edifícios em toda parte, por exemplo. Vejo, enfim, um desprezo muito grande pela cidade. A cidade, em si, ela desaparece. O que subsiste são certas coisas que não podem deixar de ser mencionadas: o que Antonio Lemos fez, em parte, e o que Paulo Chaves recentemente fez.

Há muito eu não passo ali pelo lado da rua João Alfredo. E pensar que lá era o centro da cidade, que todo o movimento comercial da cidade se concentrava lá… Depois foi mudando. Hoje já temos os shoppings, deslocou-se o eixo, o centro. Belém não tem mais centro. Logo esta que era uma cidade extremamente cêntrica, inclusive porque sempre conjugou os elementos do interior, ou seja, atraía gente do interior, gente que vinha para cá. Até intelectualmente Belém era uma cidade que centralizava. Hoje não tem mais essa função cêntrica, que foi perdida. É claro que há coisas novas, elementos novos. Intelectualmente, por exemplo, vejo como hoje é relevante a Universidade Federal do Pará, onde eu lecionei. E aí já estão, além dela, muitas outras universidades. Sob esse ponto de vista, então, há alterações positivas, significativas e até muito fecundas. Por outro lado, existe em Belém a impiedade do desleixo, a falta de uma visão de conjunto. Vejo que, do ponto de vista urbano, não se faz em Belém, com as raras exceções que citei, obras com visão de conjunto da cidade. Executam-se sempre coisas localizadas – e local é prédio, local é uma vala… Quem se preocupou em fazer obras para a cidade, levando em conta o seu conjunto, recentemente, foi o [arquiteto e ex-secretário estadual de Cultura] Paulo Chaves. É um mérito que devemos reconhecer.

Entáo, pelo olhar de Benedito Nunes, qual a atmosfera de Belém do Pará hoje?

A atmosfera é aquilo que confere uma personalidade à cidade. Todas as cidades grandes e mercantes no desenvolvimento europeu e norte-americano – particularmente no europeu isso é mais significativo -, todas as cidades têm uma personalidade, uma característica indivisa. Isso se vê em Paris, isso vê em cidades da Inglaterra – cidades que não perderam o seu centro. É muito curioso isso. Essas cidades conservam suas partes antigas. A parte antiga se torna um núcleo ou então uma parte reservada da cidade. Nunca se estraga ou se derruba como se faz aqui. Aqui se derruba tudo para construir o novo, que em geral é muito feio e sem gosto. É isso que vemos em Belém: uma mistura arquitetônica tremenda, sem configuração estilística. Já houve, mas hoje não há mais. ‘Grande Hotel’ e Theatro da Paz se conjugavam, havia um estilo, uma personalidade.

Se Belém perdeu o centro, por outro lado ganhou uma periferia que só cresce. Para onde vai assim?

Espero que não vá para o brejo [risos]. Essa anarquia urbana é terrível, seríssima. É incrível que viver em Belém seja hoje tão difícil como viver em São Paulo. Economicamente, produtivamente, populacionalmente, Belém é uma cidade pequena se comparada a São Paulo, mas a nossa vida aqui é tão complicada quanto lá – ou mais. Precisamos usar melhor os recursos públicos, as riquezas que geramos. Se há alguma distribuição disso, essa distribuição está alcançando pouca gente.

Uma curiosidade: o senhor teve muitas oportunidades para viver longe de Belém, mas sempre voltou para cá. Por quê?

Aqui é o meu canto. Eu sou um pouco animal sob esse ponto de vista, gosto da minha toca, da minha concha. E Belém é minha concha existencial, sempre foi. Tem também outro fato: vivo muito acompanhado de livros. Formei minha biblioteca aos poucos, por circunstâncias até certo ponto estranhas à minha vontade. Então, com tantos livros, como é que eu poderia me mudar? Era impensável. Ainda é. Minha biblioteca ocupa cinco salas da minha casa.

São quantos livros?

Nunca contei, mas devem ser mais de cinco mil. Então formei essa biblioteca e ela também é parte importante da minha vida. Veja bem: na época em que comecei a lecionar, havia uma grande falta de bibliografia à mão. Livros estrangeiros, quase nenhum. Em filosofia não se conseguia traduções; elas foram aparecendo aos poucos. Hoje isso mudou muito: há um grande número de traduções, algumas muito boas, mesmo em filosofia. Então esse domínio aumentou consideravelmente. Sob esse aspecto, a mudança [em Belém] foi muito fecunda, muito positiva.

O senhor vai completar 78 anos em dia 21 de novembro. Quantos deles passou fora da cidade?

Passei vários períodos fora. O primeiro foi por volta de 1960, em Austin, no Texas. Foi a primeira vez que eu passei uma temporada longa fora. Depois estive nos Estados Unidos outras vezes. A última foi em Berkeley, na Califórnia, há três ou quatro atrás. Na França, de tempos em tempos, estive muitas vezes. Na época do regime militar fiquei três anos lá. Depois, já na década de 1980, voltei. Em cada lugar, em cada universidade, foi um ano, um ano e meio, em média. Somando tudo, devo ter passado uns dez anos fora daqui, não mais do que isso.

Belém despertou e desperta sentimentos contraditórios. Como o senhor mesmo diz em sua crônica, houve viajantes que aqui passaram, como La Condamine, que tiveram uma visão idílica da metrópole colonial; outros, como Henry Walter Bates, disseram que ela era sombria, um coração nas trevas. O senhor se inclina mais para que visão?

Para mim, apesar de tudo, vale mais a primeira, a mais recuada. É uma cidade que já não existe, eu sei, mas para mim subsistiu, digamos, até os anos 1950 – uma Belém de ruas largas, arejadas, passeáveis; podia-se andar por elas, enquanto hoje já não se pode mais; enfim, uma Belém livre do trânsito intenso e desorganizado, com essa profusão que vemos de automóveis e de veículos de toda sorte. Então é essa Belém que subsiste, para mim, nas entrelinhas de uma escrita citadina tumultuosa e desorganizada.

Ao longo do anos, Belém negou ostensivamente a sua vocação fluvial e deu as costas para o rio. O que temos são janelas aqui e ali. Como o senhor considera que deveria ser a cidade nesse sentido?

Essa vocação fluvial foi perdida. Acho muito difícil recuperá-la. Tanta coisa já se construiu. Já há uma fachada desordenada na cidade que é difícil remover. É difícil, veja bem, mas não impossível. E alternativas para aprofundar essa vocação fluvial não faltam: existem grandes porções de verde, existem ilhas fronteiras à cidade que podem ser perfeitamente conquistadas sob esse ponto de vista. Enfim, nossa orla combina-se a um manancial ‘selvático’, floresta e rio, que pode ser amplamente recuperado. Mais do que ‘cidade das mangueiras’, esta é uma cidade de muitas árvores, as mangueiras predominantemente. E isso, vale lembrar, foi uma coisa muito sábia da parte do Antonio Lemos: plantar mangueiras, que são frondosas, que dão bastante sombra. Se não fossem as mangueiras, nós torrávamos aqui.

Como o senhor avalia a expressão cultural de Belém cem anos depois do tempo de glória da borracha?

A expressão cultural de Belém é indigente. Salvo um ou outro caso, é indigente. Na publicação de livros, em certos periódicos, há honrosas exceções. Mas no geral Belém perdeu muito culturalmente. Felizmente, houve casos de recuperação: se refez o Festival de Ópera, se deu uma certa vitalidade ao teatro, isso é muito considerável. Mas de modo geral, a meu ver, essa vitalidade diminuiu bastante. Quanto às riquezas produzidas hoje, seria bom que elas fossem distribuídas, que houvesse repercussão delas na economia local. Mas a distribuição de riquezas nunca é feita em benefício da maioria, essa é que é a verdade.

Então esta é mesmo a ‘terra do já teve’, então ainda somos, como disse Fábio Castro em um trabalho citado pelo senhor, uma cidade sebastiana à espera de uma nova época de ouro?

Não haverá mais época de ouro. Nem ‘época do ouro’, como dizia Oswald de Andrade [risos]. É difícil prever a conformação da economia. Aqui, infelizmente, os planejamentos são todos disparatados. Portanto, eu vejo essa situação com muito pessimismo. Se quisermos um futuro melhor, precisamos levar mais a sério a economia e a educação. Aqui se valoriza pouquíssimo a educação no sentido mais alto da palavra. Precisamos, por exemplo, conjugar melhor os tantos cursos que hoje existem, focalizá-los mais em direção dos nossos tantos problemas. Do ponto de vista da economia, está na hora de abandonarmos esse conceito desenvolvimentista, ultrapassado e que sofre duras críticas. Fazer uma cidade melhor às vezes é partir mesmo do trivial necessário como empregar melhor as verbas, destiná-las adequadamente, ter bom senso.Chegamos a um ponto em que o que se vê já não é nem falta de senso – é senso estragado mesmo.

A cidade surgiu no Ocidente como espaço de convivência e diálogo. Hoje é mais de confinamento e conflito. Mudamos para pior?

Acho que sim. Nesse sentido, lembro-me de ‘Zero’, de Ignácio de Loyola Brandão, um livro que teve muita repercussão à época do regime militar. Nele, o autor imagina uma cidade exatamente como estão ficando as cidades de hoje, com casamatas, pontos de segurança, com torres de vigilância como estamos vendo hoje. Todos os nossos pedaços da cidade são sempre pedaços confinados e, mais do que isso, vigiados por problemas de segurança, uma questão que se tornou fundamental hoje em dia. Não houve, portanto, evolução urbana, não houve desenvolvimento gradual para se atingir uma meta. Não tivemos isso.

De todos os espaços urbanos, o do trânsito parece o mais complicado. O LIBERAL, em reportagem publicada no domingo passado, mostrou que o trânsito de Belém, e do Pará em geral, é uma selva dominada por trogloditas ao volante.

Há problemas mais amplos nisso aí do que os de engenharia de tráfego. A adoção de meios tecnológicos aumenta a falsa idéia de poder no homem. A velocidade, por exemplo – desenvolvê-la cada vez mais ao volante de um carro é um encanto, é um poder. Há uma alteração psicológica nisso, isso está entronizado nas pessoas. Mesmo em condições comuns, normais, há uma alteração psicológica. Quem está ao volante se sente como senhor da máquina e senhor do espaço. Portanto, esse problema aí está em duas divisas, a divisa da economia e a divisa da educação. Se a pessoa não tem o senso de cumprir a lei, como ele pode respeitar o outro? Aí os problemas jurídico e moral também se cruzam. E esse cruzamento, esse entrosamento, é muito precário entre nós – trogloditas como você definiu [risos]. Mesmo em condições normais, como eu disse, a condução leva a uma alteração de conduta. E isso é muito perigoso. Mais perigoso ainda em condições anormais como as nossas, onde não há respeito nenhum às leis de trânsito. Eu, por exemplo, deixei de guiar há muito tempo por causa disso – e me senti muito bem por ter deixado. Sei que nem todos podem, mas felizmente tive condições para isso e não me arrependo.

O senhor escreveu que Belém perderá a face ‘sem o seu barroco, sem as suas árvores’. Concorda que a nova face da cidade já está mais para o Umarizal, com seus espigões residenciais e comerciais, do que para a Cidade Velha?

A grosso modo, pode-se dizer que sim, já que você coloca a questão nesses termos, Umarizal versus Cidade Velha. Mas acho que Belém poderia ter alcançado a mediania, um meio termo – nem a velhice decadente que a Cidade Velha exprime nem a urbanização louca do Umarizal. Ao se pensar uma cidade, ao se fazer projetos para ela, é preciso, como eu disse, levar sempre em conta a visão de conjunto, o senso da convivência social. Isso não existe entre nós.

Além do Grande Hotel e do Largo de Nazaré, que já não existem, do Bosque Rodrigues Alves, hoje jardim botânico, da loja Paris n’América, prestes a arruinar-se, e do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, listados em sua crônica, que ícones de Belém merecem a sua paixão?

Eu elegeria dois lugares. Um, a Estação das Docas. Outro, o Mangal das Garças, um empreendimento notável de urbanismo, de meio ambiente, de criação de condições de vida não apenas para o homem, mas para as espécies animais também. São recantos que foram recompostos, restabelecidos. Há ainda o Parque da Residência, um outro recanto muito bom. São os aspectos novos de Belém que interessam à cidade no seu conjunto. No mais, no que toca a construções, traçado urbano, Belém foi muito desprezada. Por isso, meus afetos são muito anacrônicos, embora outros sejam também muito atuais. Anacrônico, fora de época, é gostar de certos trechos como Batista Campos, Largo da Pólvora [risos], ou melhor, Praça da República. Essas coisas antigas são trechos, pedaços, retalhos. A fisionomia da cidade mudou muito, até internamente.

O senhor não é governante, é pensador. Mas, se tivesse o poder de fazer, qual a Belém que Benedito Nunes deixaria para as futuras gerações?

Eu ia derrubar muita coisa [risos]. Procuraria reordenar a cidade de modo que Belém voltasse a ter um centro, o centro antigo que de certa forma não temos mais. Talvez fosse o caso até de tornar a cidade multicêntrica, ou seja, com vários centros. É o que acontece nas cidades grandes, elas têm vários. Paris, por exemplo, não tem apenas um, mas vários centros. Ora, Belém está se tornando uma cidade grande, mas completamente anárquica, perdeu o seu centro, não ganhou novos, de modo que parece mais um grande acampamento feito de edifícios. Não sou absolutamente contra a modernização, quero deixar bem claro, porém gostaria de ver a minha cidade com uma modernização de bom gosto. Para isso, os projetos imobiliários e urbanísticos do setor privado e do setor público precisam ser avaliados de forma mais criteriosa, com visão de conjunto, mas não é isso que está acontecendo.

PARA LER BENEDITO NUNES

Benedito Nunes foi professor titular de Filosofia na Universidade Federal do Pará. Ensinou literatura e filosofia em outras universidades do Brasil, da França e dos Estados Unidos. Recebeu, dentre outros, o Prêmio Jabuti de Literatura em 1987. Suas obras são as seguintes:

O drama da linguagem
Uma leitura de Clarice Lispector. Editora Ática, São Paulo, 1989.

Na fronteira entre a literatura e a filosofia, Benedito Nunes faz uma leitura já clássica da obra da autora. Nunes é considerado o melhor intérprete da contista e romancista.

No tempo da narrativa. Editora Ática, São Paulo, 1988.

Neste livro, Benedito Nunes analisa a pluralidade do tempo na obra lietrária, estudada a partir das noções de ordem, duração e direção.

Introdução à Filosofia da Arte, Editora Ática, São Paulo, 1989.

Mostra como se deu a construção da idéia de Arte em Aristóteles e Platão para analisar os principais filósofos de arte contemporâneos. O modernismo merece atenção especial.

O Dorso do Tigre (ensaios literários e filosóficos), Col. Debates, Editora Perspestiva, São Paulo, 1969.

Benedito Nunes analisa, no calor da hora, a simbiose entre literatura e filosofia promovida por Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Considerado um dos dez mais importantes trabalhos de crítica literária do Brasil.

João Cabral de Melo Neto, Col. Poetas Modernos do Brasil, Editora Vozes, 1974.

Pela lente de Benedito Nunes, a obra rica e complexa de um dos maiores poetas da língua da língua portuguesa ganha uma nova e original intepretação.

Oswald Canibal, Col. Elos, Editora Perspectiva, São Paulo, 1979.

Uma visão promordial para a compreensão do pensamento de Oswald de Andrade. Nele, o autor defende o caráter especifico da ‘antropofagia’ oswaldiana.

Passagem para o poético (Filosofia e Poesia em Heidegger), Editora Ática, 1986.

A passagem do filosófico para o poético na obra do pensador alemão Martin Heidegger.

A Filosofia Contemporânea, Editora Ática, São Paulo, 1991.

As correntes e tendências que não só prefiguram um estilo de pensamento diferente da tradição filosófica moderna, como também manifestam a crise da filosofia enquanto discurso teórico.

No tempo do niilismo e outros ensaios, Editora Ática, São Paulo, 1993.

Em treze ensaios brilhantes, Nunes expõe toda a vivacidade e originalidade do seu pensamento.

Crivo de papel (ensaios literários e filosóficos), Editora Ática, São Paulo, 1998.

Crivo de Papel reproduz o que há de mais denso e constante na obra de Benedito Nunes. O ponto de partida, seminal, é a filosofia.

Hermenêutica e poesia – O pensamento poético – Organização: Maria José Campos, Editora UFMG, Belo Horizonte, 1999.

Resultado de um curso sobre o Pensamento Poético, em 1994. A partir de sua interpretação original de Heidegger, Nunes examina a relação filosofia-poesia oferecendo também elementos para o entendimento dos passos históricos da arte.

Dois Ensaios e Duas Lembranças. Secult, Belém-PA, 2000.

Um pequeno grande livro. Seus quatro breves textos não somam cinqüenta páginas e trazem uma visão condensada das qualidades especulativas e analíticas de Benedito Nunes.

O Nietzsche de Heidegger. Pazulim, Rio de Janeiro, 2000;

Em que medida a ‘identidade filosófica’ que Heidegger atribui a Nietzsche constitui um ponto decisivo e fundamental da constituição da ‘identidade filosófica’ do próprio Heidegger? É em torno deste círculo que se move a argumentação de Benedito Nunes e é a partir dele que são esboçadas algumas conclusões.

Heidegger e Ser e Tempo, Zahar, Rio de Janeiro, 2002.

Esse livro esmiúça a reflexão do filósofo sobre o sentido mais profundo da existência humana, a terminologia por ele criada e a famosa ‘virada’ em seu pensamento.

Crônica de Duas Cidades – Belém e Manaus (com Milton Hatoum). Secult, Belém-PA, 2006.

A quatro mãos com o colega amazonense, Benedito Nunes repassa a formação de sua cidade natal e faz reflexões sobre o passado e o presente de Belém, lançando indicações para o futuro.

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9 respostas em “BENEDITO NUNES :-Entrevista para o Jornal “O Liberal” (Belém)

  1. Pingback: Uma homenagem aos meus Professores. Todos. « Sub Rosa (flabbergasted) v.2

  2. Serei um eterno admirador deste que é para mim o “pequeno gênio”, concordo com tudo que disse, e vou além, gostaria que houvesse um pouco mais de comprometimento das grandes construtoras quando de suas obras e do poder público em não deixar que nossa saudosa cidade se transforme em ângulos retos, como se vê por outras capitais, parece que tudo iria terminar em cantos, quinas.

  3. Caríssimo Frank:
    Muito obrigada pela visita e pela leitura.
    Só tenho uma observação: a expressão “pequeno gênio”, empregada a quem levou o nome do Pará ao conhecimento, ao respeito e à admiração de vários continentes, e mais ainda, a quem traz intelectuais de fora do país , de pelo menos 3 continentes, é – sinceramente, no mínimo, inadequada.
    A questão é que a palavra “gênio” ficou saturada, inflacionada de seu verdadeiro significado, pois se aplica hoje a torto e a direito…
    Eu, que tive a honra de estudar em livros dele, e a oportunidade única de trabalhar com ele, diretamente, vejo que o Pará ainda precisa dimensionar melhor o verdadeiro gênio de Benedito Nunes , o que outros países e outras terras já o fizeram.

    Quanto ao mais, vejo que você está corretíssimo. E suas observação estão corretíssimas.
    Um forte abraço
    M.

  4. MUITO BOM
    MANDEI ALGUMAS FOTOS
    PARA MIN DESSA ENTREVISTA POR FAVOR
    É UM TRABALHO PARA O COLÉGIO
    FICAREI MUITO AGRADESIDA DISSO.
    POR FAVOR.
    MUITO OBRIGADO.

  5. estou fazendo um trabalho na minha faculdade sobre voce…
    eu gostaria de saber onde voce mora pra eu ir visitar voce…
    eu moro aqui em manaus e voce???
    eu gostaria de saber se tem como voce vir dar umas palavras aqui na faculdade…
    deve ser meio dificil para voce mas nunca devemos desistir antes de tentar…
    por isso eu estou tentando trazer voce aqui !

    meu nome e Douglas e estudo o curso de administraçao
    aqui na uninorte…..
    muito obrigado
    este e meu imail
    douglas.doom@hotmail.com
    estou aguardando resposta….
    muito obriagdo

  6. benedito nunes estou fazendo o meu tcc sobre a modernidade em o nativo de câncer de ruy barata,gostaria mt da sua opnião,se for possiver o senhor me ajudar eu agradeço,moro na av.pedro miranda.

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