Greve dos roteiristas e transmissões na Internet

Janeiro 27, 2008

26/01/2008
Greve em Hollywood está de olho no destino das transmissões na Internet
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Yves Eudes
Enviado especial a Los Angeles

Studio City, Los Angeles, 6h da manhã. Assim como vem fazendo diariamente, um grupo de militantes da Writers Guild of America (WGA, o sindicato dos autores e roteiristas de cinema e de televisão) instala o piquete de greve na frente da entrada dos estúdios do canal de televisão CBS. Apesar do vento frio do amanhecer, o ambiente é excelente. Eles trouxeram bules de café, hambúrgueres. Durante a parte da manhã, cerca de sessenta colegas de profissão virão se juntar a eles. Os “strike captains” (chefes do piquete de greve) implantaram um sistema muito eficiente: cada militante deve montar a guarda erguendo um cartaz durante três horas seguidas.

Esta cena vai se repetindo numa dezena de lugares em toda a cidade de Los Angeles, na frente dos estúdios da Disney, Fox, ABC, NBC, Warner, Paramount… A WGA da Costa Oeste conseguiu impor uma disciplina estrita aos seus 7.000 membros. Se um autor tentasse acabar com a greve, ele seria excluído para o restante da sua vida e arriscaria perder as vantagens garantidas pelas convenções coletivas, isso porque a WGA administra as caixas de seguro-doença e de aposentaria dos autores.

O conflito entre a diretoria da WGA e os grandes estúdios, reunidos no quadro da associação AMPTP (Aliança dos Produtores de Cinema e de Televisão), já dura doze semanas. É uma briga complicada, mas, para os militantes de base, ela diz respeito acima de tudo aos “novos veículos de comunicação”, isto é, à Internet. A WGA exige que o sistema dos “residuals”, os royalties suplementares que os autores recebem toda vez que uma obra de ficção é reprisada na televisão, seja aplicado da mesma forma para as transmissões na Internet. Ela reclama também que os autores que trabalhem em ficções destinadas exclusivamente à Internet possam beneficiar das mesmas convenções coletivas e das mesmas vantagens sociais que se eles trabalhassem para a televisão.

Valerie Macon/AFP - 12.dez.2007
Atriz Kimberly Elise participa de piquete dos roteiristas diante dos estúdios da Paramount

Aliás, alguns grandes estúdios de Hollywood já começaram a difundir na Internet séries e filmes, seja gratuitamente em sites financiados pela propaganda, seja sob forma de downloads pagos. Nancy De Los Santos, que é membro do comitê diretor da WGA em Los Angeles, está convencida de que os autores estão lutando pela sua sobrevivência: “Uma temporada inteira da série “Lost” está disponível, em tela cheia, no site da ABC. Em breve, as transmissões deixarão de existir na televisão, e todas elas migrarão para a Internet. Além disso, dentro de quinze anos, a Internet terá provavelmente absorvido a televisão. Se as nossas convenções coletivas não forem aplicadas à Internet, nós teremos perdido todas as vantagens que foram obtidas ao longo de décadas de lutas sindicais”.

Desde o primeiro dia
Depois de dois meses e meio de inatividade, os pequenos autores pouco conhecidos estão numa situação crítica. Don e Cindy Hewitt, um casal que trabalha em equipe, venderam vários roteiros ao longo dos últimos anos e acreditavam que a sua carreira estava bem encaminhada. Eles compraram um apartamento a crédito e acabam de ter um bebê. Mas a greve, que eles apóiam sem restrição, está prestes a empurrá-los rumo à precariedade. “Há dois anos, nós passamos a trabalhar em filmes de animação”, dizem. “Com isso, nós não pudemos mais continuar sendo membros da WGA e, durante um ano, não pudemos contar com a cobertura social. Então, conseguimos vender um projeto de longa-metragem, o que nos permitiu recuperar o seguro-doença, mas, por causa da greve, nós vamos perdê-lo novamente, porque o número de contratos vai se reduzindo, e nós não estamos prestando serviços em quantidade suficiente. Para reembolsar o nosso empréstimo imobiliário, nós estamos recorrendo ao nosso fundo de aposentadoria. Em breve, não teremos mais nada”.

Cindy Hewitt já está prevendo que ela será obrigada a revender o seu belo apartamento. Mas, para ela, está fora de cogitação entregar os pontos: “Se optarmos por aceitar fazer alguns ‘bicos’ para pagar as contas, nós não teremos mais forças para trabalhar em nossos projetos, e acabaremos sendo derrotados em todos os quesitos. Esta greve precisa ser ganha, e rápido”. Os pequenos autores ainda conservam as suas esperanças, isso porque eles vêm sendo apoiados ativamente pelos seus colegas mais ricos. Shawn Ryan, o criador de “The Shield” e “The Unit”, duas séries de orçamento elevado que foram produzidas pela Fox, está muito envolvido neste combate. Ele é roteirista e produtor executivo, o que faz dele o verdadeiro patrão das suas produções. Apesar do dinheiro e do status que possui, ele vem participando da greve desde o primeiro dia, impedindo a conclusão das filmagens da nova temporada de “The Shield”. Recentemente, ele tomou a frente de uma manifestação “selvagem” que visava a perturbar a filmagem em externas de um filme de grande orçamento, cuja produção vem prosseguindo apesar da greve. “Eu gritei tanto que acabei ficando sem voz”, conta Shawn Ryan. “Nós conseguimos atrasar as filmagens e causar sérios problemas para o engenheiro do som”.

Exércitos de advogados cinzentos
Fox aceitava que Shawn Ryan fizesse a greve na qualidade de autor, mas queria obrigá-lo a prosseguir o seu trabalho de produtor: “Na prática, isso não fazia sentido algum e recusei. Então, eles anunciaram que eu havia violado o meu contrato e estão me ameaçando com um processo. Nós vamos também lutar para que não ocorram represálias depois do término da greve, quando recomeçaremos a trabalhar”. Shawn Ryan foi escolhido para integrar a delegação encarregada de retomar as negociações com a AMPTP.

A Internet, que é a causa principal do conflito, também acabou se revelando uma plataforma para enfrentamentos entre os dois campos. A AMPTP criou sites na Web muito ofensivos para com os grevistas, nos quais os roteiristas são descritos como privilegiados birrentos, que não hesitam a empurrar todo mundo rumo ao desemprego, movidos pela ganância. Do outro lado, grupos de roteiristas e de atores puseram para circular na Internet vídeos humorísticos nos quais são ridicularizados os riquíssimos patrões dos estúdios e os seus exércitos de advogados cinzentos.

A WGA conseguiu assinar acordos individuais com algumas produtoras independentes, entre outras a United Artists, que aceitou todas as suas condições. Por sua vez, os grandes estúdios começaram a demitir em massa, começando pelos empregados subalternos, os motoristas, os cozinheiros, os vigias, que são as vítimas silenciosas desta crise. Em breve, chegará a vez dos artistas gráficos, montadores, figurinistas, decoradores, maquiadores, etc. Alguns técnicos já começaram a acusar abertamente a WGA de se mostrar intransigente demais e insensível aos danos colaterais que o movimento está provocando.

Recentemente, as emissoras de televisão começaram a modificar a sua programação. As séries de ficção que foram interrompidas, vão ser substituídas por jogos televisivos e, principalmente, por programas de reality show, o único setor que está se aproveitando da crise.

Tradução: Jean-Yves de Neufville


HOUSE: ética?

Novembro 20, 2007

A casa caiu

Criador da série “House”, que chega ao quarto ano, David Shore adianta os próximos passos do médico ranzinza, abandonado pelos assistentes no fim da temporada passada

Divulgação
 

Hugh Laurie já recebeu dois Globos de Ouro pelo ersonagem-título; “ele trouxe uma carga grande de sarcasmo e grosseria, sem torná-lo hostil’, diz David Shore

LUCAS NEVES
DA REPORTAGEM LOCAL

Ás do diagnóstico, o infectologista Gregory House, protagonista da série que leva seu nome, desta vez falhou: não soube ler os sintomas de insatisfação de sua equipe. Agora, no início da quarta temporada (que estréia nesta quinta, às 23h, no Universal Channel), sente os efeitos colaterais: deixado a sós com sua ranhetice por Foreman, Cameron e cia., não tem a quem esculachar ou exibir seu intelecto.
Mas não há de ser por muito tempo, segundo contou David Shore, criador do programa, na entrevista telefônica a jornalistas latinos da qual a Folha participou, na semana passada.
“Estamos fazendo uma espécie de “Survivor” [reality show americano que inspirou a gincana eliminatória global "No Limite"] neste ano. House não é do tipo que abre um concurso, faz 40 entrevistas e contrata três pessoas. Sua linha é mais contratar 40 e demitir 37. Suas decisões a respeito de quem fica e quem sai darão dicas interessantes sobre quem ele é.”
O “processo seletivo” deve se estender por oito ou nove episódios. Mas o entourage antigo do médico no hospital Princeton-Plainsboro ainda não aposentou os jalecos. “Eles voltarão. A surpresa para o público será a forma como se dará esse retorno”, adianta Shore.
O “enxugamento” súbito de elenco não fez mal à audiência da série. Os sete primeiros episódios da nova safra registraram média de 19,1 milhões de espectadores, garantindo a “House” o sexto lugar no ranking da televisão americana.
No Brasil, em sua terceira temporada, foi o terceiro seriado mais visto nos canais pagos. A Record, que exibe o segundo ano da atração na TV aberta, tem obtido sete pontos (cada ponto equivale a 54,5 mil domicílios na Grande São Paulo), bom índice para uma produção estrangeira.

Perfil contra-indicado
Arrogância, egolatria e rispidez são traços contra-indicados a qualquer protagonista que aspire à admiração do público. Dr. House não dá a mínima para isso -e, ao que parece, nem os fãs da série. “Ele faz sucesso, em primeiro lugar, porque está salvando vidas. Se fosse manobrista e continuasse tão grosseiro, não sairia incólume. Além de ser brilhante no que faz, é capaz de dizer coisas que todos nós gostaríamos de dizer”, diz Shore.
Por sua atuação como o médico genioso, o inglês Hugh Laurie já recebeu dois Globos de Ouro e duas indicações ao Emmy (o prêmio máximo da TV dos EUA). “Ele trouxe ao personagem uma carga grande de sarcasmo e grosseria, sem torná-lo hostil”, elogia o criador da série, advogado de formação que foi buscar na medicina o pano de fundo para seu primeiro hit televisivo.
“Sei que não faz o menor sentido. É que não vejo “House” como um programa médico. O coração da série é a relação do médico com as pessoas e o posicionamento dele diante de dilemas éticos. Não se trata tanto de diagnóstico ou procedimento médico quanto das decisões morais que ele tem de tomar.”

Diga à TV que fico
Com o nome em alta em Hollywood, Shore diz que não pensa em fazer a transição para o cinema. “A televisão é o meio em que você quer estar hoje, nos EUA, se você é um roteirista. Se estivesse fazendo um filme, o diretor reescreveria o meu script. Na TV, sou eu que digo ao diretor o que estamos buscando. O que importa hoje nos filmes é o espetáculo, o que você pode explodir. Por isso é que a televisão começou a atrair roteiristas. Além disso, esse veículo permite explorar um personagem por muitos anos, o que não acontece no cinema, onde você divide duas horas com efeitos especiais.”
A greve dos roteiristas, que há 15 dias paralisa boa parte da produção de conteúdo televisivo nos EUA (a classe pede participação nos lucros com download na internet e vendas de DVDs), já tem consulta marcada com House. “Estamos rodando o 12º episódio. É o último para o qual há script. Não irei reescrevê-lo para que sirva como encerramento da temporada, caso a greve se estenda. Por isso, espero que os produtores ofereçam logo um contrato justo”, afirma Shore.

Retirado daqui: FSP 


WEEDS

Agosto 12, 2007

GNT reapresenta a segunda temporada de ‘Weeds’

A segunda temporada de “Weeds” será reapresentada pelo GNT a partir da próxima segunda-feira, dia 13, às 23h30.

Este ano, a série teve cinco indicações ao Prêmio Emmy, que será realizado em 16 de setembro, no Shrine Auditorium, em Los Angeles.

A terceira temporada vai ao ar no canal em novembro.

No primeiro episódio, a viúva Nancy (Mary-Louise Parker) está tendo que enfrentar um novo problema: seu atual namorado (interpretado por Martin Donovan) é um agente policial da divisão de narcóticos (DEA). Enquanto isso, o filho mais velho de Nancy, Silas (Hunther Parrish), enfrentará diversas situações difíceis e estará mais por dentro do trabalho da mãe.

Paralelamente ao drama de Nancy, “Weeds” aborda outros assuntos que sempre rendem discussões acaloradas, como homossexualismo e a busca pelo padrão estético imposto pela sociedade. Para a atriz Tonye Patano, que vive Heylia, fornecedora de Nancy, a série fala muito sobre indivíduos tentando se completar. “Eles lutam para manter suas necessidades e exercem diferentes efeitos sobre as pessoas”, declara.

PERFIL DOS PERSONAGENS

Nancy Botwin (Mary-Louise Parker): Nancy Botwin é uma viúva, que após a morte do marido, precisa sustentar sozinha a casa e dois filhos. Ela passa a vender maconha para os seus vizinhos na pacata Agrestic, Califórnia. O que ela não imaginava era que o “negócio” fosse tão rentável.

Celia Hodes (Elizabeth Perkins): Amiga de Nancy, Celia é uma mulher ditadora, calculista e fútil, que se acha uma super-mãe. Paranóica ao extremo quando o assunto é obesidade, controla a filha com mãos de ferro.

Doug Wilson (Kevin Nealon): Vivendo 24h por dia sob efeito da maconha, Doug é amigo, contador e conselheiro de Nancy, além de ser um de seus melhores clientes.

Heylia James (Tonye Patano): Heylia é a matriarca de uma família do subúrbio e a fornecedora de maconha para Nancy.

Conrad Shepard (Romany Malco): Um dos filhos de Heylia, que logo no início da série, se interessa por Nancy.

Silas Botwin (Hunter Parrish): Filho mais velho de Nancy, que com apenas 15 anos precisa aprender a ser o homem da casa após a morte repentina do pai.

Shane Botwin (Alexander Gould): Filho mais novo de Nancy. Amável e criativo, é o que mais sente falta da presença do pai e normalmente busca maneiras bizarras e totalmente não convencionais de aplacar seus sentimentos.

Weeds
Segundas, às 23h30