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		<title>Morrissey, o pária</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 16:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O EX-VOCALISTA DOS SMITHS REJEITA A VOLTA DO GRUPO, CRITICA ESTRELAS POP, COMO MADONNA, FALA DE SUA VIDA RECLUSA E MAMBEMBE E DIZ SE SENTIR ORGULHOSO POR SER ÍDOLO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA BENOÎT SABATIER Julho de 1972. Manchester, &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2012/01/30/morrissey-o-paria/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=618&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id=" align=" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><br />
<a href="http://www.amazon.com/Years-Refusal-CD-DVD-Morrissey/dp/B001NHES3Y%3FSubscriptionId%3D0G81C5DAZ03ZR9WH9X82%26tag%3Dzemanta-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3DB001NHES3Y"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="Cover of &quot;Years of Refusal [CD/DVD]&quot;" src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/41bsmTyKGYL._SL300_.jpg" alt="Cover of &quot;Years of Refusal [CD/DVD]&quot;" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Cover of Years of Refusal [CD/DVD</p></div>
<p style="text-align:justify;">O EX-VOCALISTA DOS SMITHS REJEITA A VOLTA DO GRUPO, CRITICA ESTRELAS POP, COMO MADONNA, FALA DE SUA VIDA RECLUSA E MAMBEMBE E DIZ SE SENTIR ORGULHOSO POR SER ÍDOLO DA COMUNIDADE LATINA NOS EUA</p>
<p><strong>BENOÎT SABATIER</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Julho de 1972. Manchester, cidade industrial do norte da Inglaterra. Steven Morrissey acaba de completar sofridos 13 anos. Ele, que se sente mal consigo mesmo, mal na escola, mal em sua família, pode nessa noite sair de seu cotidiano infeliz: seu pai, carregador de macas no hospital, leva-o para assistir a seu primeiro concerto.<br />
O T. Rex está se apresentando no Belle Vue. Na cabeça de Steven, é uma explosão atômica que se produz. Ele vê um outro mundo possível, enxerga a vida ampliada. No microfone, um deus, Marc Bolan, vestindo calça de lamê dourado, paletó de smoking enfeitado com strass brilhante.</p>
<p style="text-align:justify;">É esse glam rock que faz Steven sentir-se vivo: os discos que ouve religiosamente em seu quarto em Hulme, bairro proletário da cidade, e os visuais que o fazem sonhar. Ou Roxy Music, com suas fotos cheias de glamour e seus figurinos tão extravagantes. Socialmente deficiente, recusando-se a beber muito com seus amigos, Steven passa seu tempo lendo, assistindo a filmes, ouvindo música e escrevendo. Lê Virginia Woolf e Oscar Wilde e encontra ídolos ainda mais loucos. E os New York Dolls.<br />
Quando encontra o jovem guitarrista Johnny Marr, finalmente as coisas começam a rolar. The Smiths lançam seu primeiro single em 1983. A ideia dos Smiths é voltar às guitarras, inventar o futuro evocando Elvis e The Kinks. Os maiores sucessos da época (Spandau Ballet, Duran Duran, Paul Young&#8230;) se fundem no pop sintético, veiculam o yuppismo e defendem a diversão. The Smiths partem diretamente para cima de seu alvo -a miséria humana.</p>
<p style="text-align:justify;">Morrissey, que fará 50 anos em maio, acaba de lançar seu novo álbum, &#8220;Years of Refusal&#8221; (Anos de Recusa, gravadora Decca/Polydor).<br />
&#8220;Tenho horror a drogas. Tenho horror a cigarros. Sou celibatário e tenho um modo de vida muito saudável&#8221;, diz. E proclama: &#8220;Somos reacionários&#8221;. Mais tarde: &#8220;Os Smiths estavam em ruptura com tudo o que sua época veiculava&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">A &#8220;smithsmania&#8221; alcança um paroxismo angustiante quando um adolescente armado invade uma rádio de Denver [EUA], em 1987, e ordena que a estação transmita apenas canções de seu grupo adorado.</p>
<p style="text-align:justify;">O rapaz só se rende depois de quatro horas. Já os Smiths se rendem depois de cinco anos. Nick Kent: &#8220;A notícia da separação deles provocou mais suicídios que os anúncios da morte de Elvis, da separação dos Beatles ou da divisão dos Stones, todos juntos&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Fãs chicanos</strong><br />
Sem seu grupo, sai seu primeiro álbum solo, &#8220;Viva Hate&#8221;, que entra diretamente no primeiro lugar das paradas. Bate o recorde dos Beatles, ao vender em 23 minutos todos os ingressos para seu show no Hollywood Bowl.</p>
<p style="text-align:justify;">Morrissey muda-se para Los Angeles, para o Sunset Boulevard, na mansão que Clark Gable ofereceu a Carole Lombart -uma casa na qual já moraram Francis Scott Fitzgerad e John Schlesinger. Não atende ao telefone; comunica-se por fax.<br />
Seus novos fãs montam acampamento diante de sua casa. São multidões de jovens chicanos com atitude que se unem em torno do canto atormentado de Moz.</p>
<p style="text-align:justify;">Musicalmente, não cede a nenhuma moda, mantendo-se fiel a seus amores, o glam e o pop. Contrata um bando de músicos de rockabilly, cantando canções compostas por nomes secundários.</p>
<p style="text-align:justify;">O importante, na era dos downloads, é fazer apresentações ao vivo instigantes.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Na realidade o mundo não quer ouvir apenas Brócoli [Britney] Spears. Também existem ouvintes esclarecidos.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Ofereceram a ele US$ 75 milhões para que reformasse os Smiths. &#8220;Eu preferiria comer meus próprios testículos, o que seria uma façanha e tanto para um vegetariano como eu.&#8221;<br />
Recusa. Pose. Leia mais na entrevista abaixo, cara a cara, numa mansão londrina.</p>
<p style="text-align:justify;">*<br />
PERGUNTA &#8211; Você parece permanecer mais no plano da recusa do que no da aceitação. Vem daí o o título de seu novo álbum?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; É assim que vejo minha posição artística no meio musical. Desde o começo, vejo-me obrigado a recusar todo tipo de pressão. Para juntar à sua volta a grande família das celebridades da cultura pop, você precisa aceitar certas concessões. Não faço parte desse mundo. Isso não é a cultura pop, é a cultura puta.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Essa é uma postura moral ou estética?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; É o caminho para continuar a fazer arte.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Nos anos 1980, a recusa do nivelamento vinha dos selos pós-punk: na realidade, você se manteve fiel a essa ética, a ética da música indie.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Bem&#8230; Ao espírito da independência, OK.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; É isso que significa &#8220;indie&#8221;? Independência?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Originalmente, sim, mas o indie virou um gênero musical, do qual minha música não faz parte. Hoje o indie virou um &#8220;look&#8221;, uma postura, mas, no início dos anos 1980, era uma profissão de fé e também a promessa de alcançar um público muito reduzido. Naquela época era muito difícil os independentes chegarem a um público grande. Os Smiths conseguiram, mas éramos casos isolados.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; O fato de o indie ter virado mainstream quer dizer que a luta que você travou com os Smiths foi vitoriosa?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Uma vitória, sim, mas cujo resultado foi pela metade. Por um lado, podemos nos parabenizar porque alguns grupos indies fazem sucesso hoje, mas eu nunca recebi crédito por essa vitória. Ninguém se encarregará disso.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você usa sua celebridade para obrigar as pessoas a deixá-lo em paz&#8230;<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Não sou uma celebridade. Meu status não tem nada a ver com essa palavra.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Quando era adolescente, o glam rock foi a música que fez você finalmente se sentir vivo?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Exatamente. Eu tinha só dez anos quando o T. Rex, mas também Bowie, com &#8220;The Man Who Sold the World&#8221;, mudaram tudo. Além do rótulo glam rock, havia uma visão bombástica. Você não pode imaginar o efeito que exercia, na época, ver aqueles artistas todos usando maquiagem. Hoje em dia isso passa despercebido, é até mesmo um pouco ridículo e, em todo caso, não faz mais sentido. Mas em 1971-72! Era tão estranho! Mais que ousado -era perigoso.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você gravou este novo álbum em Los Angeles&#8230;<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Sim.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; É um lugar onde você se sente bem?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; É uma cidade que ainda me fascina. É um bom lugar para minha música, para a inspiração, para minha tranquilidade.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Parece incrível que você, popstar tão inglês, tenha se instalado na cidade de 50 Cent e Axl Rose. Mas, quando a gente ouve uma canção como &#8220;When I Last Spoke to Carol&#8221;, isso passa a parecer quase natural.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Verdade? É por causa do lado latino de Los Angeles. Eu tinha ouvido música com som de trompete, inspirei-me nisso.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Acha estranho ser idolatrado pela comunidade latina?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Sinto-me sobretudo lisonjeado. Quando vejo as tatuagens de &#8220;Morrissey&#8221;&#8230; Acho comovente. O fato de queimarem meu nome na pele&#8230; Me sinto devotado a eles, também.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; São os párias do sonho americano.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Sim, de certo modo. Tenho muito orgulho desse título: &#8220;O cantor dos párias&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Esse título sempre o agradou?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Oh, sim.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Por quê?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Porque é o que eu sou. Eu me sinto antissocial. É a verdade, eu sou um antissocial. Ao mesmo tempo em que tenho milhares de fãs, mal sou tolerado pela indústria, nunca fui convidado pela MTV, continuo a ser um artista à margem. Não é como se eu tivesse sentado e decidido &#8220;vou ser um marginal&#8221;. Eu sou marginal no meu eu mais profundo. Portanto, não tenho escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Apesar disso, você se integrou à sociedade.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Não, de jeito nenhum. Os valores que a sociedade favorece não são os meus. Não quero formar um casal bonito, não quero me integrar aos clichês de uma vida doce, feliz e perfeita. Já há gente suficiente comprometida com isso -não é preciso que eu também o faça.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Isso é recusa ou é incapacidade?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; As duas coisas. Sou tremendamente individualista. Nego-me a ser capaz de pensar como meus vizinhos. Venho sobrevivendo assim há anos; controlo meu corpo e tenho poucas razões para andar na companhia daqueles que chamam de meus semelhantes.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Mas você vai a algumas festas de vez em quando, não?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Festas? Não, não. É entediante demais, de verdade. A presença das pessoas me desequilibra. A necessidade de falar&#8230; é difícil demais.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Com os Smiths, você cantava como é difícil viver no mundo. Esse ainda é um de seus temas mais importantes?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Sim. Não é um assunto que varie conforme mudam as tendências. Em todo caso, não vejo como eu poderia deixar de escrever sobre isso: escrever sobre a condição humana, não existe nisso nada de superado. É algo que será sempre atual.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; &#8220;Life Is a Pigsty&#8221;, um dos títulos de seu álbum anterior&#8230;<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Sim, a vida é mesmo um chiqueiro, não é? Uma tortura. O calvário só termina quando se morre. É tão sádico assim.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; É esse o tema da nova canção &#8220;That&#8217;s How People Grow Up&#8221;?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Falo do fato de que, para começar, a gente precisa tentar encontrar seu próprio lugar no mundo, que tudo nos parece impossível, que é preciso ser forte, e então, quando a gente finalmente dá certo, se dá conta de uma coisa: está sozinho. Para o resto da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Há a música, os filmes, os livros.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; É só disso que precisamos.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; A música pop foi durante muito tempo vista como uma arte menor. Você infundiu nela uma dimensão letrada&#8230;<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Isso me parece importantíssimo. Mas, quando você se engaja nessa via, arrisca muito. Porque a crítica será ainda mais virulenta.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; A cultura continua a apaixoná-lo? Você ainda descobre novos filmes, ainda lê muito, ainda ouve música?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Os livros, os romances novos, alguns me parecem atraentes, mas pressinto a decepção&#8230; Quanto ao resto, sim, sem parar.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; O quê?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Tenho visto muitos filmes ultimamente&#8230; mas nada de bom. Não, nada que seja inesquecível. Vivo na esperança.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você não vive mais em Roma?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Não. Eu estou por aqui, mas não tenho casa. Vou de cidade em cidade, sem me fixar.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você carrega todos os seus livros, discos, DVDs?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Na verdade, a maior parte de minhas coisas estão num guarda-móveis.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você é uma espécie de mito vivo. Ainda tem alguma coisa a provar?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; É claro que sim. Para começar, não devo decepcionar aqueles que me acompanham há tanto tempo e que vão continuar a ouvir minhas canções novas. Depois, sempre há novas pessoas a convencer. E há também os artistas à minha volta. Tenho que provar para mim mesmo que continuo a ser essencial a eles.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você ainda pensa que &#8220;todos os dias são silenciosos e cinza&#8221; ou há dias em que se diverte?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Hoje sou mais tolerante comigo mesmo. Quando você é jovem, é mais intransigente, quer a toda hora provar alguma coisa. E então você chega aos 23 anos, sua mãe morre, e você aprende a tolerância.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Se você ficasse feliz, teria menos a dizer?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Estou disposto a correr esse risco.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você tem o status de ícone pop, e isso recusando-se a fazer como Madonna ou Mick Jagger, que difundem a imagem de feras do sexo. Esse é um desafio adicional?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Um desafio para mim? Em quê?</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Por recusar-se a se divulgar como hiperssexuado.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Bem, sim, de certo modo. Esse tema fascina, especialmente quando se trata de alguém como eu, que, de fato, não tem o mesmo discurso das pessoas que você acaba de citar. Será que tenho que explicar minha vida, me justificar em relação a isso? Não é mais físico, para mim -é metafísico. Mas é preciso que eu dê uma resposta -e, é claro, uma resposta inteligente. Isso às vezes é cansativo, exagerado.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Você é uma anomalia, porque, para ser popstar, convém proclamar que se é alguém sedento de sexo.<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; A atitude de Madonna é apenas marketing, nada mais. Saber até que ponto ela se vestiu escandalosamente não tem importância nenhuma. Ela age assim, e, concretamente, isso não tem nada de sexual -é um clichê. Ela ou todos os outros. É bastante assustador pensar que se possa vender milhões e milhões de discos jogando com clichês. Será que realmente não têm consciência de que cada um está jogando um jogo hipócrita?</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; Com você, é &#8220;no sex&#8221; e &#8220;no drugs&#8221;?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; De certo modo, a contracultura virou uma mentira: findo o lado espontâneo, os artistas do rock agem da maneira que se espera deles, ou melhor, como pensam que se espera deles&#8230; Isso virou uma camisa-de-força que é preciso vestir para passar uma impressão de descontraído. Mas, se você olhar os artistas da geração da contracultura, hoje eles se comportam da maneira mais sadia possível. Há uma inversão de gerações, um retorno.</p>
<p style="text-align:justify;">PERGUNTA &#8211; As pessoas perguntam a McCartney há 40 anos quando os Beatles vão voltar juntos. E você, nunca vai aceitar as somas colossais que lhe são oferecidas para voltar a tocar com Johnny Marr ou não tem tanta certeza assim?<br />
<strong>MORRISSEY</strong> &#8211; Nunca me acontece de não ter certeza quanto a isso. Ou de me sentir tentado pelo que chamo de concessão. The Smiths foi algo que aconteceu, que teve um começo e um fim e que foi quase perfeito. Não devemos mudar isso.</p>
<p style="text-align:justify;">=-=-=-=-=-=-=&#8211;<br />
(*) A íntegra dessa entrevista saiu na Technikart.<br />
Tradução de <strong>Clara Allain<br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">****<br />
<strong>Publicado na Folha de S. Paulo, em 15 de março de 2009</strong></p>
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		<title>Entrevista- Impressoes digitais</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 23:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[IMPRESSÕES DIGITAIS Já li várias reportagens sobre blogs, tratando-os como fenômeno, nova mídia, diário, quadro de recados, colcha de retalhos, coisa de quem não tem mais o que fazer. Já houve um tempo em que eu também tentei entendê-los, queria &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/06/19/entrevista-impressoes-digitais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=582&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;">IMPRESSÕES DIGITAIS</div>
<div style="text-align:justify;">
Já li várias reportagens sobre blogs, tratando-os como fenômeno, nova mídia, diário, quadro de recados, colcha de retalhos, coisa de quem não tem mais o que fazer. Já houve um tempo em que eu também tentei entendê-los, queria compreender o que eu faço aqui no meu. Desisti porque acho que haverá tantas interpretações e tantas classificações quantos forem os blogs na rede. Não são e nunca serão farinha do mesmo saco. Para mim blogs são como impressões digitais: cada um tem a sua.</p>
<p>Já fiz muita confusão até conseguir separar algo que acredito que muitas pessoas ainda não entenderam: o meio e o produto final. Utilizamos a mesma palavra &#8211; blog &#8211; para designar a ferramenta e a utilização que fazemos dela. Uma coisa que o Hernani vem frisando há muito tempo: blog é ferramenta, é instrumento. Maravilhada com o que eu podia fazer com esta ferramenta, nunca havia parado realmente para pensar assim, até fazer a analogia.</p>
<p>Tome-se um livro. Na verdade, o que ele é? Antes de tudo ele é o papel cortado e colado de uma determinada maneira e formato que estamos acostumados a classificar como livro. Ou seja, é a ferramenta, o instrumento, o meio através do qual as idéias serão divulgadas. Mas também utilizamos a mesma palavra para o produto final, aquele que já contém as idéias. Um livro (o conceito &#8220;físico&#8221; dele) deixa de ser um livro quando está em branco? Talvez subjetivamente sim, porque aí vai depender até do nosso conceito de simulacro, mas apenas se o soubermos em branco. Porque encapado e fechado, lado a lado numa estante, todos são iguais, todos são livros. Assim também são os blogs (a ferramenta).</p>
<p>Se pegarmos agora o conteúdo, a obra, a criação ainda que não impressa, ou às vezes mesmo que não escrita, também chamamos de livro. Ele existe além do formato, além da tecnologia, é anterior ao conceito físico. E assim também são os blogs (produto final). Faz-se isto também com a TV (aparelho e produto), rádio, jornal, revista etc&#8230; mas nestes casos é mais fácil de entender porque funcionam como produtos de e para a coletividade tentando atingir o indivíduo. Os blogs não, são o caminho inverso e por isso mais poderosos, são frutos de manifestações individuais inseridas no coletivo.</p>
<p>Aqui, neste espaço, vejo a grande rede como as impressoras gráficas, ou indo um pouco mais longe, as distribuidoras, livrarias e bibliotecas. E os programas do Blogger, Webloger e tais como as máquinas de acabamento &#8211; guilhotina, intercaladoras, coladeiras, para costura, encadernação etc&#8230;. . Por isso somos sim os editores de nós mesmos, com todos os erros e acertos de avaliação que podemos cometer quando tratamos de algo tão pessoal.<br />
É um meio novo para mim, acho que muito mais do que para muitas pessoas com as quais me relaciono por aqui. Mas é certo o caos, a dificuldade que temos para compreender o todo quando só conhecemos parte. Digo isso porque agora entramos em uma fase em que se tenta tentar entender &#8220;quem&#8221; faz o blog, e não mais &#8220;o que&#8221; ele é. E a confusão só tende a aumentar, porque as variantes são em maior número e mais suscetíveis, estamos lidando com pessoas e não com máquinas ou ferramentas. Pode-se, por exemplo, pegar uma peça e saber de que máquina ela faz parte, inclusive definindo até ano e modelo. Não se pode pegar uma frase e definir uma pessoa. Indivíduos não são tão fracionáveis assim, não são editáveis.<br />
*******[....] Introdução &#8211; Texto de Ana Maria Gonçalves, escritora.  Autora do livro Defeito de Cor.</p>
<p>*********<br />
EM &#8211; Nome, idade (se quiser), onde mora e profissão.<br />
Meg &#8211; Maria Elisa Guimarães, Meg para os amigos, já passei dos 40 ;  -) moro no Rio de Janeiro, (nasci em Belém do Pará) ; sou professora de Filosofia, e faço eventualmente Crítica Literária.</p>
<p>EM &#8211; a)Endereço do blog e uma pequena descrição dele (sobre quais assuntos costuma escrever mais). b)Qual ferramenta de edição usa e há quanto tempo fez o blog. c) Como classificaria o seu? Humor, entretenimento, poesia, etc?<br />
Meg &#8211; O <strong>Sub Rosa na</strong>  sua origem foi no Blogger com este endereço: http://flabbergasted.blogspot.com ) . Não há como descrever um blog, Coloco nele tudo que desperta minha admiração, o que me deixa entusiasmada, o que me tira o fôlego. Me interesso por tudo, tenho um apetite insaciável pelo mundo. Tenho espírito de filósofo, mesmo. E a Filosofia se interessa por absolutamente tudo: não há limites.</p>
<p>b)Não uso nenhuma ferramenta de edição especial como Dreamweaver, Front Page etc, porque sou de uma magnífica burrice cibernética, que já me fez decidir doar o meu cérebro pra quem possa estudar isso:  -). O João Ubaldo Ribeiro vai doar o dele para a NASA, acho que farei o mesmo. Hohoho. Daí que usava o próprio Editor do Blogger . Agora uso o Grey Matter, que é o programa de um cara muito bacana o Noah Grey www.noahgrey.com (adoro o blog dele).</p>
<p>Fiz vários blogs e alguns eu até perdi o endereço (fui influenciada pela Fernanda Guimarães Rosa que tem o pioneiro The Chatterbox). Mas só comecei pra valer, no final de agosto de 2001, vivi um pouquinho a fase do “Antes do 11 de Setembro.”<br />
Classifico o meu <strong>SubRosa</strong> como sendo de uma generalidade irritante. Tento dizer que corresponde à chamada clínica geral, afinal dá pra escolher o que escrever, se a gente se interessa por tudo? Mas posso dizer duas coisas das quais trato poucamente ou nadamente: -) Filosofia e Sexo : -).</p>
<p>EM &#8211; Número de visitas (se tiver contador). Se não tiver, pode ter uma noção da repercussão de seu blog junto à comunidade &#8220;blogueira&#8221;?<br />
Meg &#8211; Tenho vários contadores. Sabe o que acho? Que ao final do dia contar quantas pessoas vieram, equivale a uma firma ou loja que contasse a féria do dia, hahaha&#8230;<br />
Agora falando sério, é através dos contadores que você sabe quem lhe visitou, e principalmente você conhece blogs que estão surgindo. (Visitar é bem melhor do que escrever um comentário, Ei, visite meu blog:- (. É mais inteligente, também)<br />
Mas é preciso ter cuidado com os números: tem que saber que os AMIGOS vão várias vezes por dia. Alguns contadores registram como visita as suas próprias entradas (tenho um que me diz quando entrei) E acho que o número de visitas que tenho é modestíssimo.<br />
Soube que há blogs com mais de 500 visitantes por dia e outros que recebem até 5.000 : D . Ao saber disso é que vi que não tenho a menor importância na comunidade blogueira, mas tenho &#8211; se tiver &#8211; entre os amigos.</p>
<p>EM &#8211; Você já conheceu pessoas devido a seu blog? Fez amigos?<br />
Meg &#8211; Oh yessss. Você quer dizer pessoalmente, não é? Sim, conheço vários blogueiros, já recebi vários em minha casa, e principalmente, já hospedei uma blogueira famosa em minha casa. Foram dias maravilhosos de fevereiro deste ano. A Aninha do Udigrudi. E essas pessoas são amigas sim, e que não relaciono mais com o blog. Elas transcendem esse fato.<br />
Algumas outras falam comigo pelo telefone. E outras pessoas, ainda, eu já conhecia antes, ou conhecia alguém da família. <strong>Laura Rónai</strong>, queridíssima amiga do <strong>Mostly Music </strong>- eu já a conhecia como a brilhante música que é, agora, ela  faz parte da minha vida.</p>
<p>EM &#8211; A que horas costuma &#8220;blogar&#8221;? Por quê?<br />
Meg &#8211; A qualquer hora. Estou sempre no ar ; -) Costumo blogar mais à noite (insônia), mas também blogo de dia. Agora, sou muito lenta para fazer posts. Levo horas. E algumas vezes refaço.</p>
<p>EM &#8211; Como são os seus hábitos diários e como o blog se insere neles (se trabalha, a que horas escreve, se tem filhos, como concilia todas essas coisas). Vê o blog como lazer?<br />
Meg &#8211; Querida, o próprio blog foi uma mudança de hábito ; -) Tiro muita coisa do meu trabalho para colocar no blog. Não tenho filhos, queria tê-los:- )<br />
Decididamente o Sub Rosa não é lazer, embora me dê muito prazer (angústias também)</p>
<p>EM &#8211; Sua família conhece seu blog? Como eles vêem o fato?<br />
Meg &#8211; Sou uma celebridade pra eles..hahaha. Sabe como é, não é?;  -)</p>
<p>EM &#8211; Qual foi o motivo que te levou a &#8220;blogar&#8221;? Informar as pessoas, se conhecer um pouco mais, escrever alguma coisa que não tinha onde publicar?<br />
Meg &#8211; Às vezes me sinto como num trabalho voluntário ; -).<br />
O que me levou a blogar, sempre escrevo isso, foi a dor causada por duas doenças graves:  entre elas, uma  severíssima depressão&#8230; Foi terrível. Uma amiga de Lista de Discussão, me disse que eu me desse um presente. Algo que eu gostasse muito. Eu adoro viajar e escrever&#8230;Viagem não podia, naquele momento,  então&#8230;<br />
Dois dias depois eu fiz o blog <strong>Sub Rosa</strong> (que é uma expressão latina de origem egípcia, mas que todo mundo pensa que é modéstia minha [que sou uma rosa "sub":  -) . Logo não é papo furado quando eu digo que escrevo para mim.<br />
Hoje estou melhor, convivo com as oscilações da saúde., e o blog se tornou uma parte importante da minha Vida.<br />
Claro que o movimento e a experiência weblog fazem parte de uma das maiores revoluções acontecidas dentro da revolução Internet. Foi uma 'recuperação da subjetividade'; o que filósofos como <strong>Baudrillard</strong>, por exemplo, tanto condenaram na Internet: fragmentação do sujeito e desaparecimento da alteridade. O blog é a maior das vertigens da subjetividade.<br />
E claro o blog foi um canal para que se escrevesse sem o rigor exigido pelas publicações,acadêmicas ou não; e com autonomia para se escrever sobre o que se quisesse e gostasse. Onde mais? ;  - ))</p>
<p>EM - Vc vê o blog como uma espécie de hobby?<br />
Meg - Aaaah, não! De jeito nenhum: hobby é coisa pra madame, pra perua , né não?<br />
Eu sou profissional ; - )) Blog, de um modo geral, é algo que é importante pra mim.Também sou observadora e analiso esse fenômeno.</p>
<p>EM - Qual é a relação que vc mantém com seu blog e com os visitantes? Costuma responder os emails que eles mandam? Como costumam ser esses emails? Agradáveis, críticos?<br />
Meg - O blog é minha forma preferencial de me comunicar com as pessoas (essa é uma necessidade inerente ao ser humano, não é?). Então, é isso: o blog tornou-se uma parte importante da minha forma de vida, atualmente. Não é tudo, mas modificou muito a minha vida. E com os visitantes eu partilho as coisas que gosto, as que não gosto e só de saber que existe quem leia já é ótimo. Elas conferem a alteridade ao que expresso. Amo e respeito cada um que escreve para mim, por causa do blog. Só existe <strong>eu</strong> porque existe o OUTRO, não é? Adoro que comentem, me entristece ver um post sem comment. Mas, sou de opinião que só se deve comentar como uma solicitação do assunto do post. Não o comentário burocrático, como forma de cordialidade. É como dizia sabiamente o Paulo Francis: “<strong>Gosto que as pessoas me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir</strong>”.<br />
Agora quanto a e-mails eu adoro. Pinta de tudo <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' />  E muitas vezes os críticos são extremamente agradáveis. Devo a muitos visitantes que me escrevem, novos pontos de vista sobre assuntos que abordo, principalmente quando eles questionam e são gentis a ponto de me escreverem ou comentarem, apontando um engano.<br />
Muito legal ter perguntado isso, pois é um novo tópico a respeito dos blogs que talvez muitos não tenham se dado conta. Eu tento responder a todos, mas isso demanda tempo e muita gente não entende: a demora:<br />
EU NÃO TENHO ASSESSORIA DE IMPRENSA !! ;  - )).<br />
Por outro lado, antes éramos uma <strong>rua</strong> de blogs. E costumávamos visitar todos os nossos conhecidos, e comentar praticamente todos os posts. Agora, não, querida. Surgiram milhões de blogs,  somos uma <strong>cidade</strong> de blogs e não damos conta de retribuir todas as visitas, e na verdade, hoje eu deixo de visitar os blogs que adoro para visitar os novos, os que estão chegando. E sinto muito que as pessoas a quem eu passo dias sem visitar, tomem isso como uma forma de desamor. Não é!.</p>
<p>EM - Você acredita que o blog seja capaz de fazer uma rede (ring) de amigos? Já percebeu isso?<br />
Meg - Como assim, Bial??? ;  - ) Não sei se entendi sua pergunta. Rede de amigos? ou ring de blogs amigos? Se for isso , obviamente que sim. Se a Afrodite, a Aninha ou a Joyce visitam e descobrem algum blog interessante, pode crer que isso é uma referência, e eu vou lá. A Cora é a blogueira que mais faz isso. (Aliás se tenho alguma notoriedade, devo à Zel, à Cora e só depois a mim mesma; -)] A Cora tem um papel de difusora, de reunir em torno de si, os mais diferentes tipos de blogueiros, e de nos indicar blogs que por nós mesmos demoraríamos muito a saber deles. As opiniões dela são importantíssimas também, e fico feliz se minhas opiniões coincidem com as dela.<br />
Agora, se for uma rede de amigos, pessoas que se conhecem e que blogam&#8230;etc.. eu também percebo isso e cito como exemplo, os glo-blogueiros: os blogueiros jornalistas d’ O GLOBO. Como você, a Joana, querida, e todo o grande elenco.</p>
<p>EM &#8211; O que vc acha essencial que os blogs tenham?<br />
Meg &#8211; Links querida, links. Os blogs são a expressão da vontade de seus donos. Mas se não houver links não é blog. É qualquer outra coisa menos blog. Acho que o grande diferencial do blog, é que ele oferece um enriquecimento à parte, para quem o visita. Um blog não pode se esgotar em si mesmo. Ele deve oferecer caminhos, deve permitir que o leitor saia dele com mãos (mentes) cheias, o blogueiro deve mostrar os caminhos que percorreu e oferecer esse caminho de links, URLs, para que o leitor  possa ver o que o blogueiro não viu, possa ir mais além.Aprendi isso com o  o <strong>Hernani Dimantas</strong> (Por que linkar outros blogs?). Linkar bem é tudo!</p>
<p>EM &#8211; Você tem o hábito de visitar blogs de outras pessoas? Quais considera os melhores?<br />
Meg &#8211; Uhuuu! Ia ter muita graça alguém fazer blog e não visitar outros&#8230;<br />
Visito todos que eu posso , todos que conheço, até os de  que eu não gosto ;- )<br />
Os melhores? Todos os que estão na minha Lista de favoritos, (mesmo os que estão extintos. Uma lista é um statement) e os que ainda vão estar. Como já disse, no momento estou preocupada com os que estão chegando agora.</p>
<p>EM &#8211; Você tem medo ou vergonha de se expor através do blog? Ou gosta disso?<br />
Meg &#8211; Querida, sabe o que acho? Não são as pessoas que se expõem nos blogs. São os blogs que expõem seus autores. O blog, em sua continuidade, &#8216;denuncia&#8217; quem somos. E depois, não controlamos o nosso índice de exposição. E finalmente, não há como fazer auditoria da auto-exposição.<br />
Quando eu digo expor-se, não me refiro apenas aos blogs confessionais, o blog é um ótimo índice de como somos realmente. Livro aberto pra quem souber ler. Principalmente nos <strong>Arquivos</strong>.</p>
<p>EM &#8211; Você usa uma espécie de sistema de comentários, como o Yaccs? O que acha da importância da interatividade nos blogs?<br />
Meg &#8211; Sim, e interatividade é importantísima, e faz parte da essência do blog., quer se use ou não ferramenta de comentários. Quem não usa comentários, usa Livro de visitas, ou coloca o email bem visível para o contato.<br />
E entre as mais importantes significações da interatividade está o fato de que os visitantes são ou se tornam co-blogueiros. Escrever um blog é uma tarefa que não se faz sozinho. Vira um trabalho coletivo. Quer no fato de que as pessoas que nos lêem seguem indicações e chegam a outros destinos, vão em frente, como também, suas críticas, seus questionamentos, os que apontam erros nossos, contribuem expressivamente para se saber a quantas se anda. Mais importante que o contador.<br />
Um outro tipo de interatividade é a de visitantes que escrevem indicando links, mandando fotos, imagens; isso acontece comigo e fico felicíssima. Eles nos estimulam. Com alguns chega-se a estabelecer uma discussão,por e-mail, que às vezes me faz atrasar na atualização do blog.<br />
Do mesmo modo, o chamado patrocínio cultural: posts inteiros que são levados pelos leitores – uhuuu, isso é maravilhoso.<br />
Acho que blog é uma experiência conjunta de se viver melhor. Da prática da partilha, a negação da propriedade absoluta. Exercício de esforços do afeto</p>
</div>
<p style="text-align:justify;"><a name="more"></a></p>
<div style="text-align:justify;">Postado por<a title="apenas para uso administrativo" href="http://web.archive.org/web/20050111050918/http://web.archive.org/web/20050111050918/http://www.meguimaraes.com/cgi-local/mt/mt.cgi?__mode=view&amp;_type=entry&amp;id=3226&amp;blog_id=6" target="_blank"><span style="color:#ffffff;">.</span></a>Meg Guimarães <a href="http://web.archive.org/web/20050111050918/http://web.archive.org/web/20050111050918/http://www.meguimaraes.com/imagensepalavras/arquivo/003226.html#003226"><img src="http://web.archive.org/web/20050111050918/file:///C:/Users/MEG/Downloads/GLOBO_ENTREVISTA_SUBROSAImagens&amp;Palavras%20%20IMPRESS%C3%95ES%20DIGITAIS_files/ic_pl.gif" alt="link permanente para este texto" width="8" height="9" border="0" /></a> 23 jul 2002 @ 11:04</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/582/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/582/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=582&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bette Davis, hoje!</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 14:16:38 +0000</pubDate>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/571/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/571/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=571&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 22:19:58 +0000</pubDate>
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<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/05/kim_novak_tumb.gif"><img alt="" src="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/05/kim_novak_tumb.gif?w=500&#038;h=293" title="Vertigo" width="500" height="293" /></a><p class="wp-caption-text">kim novak</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/566/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/566/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=566&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Negrito e itálico</title>
		<link>http://subrosa3.wordpress.com/2011/04/19/negrito-e-italico/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 21:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando comentar aqui nos blogs da WordPress.com, pode-se usar essas tags em HTML, para conseguir os efeitos de negrito e itálico. Espero que seja útil. Para negrito, usar  entre colchetes a letra b (que significa bold) e  a letra  i &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/04/19/negrito-e-italico/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=539&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Quando comentar aqui nos blogs da WordPress.com, pode-se usar essas tags em HTML, para conseguir os efeitos de <strong>negrito</strong> e <em>itálico</em>.</p>
<p>Espero que seja útil.</p>
<p>Para negrito, usar  <strong>entre colchetes</strong> a letra <strong>b</strong> (que significa <strong>bold</strong>) e  a letra  <strong>i</strong>  que significa <strong><em>itálico</em></strong>.<br />
Pode-se usar também a palavra <strong>strong, </strong>que é sinônimo de<strong> bold</strong> entre colchetes. Mas recomendo que usem tal como mostrado na ilustração.<br />
Nunca esquecer de fechar as tags.</p>
<p>Sucesso!</p>
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		<title>Benedito Nunes &#8211; entrevista a José Castello</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Mar 2011 00:26:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Benedito Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[José Castello Benedito Nunes ensina o caminho de volta por José Castello. Crítico paraense defende a radicalidade dos escritores para afirmar grandeza da Amazônia. Felix Delatour é um professor bretão, circunspecto e quase albino que vive escondido em um sobrado &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/03/03/benedito-nunes-entrevista-a-jose-castello/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=533&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>José Castello</h3>
<p><span style="color:#000080;font-size:medium;"><strong><a href="http://www.revista.agulha.nom.br/castel06.html" target="_blank">Benedito Nunes ensina o caminho de volta</a></strong></span></p>
<p><span style="color:#000080;font-size:medium;"><a href="http://www.revista.agulha.nom.br/castel06.html" target="_blank">por <strong><em> José Castello</em>.</strong></a></span><br />
<em>Crítico paraense defende a radicalidade dos escritores para afirmar grandeza da Amazônia.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Felix Delatour é um professor bretão, circunspecto e quase albino que vive escondido em um sobrado de Manaus. Ele sofre de uma trágica doença que praticamente o imobiliza: o gigantismo. Sobrevive, em seu abafado exílio, ministrando aulas de francês. Em sua sala, despida de qualquer lembrança do passado europeu, há apenas uma mesa de madeira e duas cadeiras de vime. Do lado de fora, com suas ondas de calor e nuvens de mosquitos e sempre indiferente aos requintes da língua, está a Amazônia. Diante de um jovem aluno, Delatour certa vez fez uma importante reflexão sobre seu destino de exilado. &#8220;A viagem, além de tornar o ser humano mais silencioso, depura o seu olhar&#8221;, disse. &#8220;A voz do verdadeiro viajante ecoa no rio silencioso do tempo.&#8221;</p>
<p>Felix Delatour, esse profeta da distância e do silêncio como métodos fundamentais para o conhecimento, é um personagem de Reflexão sobre uma Viagem sem Fim, um conto (leia íntegra na página ao lado) do escritor amazonense Milton Hatoum, recentemente publicado pela Revista da USP.</p>
<p>O conto é dedicado ao eminente crítico literário e filósofo paraense Benedito Nunes, que vive na vizinha Belém do Pará. Como nos contos de Adolfo Bioy Casares, em que os primeiros parágrafos servem apenas para driblar a atenção do leitor, prometendo-lhe o que não lhe dará, é Benedito Nunes &#8211; e não Delatour &#8211; quem nos interessa aqui.</p>
<p>A dedicatória, que Milton Hatoum firmou com orgulho, não é mera formalidade. Aos 65 anos, freqüentador assíduo do meio intelectual francês e norte-americano, o paraense Benedito Nunes poderia dizer, sem medo de errar, que também para ele as viagens servem para purificar a visão. Professor da Universidade do Pará e prestigiado conferencista e ensaísta, Benedito Nunes faz muitas viagens, mas retorna sempre a Belém, onde nasceu e nunca deixou de viver.</p>
<p>Ao contrário de Delatour, o professor jamais permitiu que os prazeres do exílio o imobilizassem. Para ele, as viagens apontam sempre para o momento de retorno ao porto de origem. É na volta &#8211; novos olhos diante de velhas paisagens &#8211; que a aventura da viagem atinge seu apogeu.</p>
<p>Com o espírito depurado pelas aventuras intelectuais no Exterior, Benedito Nunes defende, no entanto, uma visão não-regionalista da região amazônica, que a livra das fantasias românticas e das ilusões de inocência virginal. &#8220;Não sou uma planta nativa&#8221;, diz.</p>
<p>Nesta entrevista, Benedito Nunes defende a radicalidade de outros escritores e poetas contemporâneos que, exatamente como ele, conseguiram afirmar a grandeza da Amazônia, sem, no entanto, ceder à força inebriante dos mitos. Admira, por isso, o Márcio Souza de Galvez, o Imperador do Acre, mas já não tem o mesmo entusiasmo por seus romances seguintes. Enaltece as qualidades de escritores e poetas nortistas pouco lidos no sul do País, como Dalcídio Jurandir e Age de Carvalho. E se confessa, fechando o círculo, admirador incondicional do amazonense Milton Hatoum, um ficcionista que, como ele, aprendeu a ver a distância como a forma mais eficaz da proximidade.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; O senhor é um intelectual extremamente fiel à região amazônica. Não paga um caro preço por essa fidelidade?<br />
</span><br />
Benedito Nunes &#8211; Não. Se é isso o que você quer saber, mesmo aqui jamais perco contato com o que se passa no resto do mundo. Tenho sempre me afastado da Amazônia, mas são afastamentos por tempo determinado, com volta fixa e garantida. Minha temporada mais longa no Exterior ocorreu na segunda metade dos anos 60, quando fui leitor em Rennes, na França. Depois, nos anos 80, retornei à França por mais um ano, já como professor. Tenho viajado freqüentemente a Paris e aos Estados Unidos, em particular a Austin, no Texas, para aulas, conferências e debates. Mas faço sempre um movimento de saída e retorno, que é importante porque me confere certo afastamento, sem que os vínculos se quebrem. Não tendo uma radicação extrema ao meio, posso pensar com mais independência e vigor. As viagens me fortalecem.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; O senhor não se sente isolado em relação ao resto do País? Convites para lecionar em grandes capitais brasileiras, certamente, não lhe faltam.<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Mas prefiro permanecer aqui. Não me sinto isolado em Belém do Pará simplesmente porque sou um homem que gosta do isolamento. No Pará tenho muitas relações, muitos amigos, é bom dizer. Mas conservo também, é verdade, a distância e a calma que, para mim, são condições fundamentais para o trabalho intelectual. Vivo sim em um certo isolamento que não deve ser confundido, no entanto, com insulamento. Não estou incomunicável e não é uma fuga. A distância geográfica, ao contrário, me proporciona um refúgio, para o qual posso sempre retornar em segurança. Mas não sou uma planta nativa, presa definitivamente à floresta. Talvez por isso eu entenda a região amazônica sem precisar do apoio dos localismos. Prefiro falar, por exemplo, em uma literatura &#8220;da Amazônia&#8221; e não em literatura &#8220;amazônica&#8221;, denominação que inclui uma perspectiva regionalista. Ao falar em literatura &#8220;da Amazônia&#8221;, estou me referindo apenas a uma origem, uma procedência e nada além disso.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Quem são, segundo sua avaliação, os grandes prosadores vivos dessa literatura da Amazônia?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Temos de falar, primeiro, de Haroldo Maranhão. Ele se mudou há muitos anos para o Rio, mora atualmente em Juiz de Fora, mas tem uma escrita que é muito paraense. Embora com um círculo de leitores bastante restrito, Haroldo é, há algumas décadas, uma figura-chave para a literatura amazônica. Em 1946, ele foi o inventor do suplemento literário da Folha do Norte, de Belém, um importante jornal que não existe mais, com o qual colaboraram não apenas escritores da região, mas também poetas como Bandeira, Cecília e Drummond. O suplemento durou até meados de 1951, mas, antes disso, surgiu um outro, igualmente importante, editado semanalmente pelo jornal A Província do Pará. Foi nesse caderno que Mário Faustino começou sua carreira de escritor, publicando crônicas no estilo de Rubem Braga.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Quais são outros nomes injustamente esquecidos?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Penso, por exemplo, em Dalcídio Jurandir, que começou ainda nos anos 40 com um romance chamado Chove nos Campos de Cachoeiro e não parou mais de escrever. Cachoeiro é uma cidade da Ilha do Maranhão, onde Dalcídio nasceu. De lá para cá, seus romances formam um imenso ciclo amazônico que guarda, no entanto, considerável distância das experiências regionalistas. São ficções que apresentam uma interiorização muito grande, cada vez mais densa; são, na verdade, as aventuras de uma experiência interior. Chego a pensar que o conjunto desses romances forma uma espécie de À La Recherche&#8230; escrita na Amazônica e que Dalcídio é, um pouco, o nosso Proust. Pois veja o paradoxo: ele sempre foi um escritor publicado no Sul, pela Martins, e só agora está sendo republicado lentamente em Belém, pela Cejup,uma pequena editora que se originou do Centro de Estudos Jurídicos da Universidade do Pará.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; No Sul e no Sudeste falamos em literatura do Amazonas e pensamos imediatamente em Márcio Souza e seu Galvez, o Imperador do Acre. O que o senhor pensa desse livro?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Você fala em Márcio Souza e eu penso em Benedito Monteiro, outro escritor paraense bastante esquecido, autor de dois livros, em particular, de que gosto muito: Verde Vago Mundo e O Minossauro. Ambos são escritores que fazem uma elaboração muito importante das experiências lingüísticas da Amazônia, da diversidade de línguas e perspectivas. São exemplos enfáticos de uma literatura não-regionalista, embora feita com matéria-prima da região. Não faz mais sentido pensar, hoje, em literatura regionalista. O regionalismo tem data certa: nasceu romântico, foi batizado pelo naturalismo e foi crismado em 30, pelos modernistas. Depois, se tornou crônico e, por fim, anacrônico. Os dois golpes de morte mais duros no regionalismo brasileiro foram dados por Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto. Essa distinção entre literatura regionalista e não-regionalista é muito importante para entendermos a produção contemporânea, do contrário continuamos presos a velhos mitos e nos cegamos. A literatura regionalista, oje, não tem mais força na Amazônia. Basta pensar em Márcio Souza e também em Milton Hatoum. Ela sobrevive, de forma decadente, apenas entre os contistas. Nada mais.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Qual a importância de Galvez para a literatura da Amazônia?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Galvez é um romance escrito dentro da tradição picaresca e foi muito importante retomá-la na Amazônia. Haroldo Maranhão escreveu também um romance dentro dessa tradição, em que ele a prepara ainda com mais refinamento. Refiro-me a O Tetraneto del Rey, em que ele faz uma paródia do modo de escrever seiscentista. Haroldo Maranhão tem sempre muito sucesso nessas experiências. Em Memorial do Fim, sobre os últimos dias de Machado de Assis, por exemplo, ele mimetiza de modo impressionante a escrita machadiana. Eis outro livro que passou despercebido, mas tem qualidades parodísticas extraordinárias.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; O senhor não parece muito empolgado com Márcio Souza.<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Dos outros romances de Márcio Souza, na verdade, eu não gosto tanto. Penso que, embora aqui e ali ele encontre certa perspicácia, no geral ele perde por completo a mão na linguagem. Há quem relacione essa degeneração com sua mudança para o Sul, mas penso que é mais um fato interno da obra. A verdade é que, depois do Galvez, ele nunca mais foi o mesmo escritor.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Qual a real importância do Relato de um Certo Oriente, de Milton Hatoum?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; É a &#8220;desterritorialização&#8221;, que Milton sabe transformar em qualidade. Já me referi a essa experiência quando falei de mim mesmo. No livro de Milton, há distância, mas há ao mesmo tempo proximidade. A distância está mais na elaboração. O romance se transforma na busca de um tempo perdido, mas em local bem delineado, pintado com tintas que não são regionalistas. Em dado momento, Milton descreve o quintal de uma casa e, ali, o leitor defronta com todo o mundo amazônico. Esse mundo aparece também nas recordações de seus personagens. Mas há, sempre, um distanciamento reflexivo que confere grandeza ao texto.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; A Amazônia tem, hoje, bons poetas?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Temos Max Martins, um poeta que já está com seus 70 anos e tem uma obra de primeira linha, reunida no volume intitulado Para não Consolar. Temos também o Age de Carvalho, que publicou pela coleção Claro Enigma, aquela que foi dirigida pelo Augusto Massi, em São Paulo. É bem mais jovem, deve ter seus 40 anos, mas é muito chegado a Max Martins. Os dois escreveram, até, um poema a quatro mãos chamado A Fala entre Parênteses, em cuja feitura adotaram os procedimentos da renga. É preciso citar ainda João de Jesus Paes Loureiro, um pouco mais velho que o Age, outro excelente poeta. Temos na Amazônia hoje toda uma geração de bons poetas, mais numerosa e até mais importante que a dos ficcionistas.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Seu livro mais recente, No Tempo do Niilismo e Outros Ensaios, lançado pela Ática em 1993, é uma coletânea de ensaios filosóficos. A filosofia está se tornando mais importante para o senhor do que a literatura?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Minha origem é a literatura. Meu primeiro livro, O Mundo de Clarice Lispector, editado em 1965 pelo governo do Amazonas, é prova disso. Ele reúne artigos que publiquei no suplemento literário do Estadão, ainda no tempo em que ele era dirigido pelo Décio de Almeida Prado. Tenho também um livro mais recente sobre a Clarice, O Drama da Linguagem, que a Ática publicou em 1989.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; Por que essa dedicação, que se alonga por três décadas, ao estudo da obra de Clarice Lispector?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; O que se pode dizer, depois de tudo, sobre a importância de Clarice? Sua escrita é absolutamente ímpar. Há alguns anos participei da organização do volume a ela dedicado pela coleção Archives, de Paris. Organizamos uma edição crítica de A Paixão Segundo G.H., uma edição crítica atípica, porque não havia originais do livro. Para compensar, a Casa de Rui Barbosa me ofereceu para consulta os originais de um conto de Clarice, A Bela e a Fera, um dos últimos que escreveu. Nós o reproduzimos na edição crítica de G.H. e pudemos assim mostrar a maneira entrecortada de escrever que Clarice cultivava. É como se ela escrevesse por fulgurações. O confronto do original com o texto definitivo mostra com muita clareza esses movimentos dentro de sua escrita.</p>
<p><span style="color:#000080;">Caderno 2 &#8211; O que houve com os originais de G.H.?<br />
</span><br />
Nunes &#8211; Infelizmente, eles estão perdidos, ao que parece para sempre. Tentei localizá-los nos arquivos da extinta editora Sabiá, que primeiro editou o livro, mas não tive sorte. Têm um destino enigmático. A Clarice talvez tenha, não digo que motivado isso, mas pelo menos ajudado nesse desaparecimento. Ela foi uma escritora que não tinha grande estima pelos originais. Uma vez o texto publicado, não se interessava mais pelo que tinha escrito.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">****</span> <span style="color:#00ff00;">*** *</span> <span style="color:#0000ff;">****</span></p>
<p>Publicado originalmente <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/castel06.html" target="_blank">em Jornal de Poesia.</a><br />
(todos os direitos reservados)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/533/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/533/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=533&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Benedito Nunes (1929-2001)- RIP</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 14:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Belém]]></category>
		<category><![CDATA[Benedito Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, em Belém, morreu o professor, pensador, escritor,  Benedito José Viana da Costa Nunes. Palavras? Palvras não há. -=&#8212;=-=-= Leia aqui, o texto-homenagem: Benedito Nunes, o iluminista dos trópicos. Na excelente Revista Brasileiros. Aqui, uma bela matéria da Revista CULT.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=527&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/02/bendito-nunes-dona-clarice.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2891" title="Bendito Nunes-&quot;Dona&quot; Clarice" src="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/02/bendito-nunes-dona-clarice.jpg?w=584" alt=""  /></a></p>
<p>Hoje, em Belém, morreu o professor, pensador, escritor,  <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Benedito_Nunes" target="_blank">Benedito José Viana da Costa Nunes</a></strong>. Palavras? Palvras não há.</p>
<p>-=&#8212;=-=-=</p>
<p><a href="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/02/benedito-nunes-o-iluminista-dos-tropicos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2890" title="benedito nunes-o-iluminista-dos-tropicos" src="http://flabbergasted2.files.wordpress.com/2011/02/benedito-nunes-o-iluminista-dos-tropicos.jpg?w=584" alt="Benedito Nunes, um sábio, o mestre. clique para ampliar"   /></a></p>
<p>Leia aqui, o texto-homenagem:</p>
<p><strong><a title="Revista Brasileiros." href="http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/25/textos/673/" target="_blank">Benedito Nunes, o iluminista dos trópicos.</a></strong></p>
<p>Na excelente<strong> <a href="http://www.revistabrasileiros.com.br" target="_blank">Revista Brasileiros</a>.</strong></p>
<p><strong><a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/perfil-benedito-nunes/" target="_blank">Aqui, uma bela matéria da Revista CULT.</a></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/527/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/527/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=527&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Bendito Nunes-&#34;Dona&#34; Clarice</media:title>
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		<title>TUTAMÉIA , Prefácio de Paulo Rónai</title>
		<link>http://subrosa3.wordpress.com/2011/02/25/tutameia-prefacio-de-paulo-ronai/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Feb 2011 21:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Tutaméia João Guimarães Rosa por  Paulo Rónai Toda pessoa, sem dúvida, é um exemplar único, um acontecimento que não se repete. Mas poucas pessoas, talvez nenhuma, lembravam essa verdade com tamanha força como João Guimarães Rosa. Os testemunhos publicados depois &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/02/25/tutameia-prefacio-de-paulo-ronai/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=520&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;"><span style="font-size:15px;font-weight:bold;">Tutaméia </span></div>
<div style="text-align:justify;">
<h3>João Guimarães Rosa</h3>
<p>por  <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_R%C3%B3nai" target="_blank">Paulo Rónai</a></strong><br />
Toda pessoa, sem dúvida, é um exemplar único, um acontecimento que não se repete. Mas poucas pessoas, talvez nenhuma, lembravam essa verdade com tamanha força como João Guimarães Rosa. Os testemunhos publicados depois de sua morte repentina refletiam, todos, como que um sentimento de desorientação, de pânico ante o irreparável. Desejaria ter-lhes acrescentado o meu depoimento, e no entanto senti-me inibido de fazê-lo. Não estava preparado para sobreviver a Guimarães Rosa: preciso de tempo para me compenetrar dos encargos dessa sobrevivência.<br />
Aqui está, porém, o último livro do escritor, Tutaméia, publicado poucos meses antes da sua morte, a exigir leitura e reflexão. Por mais que o procure encarar como mero texto literário, desligado de contingências pessoais, apresenta-se com agressiva vitalidade, evocando inflexões de voz, jeitos e maneiras de ser do homem e amigo. A leitura de qualquer página sua é um conjuro.<br />
Como entender o título do livro? No Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa encontramos tuta-e-meia definida por mestre Aurélio como &#8220;ninharia, quase nada, preço vil, pouco dinheiro&#8221;. Numa glosa da coletânea o próprio contista confirma a identidade dos dois termos, juntando-lhes outros equivalentes pitorescos, tais como &#8220;nonada, baga, ninha, inânias, ossos de borboleta, quiquiriqui, mexinflório, chorumela, nica&#8221;.<br />
Atribuiria ele realmente tão pouco valor ao volume fórmula como antífrase carinhosa e, talvez, até supersticiosa? Inclino-me para esta última suposição. Em conversa comigo (numa daquelas conversas esfuziantes, estonteantes, enriquecedoras e provocadoras que tanta falta me hão de fazer pela vida afora), deixando de lado o recato da despretensão, ele me segredou que dava a maior importância a este livro, surgido em seu espírito como um todo perfeito não obstante o que os contos necessariamente tivessem de fragmentário. Entre estes havia inter-relações as mais substanciais, as palavras todas eram medidas e pesadas, postas no seu exato lugar, não se podendo suprimir ou alterar mais de duas ou três em todo o livro sem desequilibrar o conjunto. A essa confissão verbal acresce outra, impressa no fim da lista dos equivalentes do título, como mais uma equação: &#8220;meaomnia&#8217;&#8221;. Essa etimologia, tão sugestiva quanto inexata, faz tutaméia vocábulo mágico tipicamente rosiano, confirmando a asserção de que o ficcionista pôs no livro muito, senão tudo, de si. Mas também em nenhum outro livro seu cerceia o humor a esse ponto as efusões, ficando a ironia em permanente alerta para policiar a emoção.<br />
– Por que Terceiras estórias – perguntei-lhe – se não houve as segundas?<br />
– Uns dizem: porque escritas depois de um grupo de outras não incluídas em Primeiras estórias. Outros dizem: porque o autor, supersticioso, quis criar para si a obrigação e a possibilidade de publicar mais um volume de contos, que seriam então as Segundas estórias.<br />
– E que diz o autor?<br />
– O autor não diz nada – respondeu Guimarães Rosa com uma risada de menino grande, feliz por ter atraído o colega a uma cilada.<br />
Mostrou-me depois o índice no começo do volume, curioso de ver se eu lhe descobria o macete.<br />
– Será a ordem alfabética em que os títulos estão arrumados<br />
– Olhe melhor: há dois que estão fora da ordem.<br />
– Por quê?<br />
– Senão eles achavam tudo fácil.<br />
&#8220;Eles&#8221; eram evidentemente os críticos. Rosa, para quem escrever tinha tanto de brincar quanto de rezar, antegozava-lhes a perplexidade encontrando prazer em aumentá-la. Dir-se-ia até que neste volume quis adrede submetê-los a uma verdadeira corrida de obstáculos.<br />
Seria esse o motivo principal da multiplicação dos prefácios, de que o livro traz não um, mas quatro?<br />
Prefácio por definição é o que antecede uma obra literária. Mas no caso do leitor que não se contenta com uma leitura só, mesmo um prefácio colocado no fim poderá ter serventia.<br />
Estórias à primeira vista, num segundo relance os prefácios hão de revelar uma mensagem. Juntos compõem ao mesmo tempo uma profissão de fé e uma arte poética em que o escritor, através de rodeios, voltas e perífrases, por meio de alegorias e parábolas, analisa o seu gênero, o seu instrumento de expressão, a natureza da sua inspiração, a finalidade da sua arte, de toda arte.<br />
Assim &#8220;Aletria e hermenêutica&#8221; é pequena antologia de anedotas que versam o absurdo; mas é, outrossim, uma definição de &#8220;estória&#8221; no sentido especificamente guimaraes-rosiano, constante de mostruário e teoria que se completam. Começando por propor uma classificação dos subgêneros do conto, limita-se o autor a apontar germes de conto nas &#8220;anedotas de abstração&#8221;, isto é, nas quais a expressão verbal acena a realidades inconcebíveis pelo intelecto. Suas estórias, portanto, são &#8220;anedóticas&#8221; na medida em que certas anedotas refletem, sem querer, &#8220;a coerência do mistério geral que nos envolve e cria&#8221; e faz entrever &#8220;o supra-senso das coisas&#8221;.<br />
&#8220;Hipotrélico&#8221; aparece como outra antologia, desta vez de divertidas e expressivas inovações vocabulares, não lhe faltando sequer a infalível anedota do português. E é a discussão, às avessas, do direito que tem o escritor<br />
de criar palavras, pois o autor finge combater &#8220;o vezo de palavrizar&#8221;, retomando por sua conta os argumentos de que já se viu acossado como deturpador do vernáculo e levando-os ao absurdo: põe maliciosamente a vista as inconseqüências dos que professam a partenogênese da língua e se pasmam ante os neologismos do analfabeto, mas se opõem a que &#8220;uma palavra nasça do amor da gente&#8221;, assim &#8220;como uma borboleta sai do bolso da paisagem&#8221;. A &#8220;glosação em apostilas&#8221; que segue esta página reforça-lhe a aparência pilhérica, mas em Guimarães Rosa zombaria e pathos são como o reverso e o anverso da mesma medalha. O primeiro &#8220;prefácio&#8221; bastou para nos fazer compreender que em suas mãos até o trocadilho vira em óculo para espiar o invisível.<br />
&#8220;Nós os temulentos&#8221; deve ser mais que simples anedota de bêbado, como se nos depara. Conta a odisséia que para um borracho representa a simples volta a casa. Porém os embates nos objetos que lhe estorvam o caminho envolvem-no em uma sucessão de prosopopéias, fazendo dele, em rivalidade com esse outro temulento que é o poeta, um agente de transfigurações do real.<br />
Finalmente confissões das mais íntimas apontam nos sete capítulos de Sobre a escova e a dúvida, envolvidas não em disfarces de ficção, como se dá em tantos narradores, mas, poeticamente, em metamorfoses léxicas e sintáticas.<br />
É o próprio ficcionista que entrevemos de início num restaurante chic de Paris a discutir com um alter ego, também escritor, também levemente chumbado, que lhe censura o alheamento a realidade: &#8220;Você evita o espir-<br />
rar e o mexer da realidade, então foge-não-foge.&#8221; Surpreendidos de se encontrarem face a face, os dois eus encaram-se reciprocamente como personagens saídas da própria imaginativa, perturbados e ao mesmo tempo encantados com a sua &#8220;sociedade&#8221; (sic!), tecendo uma palestra rapsódica de ébrios em que o tema do engagement ressurge volta e meia como preocupação central. O Rosa comprometido sugere ao Rosa alheado escreverem um livro juntos; este não lhe responde a não ser através da ironia discreta com que sublinha o contraste do ambiente luxuoso com o ideal &#8220;da rude redenção do povo&#8221;.<br />
Mas a resposta é acusação de alheamento deve ser buscada também e sobretudo nos capítulos seguintes. Em primeiro lugar, põe-se em dúvida a natureza da realidade através da parábola da mangueira, cada fruta da qual reproduz em seu caroço o mecanismo de outra mangueira; e o inacessível nos elementos mais óbvios do cotidiano real e aduzido, afirmado, exemplificado. Depois de tentar encerrar em palavras o cerne de uma experiência mística, sua, o autor procura captar e definir os eflúvios de um de seus dias &#8220;aborígenes&#8221; a oscilar incessantemente entre azarado e feliz, até enredá-lo numa decisão irreparável. Possivelmente há em tudo isto uma alusão à reduzida influência de nossa vontade nos acontecimentos, as decorrências totalmente imprevisíveis de nossos atos. A seguir, evoca o escritor o seu primeiro inconformismo de menino em discordância com o ambiente sobre um assunto de somenos, o uso racional da escova de dentes; o que explicaria a sua não-participação numa época em que a participação do escritor é palavra de ordem. Nisto, passa a precisar (ou antes a circunscrever) a natureza subliminar e supraconsciente da inspiração, trazendo como exemplo a gênese de várias de suas obras, precisamente as de mais valor, antes impostas do que projetadas de dentro para fora.<br />
Para arrematar a série de confidências, faz-se o contista intermediário da lição de arte que recebeu de um confrade não sofisticado, o vaqueiro poeta em companhia de quem seguira as passadas de uma boiada. Ao contar ao trovador sertanejo o esboço de um romance projetado, este lhe exprobrou decididamente o plano (talvez, excogitado de parceria com o sósia de Montmartre), numa condenação implícita da intencionalidade e do realismo: &#8220;Um livro a ser certo devia de se confeiçoar da parte de Deus, depor paz para todos.&#8221;<br />
Arrependido de tanto haver revelado de suas intuições, o escritor, noutro esforço de despistamento, completou o quarto e último prefácio com um glossário de termos que nele nem figuram, mas que representam outras tantas idiossincrasias suas, ortográficas e fonéticas, a exigir emendas nos repositórios da língua.<br />
Absorvidos pelos prefácios, ei-nos apenas no limiar dos quarenta contos merecedores de outra tentativa de abordagem. Quantas vezes, mesmo nesta breve cabra-cega preliminar, terei passado ao lado das intenções es-<br />
quivas do contista, quantas vezes as suas negaças me terão levado a interpretações erradas? Só poderia dizê-lo quem não mais o pode dizer; mas será que o diria?<br />
Descontados os quatro prefácios, Tutaméia, de Guimarães Rosa, contém quarenta &#8220;estórias&#8221; curtas, de três a cinco páginas, extensão imposta pela revista em que a maioria (ou todas) foram publicadas. Longe de constituir um convite à ligeireza, o tamanho reduzido obrigou o escritor a excessiva concentração. Por menores que sejam, esses contos não se aproximam da crônica; são antes episódios cheios de carga explosiva, retratos que fazem adivinhar os dramas que moldaram as feições dos modelos, romances em potencial comprimidos ao máximo. Nem desta vez a tarefa do leitor é facilitada. Pelo contrario, quarenta vezes ha de embrenhar-se em novas veredas, entrever perspectivas cambiantes por trás do emaranhado de outros tantos silvados. Adotando a forma épica mais larga ou gênero mais epigramático, Guimarães Rosa ficava sempre (e cada vez mais) fiel à sua fórmula, só entregando o seu legado e recado em troca de atenção e adesão totais.<br />
A unidade dessas quarenta narrativas está na homogeneidade do cenário, das personagens e do estilo. Todas elas se desenrolam diante dos bastidores das grandes obras anteriores; as estradas, os descampados, as matas, os lugarejos perdidos de Minas, cuja imagem se gravara na memória do escritor com relevo extraordinário. Cenários ermos e rústicos, intocador pelo progresso, onde a vida prossegue nos trilhos escavados por uma rotina secular, onde os sentimentos, as reações e as crenças são os de outros tempos. Só por exceção aparece neles alguma pessoa ligada ao século XX, à civilização urbana e mecanizada; em seus caminhos sem fim, topamos com vaqueiros, criadores de cavalos, caçadores, pescadores, barqueiros, pedreiros, cegos e seus guias, capangas, bandidos, mendigos, ciganos, prostitutas, um mundo arcaico onde a hierarquia culmina nas figuras do fazendeiro, do delegado e do padre. A esse mundo de sua infância o narrador mantém-se fiel ainda desta vez; suas andanças pelas capitais da civilização, seus mergulhos nas fontes da cultura aqui tampouco lhe forneceram temas ou motivos, o muito que vira e aprendera pela vida afora serviu-lhe apenas para aguçar a sua compreensão daquele universo primitivo, para captar e transmitir-lhe a mensagem com mais perfeição.<br />
Através dos anos e não obstante a ausência, o ambiente que se abrira para seus olhos deslumbrados de menino conservou sempre para ele suas cores frescas e mágicas. Nunca se rompeu a comunhão entre ele e a paisagem, os bichos e as plantas e toda aquela humanidade tosca em cujos espécimes ele amiúde se encarnava, partilhando com eles a sua angustia existencial. A cada volta do caminho suas personagens humildes, em luta com a expressão recalcitrante, procuram definir-se, tentam encontrar o sentido da aventura humana: &#8220;Viver é obrigação sempre imediata&#8221;; &#8220;Viver seja talvez somente guardar o lugar de outrem, ainda diferente, ausente.&#8221; &#8220;A gente quer mas não consegue furtar no peso da vida.&#8221; &#8220;Da vida sabe-se: o que a ostra percebe do mar e do rochedo.&#8221; &#8220;Quem quer viver, faz mágica.&#8221; A transliteração desse universo opera-se num estilo dos mais sugestivos, altamente pessoal e no entanto determinado em sua essência pelas tendências dominantes, às vezes contraditórias, da fala popular. O pendor do sertanejo para o lacônico e sibilino, o pedante e o sentencioso, o tautológico e o eloqüente, a facilidade com que adapta o seu cabedal de expressões as situações cambiantes, sua inconsciente preferência pelos subentendidos e elipses, seu instinto de enfatizar, singularizar e impressionar são aqui transformados em processos estilisticos. Na realidade o neologismo desempenha nesse estilo papel menor do que se pensa. Inúmeras vezes julga-se surpreender o escritor em flagrante de criação léxica, recorre-se, porém, ao dicionário, lá estará o vocábulo insólito (acamonco, alarife, avejão, brujajara, cara fuz, chuchorro, esmar, ganja, grinfo, gueta, jaganata, marupiara, nomina, panema, pataratesco, quera, safio, seresma, sessil, uca, vogoroca etc) rotulado de regionalismo, plebeísmo, arcaísmo ou brasileirismo, outras vezes, não menos freqüentes, a palavra nova representa apenas uma utilização das disponibilidades da língua, registrada por uma memória privilegiada ou esguichada pela linspiração do momento (associoso, borralheirar, convidatividade, de extraordem, inaudimento, infinição, inteligentudo, inventação, mal-entender-se, mirificacia, orabolas deles!, reflor!, reminisção etc) Com freqüência bem menor há, afinal, as criações de inegável cunho individual, do tipo dos amálgamas, abusufruto, fraternura, lunático de mel, metalurgir, orfandade, psiquepiscar, utopiedade com que o espírito lúdico se compraz a matizar infinitamente a língua. Porém, as maiores ousadias desse estilo, as que o tornam por vezes contundente e hermético são sintáticas: as frases de Guimarães Rosa carregam-se de um sentido excedente pelo que não dizem, num jogo de anacolutos, reticências e omissões de inspiração popular, cujo estudo está por fazer.<br />
Estonteado pela multiplicidade dos temas, a polifonia dos tons, o formigar de caracteres, o fervilhar de motivos, o leitor naturalmente há de, no fim do volume, tentar uma classificação das narrativas. é provável que a ordem<br />
alfabética de sua colocação dentro do livro seja apenas um despistamento e que a sucessão delas obedeça a intenções ocultas. Uma destas será provavelmente a alternância, pois nunca duas peças semelhantes se seguem. A instantâneos mal esboçados de estados de alma sucedem densas microbiografias; a patéticos atos de drama rápidas cenas divertidas; incidentes banais do dia-a-dia alternam com episódios lírico-fantásticos.<br />
Entre os muitos critérios possíveis de arrumação vislumbra-se-me um sugerido pelo que, por falta de melhor termo, denominaria de atonímia metafísica. Essa figura estilística, de mais a mais freqüente nas obras do nosso autor, surge em palavras que não indicam manifestação do real e sim abstrações opostas a fenômenos percebíveis pelos sentidos, tais como: antipesquisas, acronologia, desalegria, improrrogo, irriticencia, desverde, incogitante, descombinar (com alguém), desprestar (atenção), inconsiderar, indestruir, inimaginar, irrefotar-se etc, ou em frases como &#8220;Tinha o para não ser célebre.&#8221; Dentro do contexto, tais expressões claramente indicam algo mais do que a simples negação do antônimo: aludem a uma nova modalidade de ser ou de agir, a manifestações positivas do que não é.<br />
Da mesma forma, na própria contextura de certos contos o inexistente entremostra a vontade de se materializar. Em conversa ociosa, três vaqueiros inventam um boi cuja idéia há de lhes sobreviver consolidada em mito incipiente (&#8220;Os três homens e o boi&#8221;). Alguém, agarrado a um fragmento de frase que lhe sobrenada na memória, tenta ressuscitar a mocidade esquecida (&#8220;Lá nas campinas&#8221;). Ameaça demoníaca de longe, um touro furioso se revela, visto de perto, um marrua manso (&#8220;Hiato&#8221;).<br />
Noutras peças, o que não é passa a influir efetivamente no que é, a moldá-lo, a mudar-lhe a feição. O amante obstinado de uma megera, ao morrer, transmite por um instante aos demais a enganosa imagem que dela formara &#8220;Reminisção&#8221;). A idéia da existência, longe, de um desconhecido benfazejo ajuda um desamparado a safar-se de suas crises (&#8220;Rebimba o bom&#8221;). Um rapaz ribeirinho consome-se de saudades pela outra margem do rio, até descobrir o mesmo mistério na moça que o ama (&#8220;Ripuaria&#8221;). Alguém (&#8220;João Porém, o criador de perus&#8221;) cria amor e mantém-se fiel a uma donzela inventada por trocistas.<br />
Num terceiro grupo de estórias por trás do enredo se delineia outra que poderia ter havido, a alternativa mais trágica a disponibilidade do destino. O povo de um lugarejo livra-se astutamente de um forasteiro doente em quem se descobre perigoso cangaceiro (&#8220;Barra de Vaca&#8221;). Um caçador vindo da cidade com intuito de pesquisas escapa com solércia há armadilhas que lhe prepara a má vontade do hospedeiro bronco (&#8220;Como ataca a sucuri&#8221;). Enganado duas vezes, um apaixonado prefere perdoar à amada e, para depois viverem felizes, reabilita a fugitiva com paciente labor junto aos vizinhos (&#8220;Desenredo&#8221;).<br />
Noutros contos o desenlace não e um &#8220;desenredo&#8221;, mas uma solução totalmente inesperada. Atos e gestos produzem resultados incalculáveis num mundo que escapa às leis da causalidade: daí a multidão de milagres esperando a sua vez em cada conto. Por entender de través uma frase de sermão, um lavrador (&#8220;Grande Gedeão&#8221;) pára de trabalhar; e melhora de sorte. Um noivo amoroso que sonhava com um lar bonito e abandonado pela noiva; mas o sonho transmitiu-se ao pedreiro (&#8220;Curtamão&#8221;) e nasce uma escola. Para que a vocação de barqueiro desperte num camponês é preciso que uma enchente lhe desbarate a vida (&#8220;Azo de almirante&#8221;).<br />
Nessa ordem de eventos, uma personagem folclórica (&#8220;Melim-Meloso&#8221;), cuja força consiste em desviar adversidades extraindo efeitos bons de causas ruins, apoderou-se da imaginação do escritor a tal ponto que ele<br />
promete contar mais tarde as aventuras desse novo Malasarte. Infelizmente não mais veremos essa continuação que, a julgar pelo começo, ia desabrochar numa esplêndida fábula; nem a grande epopéia cigana de que neste livro afloram três leves amostras (&#8220;Faraó e a Água do rio&#8221;, &#8220;O outro ou o outro&#8221;, &#8220;Zingaresca&#8221;), provas da atracão especial que exercia sobre o erudito e o poeta esse povo de irracionais, ébrios de aventura e de cor, refratários é integração social, artistas da palavra e do gesto.<br />
Muito tempo depois de lidas, essas histórias, e outras que não pude citar, germinam dentro da memória, amadurecem e frutificam, confirmando a vitória do romancista dentro de um gênero menor. Cada qual descobrira dentro das quarenta estórias a sua, a que mais lhe desencadeia a imaginação. Seja-me permitido citar as duas que mais me subjugaram pela sua condensação, dos romances em embrião que fazem descortinar os horizontes mais amplos. &#8220;Antiperipléia&#8221; e o relatório feito em termos ambíguos por um aleijado, ex-guia de cego, do acidente em que seu chefe e protegido perdeu a vida. Confidente, alcoviteiro e rival do morto, o narrador ressuscita-o aos olhos dos ouvintes enquanto tenta fazê-los partilhar seus sentimentos alternados de ciúme, compaixão e ódio; &#8220;Esses Lopes&#8221; é a história, também contada pela protagonista, de um clã de brutamontes violentos que pere-<br />
cem um após outro, vítimas da mocinha indefesa a quem julgavam reduzir a amante e escrava. Duas obras-primas em poucas páginas que bastavam para assegurar a seu autor uma posição excepcional.</p>
<p>(In João Guimarães Rosa, ficção completa, Editora Nova Aguilar, 1994)</p>
</div>
<div style="text-align:justify;">Postado por Meg Guimarães <a href="http://web.archive.org/web/20030401214134/http://www.meguimaraes.com/imagensepalavras/arquivo/001995.html#001995"><img src="http://web.archive.org/web/20030401214134/http://meguimaraes.com/imagensepalavras/imagens/ic_pl.gif" border="0" alt="link permanente para este texto" width="8" height="9" /></a> <strong>27 fev 2003</strong> @ 00:39 |</div>
<p style="text-align:justify;">=-=-=</p>
<p style="text-align:justify;">Sobre Paulo Rónai: <strong><a href="http://mek.niif.hu/07200/07245/07245.pdf" target="_blank">Paulo Rónai, um brasileiro made in Hungary</a>.</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/520/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/520/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=520&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>LILITCHKA &#8211; Wladimir Maiakovski</title>
		<link>http://subrosa3.wordpress.com/2011/02/02/lilitchka-wladimir-maiakovski/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 22:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maiakovski]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Wladimir Maiakovski]]></category>

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		<description><![CDATA[LILITCHKA (fragmentos) para Lília Brik (&#8230;) Afora o teu amor para mim não há mar, e a dor do teu amor nem a lágrima alivia Afora o teu amor para mim não há sol e eu não sei onde estás nem &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/02/02/lilitchka-wladimir-maiakovski/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=508&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LILITCHKA (<em>fragmentos</em>)<br />
<span style="font-family:'Century Gothic';font-size:small;"><strong>para <em>Lília Brik</em></strong><br />
(&#8230;)<br />
Afora o teu amor<br />
para mim<br />
não há mar,<br />
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia<br />
Afora o teu amor<br />
para mim não há sol<br />
e eu não sei onde estás nem com quem.<br />
Se ela assim torturasse um poeta<br />
ele<br />
trocaria sua amada por dinheiro e glória<br />
mas a mim<br />
nenhum som me importa<br />
afora o som do teu nome que eu adoro<br />
E não me lançarei no abismo,<br />
e não beberei veneno,<br />
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.</span></p>
<p><span style="font-family:'Century Gothic';font-size:small;"><br />
Afora<br />
o teu olhar<br />
nehuma lâmina me atrai com seu brilho.<br />
Amanhã esquecerás<br />
que te pus num pedestal,<br />
que incendiei de amor uma alma livre,<br />
e os dias vãos &#8211; rodopiante carnaval -<br />
dispersarão as folhas dos meus livros&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family:'Century Gothic';font-size:small;">Acaso as folhas secas destes versos<br />
far-te-ão parar<br />
respiração opressa?</span></p>
<p><span style="font-family:'Century Gothic';font-size:small;">Deixa-me ao menos<br />
arrelvar numa última carícia<br />
teu passo que se apressa.</span></p>
<p><span style="font-family:'Century Gothic';font-size:small;"><strong>Wladimir Maiakóvski</strong> &#8220;Em lugar de uma carta&#8221;.<br />
26 de maio de 1916 (Petrogrado)</span></p>
<p>=-=-=-=-=<br />
<a title="melhor fonte" href="http://www.xenia.com.br/jornal/maiakovski.htm" target="_blank"> Lilia Yúrievna Brik  - </a><strong><a title="melhor fonte" href="http://www.xenia.com.br/jornal/maiakovski.htm" target="_blank">Ler aqui.</a></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/508/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=508&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>House addiction &#8211; who cares?</title>
		<link>http://subrosa3.wordpress.com/2011/01/09/house-addiction-who-cares/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Jan 2011 17:23:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sub rosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[House]]></category>
		<category><![CDATA[séries]]></category>
		<category><![CDATA[HOUSE MD]]></category>

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		<description><![CDATA[Responda, sem pensar muito:-) - você gosta de segundas feiras (não dá pra esperar os 17 dias de diferença entre o novo e o que vai no ar na universal, você simplesmente precisa ver house na segunda-feira ou nem consegue &#8230; <a href="http://subrosa3.wordpress.com/2011/01/09/house-addiction-who-cares/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=498&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Responda, sem pensar muito:-)</p>
<div style="text-align:justify;">
<ul>
<li>- você gosta de segundas feiras (não dá pra esperar os 17 dias de diferença entre o novo e o que vai no ar na universal, você simplesmente precisa ver house na segunda-feira ou nem consegue dormir, mesmo para quem não fala nada de inglês, só ver as cenas já bastam)</li>
<li>- antes de dizer oi ou bom dia, a 1ª coisa q vc fala para outro housemaniac é você viu o q o chase fez?</li>
<li>- você divide seus amigos virtuais em huddys e hamerons (eu ainda sou hameron, por sinal, mesmo que completamente desiludida considerando os atuais eventos)</li>
<li>- você sabe o que foi o #housecuddyday</li>
<li>-quando vai ao medico, você passa a duvidar do diagnostico que ele te deu</li>
<li>- siglas como LP, RMI, MS são facilmente entendidas</li>
<li>= teardrop é sua musica preferida</li>
<li>-você imagina o que o foreman encontaria se tivesse q invadir sua casa</li>
<li>- você pensa diferential, go!</li>
<li>- você pensa: hello, sick people! ao entrar num hospital</li>
<li>- você sabe q não é lupus, its never lupus (apenas uma unica vez, e a Cameron já nem estava mais na equipe para ter a típica briga é lupus é cancer com o Foreman)</li>
<li>- você sabe que: &#8220;people don&#8217;t change&#8221;</li>
<li>- você xinga os outros de: you, morrows!</li>
<li>- você ainda espera o dia que vai ter um diaganostico de esclerose multipla (MS) só para o Foreman ficar feliz</li>
<li>- você sabe perfeitamente bem o que é Doança de Huntington</li>
<li>- você diz &#8220;interesting&#8221; em grande frequencia</li>
<li>- você sabe quem é RSL</li>
<li>- você assistiu year one inteiro só pq a olivia fez (esse eu não consegui)</li>
<li>- o toque do seu celular é mmmbop do hanson</li>
<li>- você sabe que o número da casa do House é 221b é uma referencia ao Sherlock Holmes</li>
<li>- você sabe quantas vezes o Wilson foi casado</li>
<li>- você reassistiu 101 dalmatas e Stuart Little só porque o Hugh Laurie fez</li>
<li>- você não precisa assistir The O.C. é apenas algo que te faz feliz (e porque a Olivia Wilde fez)</li>
<li>- você segue o Omar (@omarepps), a Olivia (@oliviawilde), o Greg Yaitanes (@GregYaianes)e até a Anne (@annedudek) no twitter só para ter qualquer novidade sobre a série.</li>
</ul>
<p>Se você marcou pelo menos 5 das opções abaixo: parabens vc é um housemaniac como eu e você precisa ser internado em Mayfield ou ir a clinica do PPTH  p ser encaminhado para a Lucas Wing.</p>
<p>Meu novo blog: <a href="http://greghousemaniac.blogspot.com/">http://greghousemaniac.blogspot.com/</a></p>
</div>
<div>
<div style="text-align:justify;">Confira aqui:</div>
<div style="text-align:justify;">Texto retirado da fonte original: <a title="house, house, house" href="http://onlyanotherblog.blogspot.com/2009/11/sinais-de-que-voce-e-viciado-em-house.html" target="_blank">WHO CARES</a>/POSTADO em 22/11;2020- <a title="permanent link" rel="bookmark" href="http://onlyanotherblog.blogspot.com/2009/11/sinais-de-que-voce-e-viciado-em-house.html"><abbr title="2009-11-22T17:23:00-08:00">17:23</abbr></a></div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/subrosa3.wordpress.com/498/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/subrosa3.wordpress.com/498/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=subrosa3.wordpress.com&amp;blog=841544&amp;post=498&amp;subd=subrosa3&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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