ME AND YOU ARE (AN) ANIMAL, aren’t we?

Dezembro 8, 2008

PELO MENOS 26 MIL ANIMAIS FORAM AFETADOS PELAS ENCHENTES EM SANTA CATARINA; ENTIDADES DE SÃO PAULO ORGANIZAM CAMPANHA PARA DESABRIGADOS

Tobias Mathies/AFPPhoto

Equipe de resgate em busca de sobreviventes
eles precisam de ajuda

por Flávia Gianini

Durante 11 dias, um grupo percorreu a região de Itajaí, a mais afetada pelas chuvas em Santa Catarina, atrás de animais. Era uma caçada do bem. Na peregrinação, conseguiram salvar 80 bichos. Todos eles estavam muito assustados. Alguns, presos em quintais de casas abandonadas. Outros, sobre telhados e carros. A maioria passava frio, fome e sede. Houve casos de cães afundados no meio da lama.

Eles foram alojados no canil da ONG Viva Bicho, que já soma um total de 650 animais. Para complicar a situação, a sede da entidade corre sério risco de desabar. “Isso parece um pesadelo”, desabafa Bianca Jung, 26, secretária da organização.

Vítimas silenciosas da tragédia, cerca de 26 mil animais domésticos foram afetados pelas enchentes, estima a Rede Catarinense de Solidariedade aos Animais (Resa). Analista de ações para catástrofes, o veterinário Werner Payne, da ONG Veterinários Sem Fronteiras, sobrevoou com a Defesa Civil a zona interditada do complexo do Baú, a mais atingida por desmoronamentos.

Cem mil animais, entre aves, porcos e bois, continuam presos na região, segundo estimativa do especialista. Muitos morreram afogados e soterrados.

“A água baixou e agora é possível ver os corpos jogados. Há ainda centenas deles vagando pelas ruas, famintos e com sede”, conta Halem Nery, 61, coordenador da Resa e secretário do Instituto Ambiental Ecosul. Existem bichos presos em casas vazias. Outros estão ilhados em árvores, sem poder se mexer ou se alimentar.

Em meio à tristeza, às mortes e ao sofrimento, a solidariedade promove a esperança. Entidades de defesa de São Paulo começam a organizar campanhas para ajudar os animais em Santa Catarina.

Até a noite da última quinta, cinco casos de leptospirose tinham sido confirmados. Amanhã, uma nova campanha de vacinação em massa deve ser realizada. Para conseguir salvar a vida dos animais abandonados, as entidades contam agora com mais um capítulo da solidariedade humana.

O que doar:
Água potável
Caixa de transporte
Casinha
Coleira
Material de higiene
Ração
Remédios (antibióticos, sarnicidas e anestésicos)
Utensílios médicos (máscaras, luvas, seringas e agulhas)
Vacinas

=-=-=-=-=-=-=

Onde:
Casa do Consolador

(www.casadoconsolador.com.br).

Rua Guapiaçu, 75.

Pet Center Marginal (www.petcentermarginal.com.br). Av. Presidente Castelo Branco (marginal Tietê), 1.795, tel. 2797-7400.

Posto de Coleta. Av. Marechal Mario Guedes, 301, Jaguaré, tel. 3768-1977

E ainda tem mais este que tirei daqui da Fal:

“Eu não fico aqui fazendo altas campanhas, porque acredito do fundo do coração que cada um sabe o que fazer. Mas enfim, a Cora falou, a Jã me escreveu pra reforçar e eu acho que não existe causa mais meritória: os bichinhos de Santa Catarina também são vítimas da tragédia e a gente vive esquecendo deles.
Bianca, da ONG Viva Bicho
(47) 8425-1459 | 9903-5441

Para ajudar a ONG com doações em dinheiro: (porque nessas horas, meus caros, a gente pecisa mesmo é de grana)

Banco do Brasil Ag. 1489-3 cc 20793-4
Associação Viva Bicho
CNPJ 06 156 776 / 0001 – 81

*
É quase sábado, corações, e eu tou voando baixo aqui.”

A Fal é TUDA mesmo, né? Vocês tão lendo e acompanhando a Fal lá no IG, tão ou não tão?. Tá bombando. Tá lindo.
Pois é, imaginem se iam esperar por mim.
Aqui ó:
Esse de hoje, está o fino, quer dizer, o máximo, baratotal, como só ela escreve.
.
Me esperem só um tiquinho mais. Tá, amores?


Sobre Graciliano Ramos, por Rose Prado

Novembro 17, 2008

Perguntas e respostas que fizemos em torno de Graciliano Ramos.

Este texto tem a ver com a série de posts sobre o mesmo assunto publicados no blog Sub Rosa – Flabbergasted

Sobre Graciliano Ramos por Rose Prado. (*)

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano Ramos?

Li Graciliano com uns 20 anos.
O primeiro contato foi acachapante, fiquei horrorizada, cheia de poeira, sede, poeira por dentro. Lágrima por dentro que não sou de chorar.
Ainda que o livro seja linear, diz um caminho a pé, seguindo o trajeto imaginado.
Eu sofri. Eu me identifiquei com Graciliano, na busca da água. E com o Menino Mais Velho, o Menino Mais novo. Porque me faltam palavras.
Li como se o livro fosse eu. Sofri com a morte da Baleia. Faltou água pra eu chorar.
E aquele sangue que Sinha Vitória lambia era eu. Porque a vida que levo é seca, tão seca.
A segunda vez, eu já tinha os conceitos, a Literatura, a estrutura. Então não vou falar sobre o estilo de Graciliano, que não carece.
É o relógio, a faca, o sol pontuando, sem sombra, sem trégua.

2-Acha que o texto dele é de dificil leitura “leitura difícil”)

Não acho. E penso nos alunos. Eles lêem bem, sem dificuldade. Aquela que encontram no Rosa.
Mas não acho que aos 18 anos tenham ( alguns sim) a compreensão larga. Ainda não sabem da seca. Seca em nós, viventes.
Concordo com o filósofo Savater que propõe que se peçam leituras adequadas à faixa etária.
No nosso tempo, questionávamos, Meg. Os jovens de hoje carecem (!) de leituras com que se identifiquem.
Quando tinham de ler A hora da Estrela, ficavam desesperados. O texto de Lispector é cheio de nuances quase inacessíveis ao jovem de hoje.
Quando eu lia com eles, junto, dramatizava, explicada. Então, entendiam e iam sozinhos. Gostavam.
Quando ao livro de Graciliano: não têm dificuldade alguma. Lêem com tranqüilidade. Porque, embora Vidas Secas não seja contemporâneo, no sentido de contar a vida deles pra eles, é universal e tanto que compreendem. Por causa da brasilidade, por causa do problema da seca, que eles não sabem ser também a seca existencial. Eles entendem porque conhecem – de ler – a miséria do povo brasileiro.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
É popular sim, não exatamente pop. Popular por apontar a cultura do povo. Mas popular, assim como a Semana Santa, o Carnaval? Não acho que seja, não. Acabou ficando porque é leitura obrigatória do vestibular e das aulas de Literatura. Pode ser popular, poderia, se a Literatura fosse ensinada como devia. Não é.

Como tornar essa leitura popular? Usando metodologias que usassem intertextualidade.Ou mesmo que associasse outras linguagens.

O filme (de Nelson Pereira dos Santos) ajuda o pessoal a entender.

Se eu trabalhasse em escola, faria teatro, leitura em voz alta, filmes, jogos. Aí o livro ficava popular. Do jeito que é só mesmo a obrigatoriedade na escola o faz popular.

Sobre citações:
Quem cita geralmente o faz porque as frases de Machado e Guimarães Rosa já estão na boca do povo. Mas povo aí é palavra perigosa. São letrados de classe-média que ouvem cantar o galo mas não desconfiam que era uma gravação.

Não vejo citações de Graciliano. Porque o livro dele embora de leitura circular não é dado ao ato de despedaçar. O todo é a seca, os passos, o olho no texto, nas pegadas de Fabiano e Sinha Vitória. Não dá pra arrancar pés, olhos, braços, rabo, sangue.

Vidas Secas é um caleidoscópio cuja haste não sai sob pena de destruir o livro.
Não acho que haverá citações de frases .

*Editado

*************************

Obrigadíssima, Rose.

Belíssimo trabalho.

Você é “fera”. ;-)


Graciliano Ramos (1)

Novembro 6, 2008

Saint-John PERSE – Amers: marcas marinhas

Novembro 6, 2008

Zero Hora / Data: 21/2/2004
Perse é um Rimbaud adulto

Fabrício Carpinejar

O que seria da poesia de Rimbaud, que abandonou a literatura aos 20 anos, se ele continuasse a escrever? Ele realizaria o que Saint-John Perse alcançou. Essa crença leva em conta a língua como resultado de seus habitantes, a evolução de um poeta a outro, a reencarnação de livros e temas. Perse é um Rimbaud adulto; Rimbaud é um Perse jovem. O mesmo destemor oracular, as mesmas fagulhadas precisas, incisivas, simbólicas. Ambos chegaram tão próximo da verdade que ultrapassaram a loucura. O primeiro retratou o inferno; o segundo, o paraíso. Rimbaud denuncia; Perse celebra. Somando os dois, tem-se uma nova Divina Comédia.

Natural da ilha de Guadalupe, Prêmio Nobel de Literatura de 1960, Saint-John Perse (1887-1975) foi uma das expressões mais puras da língua francesa. Sua importância pode ser avaliada pela qualidade de seus tradutores: T.S Eliot em inglês (que confessou que seu conhecimento de inglês e de francês não abarcava o potencial do estilo), Ungaretti em italiano, Lezama Lima em espanhol, Walter Benjamin em alemão. O nome do poeta, na verdade, é Alexis Léger. O pseudônimo foi escolhido ao acaso e às pressas para sua estréia e gerou a independência de visão de mundo, diferenciando o escritor do diplomata.

Ninguém é capaz de repetir as miragens de Perse. O autor queima consigo as possibilidades de sua fórmula. Percebia a poesia como o território mais próximo do real absoluto, um real mítico, escapando de qualquer demarcação histórica, pessoal e geográfica. Não imita a realidade, mas a transfigura, recenseando as dimensões do sonho e do inconsciente. A manifestação lírica emerge avulsa, autônoma, como nascimento de um corpo, contra a abstração e tratando a métrica ora como movimento marítimo, ora como as dunas dos deserto. Sua fala se derrama em mágica oralidade e se desdobra em imagens alucinantes. A claridade disputa espaço com a clareza, como lâmpadas acesas durante o dia.

O escritor Bruno Palma devotou três décadas para traduzir Amers, obra central de Perse, com a experiência de ter trazido a lume Anábase, em 1979, pela Nova Fronteira, Prêmio Jabuti na época. Em 1971, pela editora Grifo, verteu excertos do livro em antologia do poeta francês com o título Marimarcas. Repensou a opção e escolheu para a edição o nome de Marcas Marinhas, favorecendo a leitura do sentido original em detrimento do neologismo. O trabalho é monumental, vencendo adversidades como a sucessão interminável de elipses, as orações intercaladas e a pontuação sistêmica do universo persiano. O resultado recompensa. Palma ressuscitou arcaísmos e se valeu do Glossário de Terminologia Marítima Internacional para preencher lacunas. Houaiss e Merquior ovacionaram os achados. “La Mer errante prise au piège de son aberration” passa a ser “o Mar errante apanhado na armadilha da sua aberração”, mantendo a gravidade das aliterações e a fluência das vogais. Assim como a limpidez de “roueries d’ ailes rétives” continua potável em português, “ardis de asas arredias”, reforçando o recuo dos “erres”. Há momentos em que a versão supera a matriz: “les vieux flocons d’ écume jaunissante” vira “os velhos flocos de espuma amarelescente”.

O escritor Saint-John Perse empreendeu Marcas Marinhas (Ateliê, 333 páginas) em oito anos, de 1948 a 1956, cinco longos poemas publicados separados que se juntaram com a febre. Apesar de escritos em épocas diferentes, possuem uma unidade ímpar, dando a impressão de que foram compostos ininterruptamente em um único dia. A obra é um poema dramático, girando em torno de três figuras: o mar, o poeta e a multidão, com nove vozes que aparecem de vez em quando e pontuam a narrativa das águas, expressas nos discursos dos oficiais e os trabalhadores do porto, do mestre de astros e de navegação, das Trágicas, das Patrícias, da Poetisa, das Profetisas, das jovens e dos Amantes. Seguindo o formato circular das tragédias gregas, o coro resume a história poética, avaliando e pesando as profecias. Trata-se de um livro em que a autoria é do Mar. “É o mar em nós que sonhará.” O segredo da poética é incorporar o duelo entre homem e imensidão. Com inveja da extensão marinha, o homem não suporta permanecer na estreiteza do barco e do leito, assim como acaba esmagado na falta de limites. O que começa como desafio do amante frente às forças subterrâneas marinhas se encerra com seu despojamento humilde em Dedicação.

Diante do mar, não adianta sussurrar, cochichar, falar baixo. O mar pede o grito, a empostação da voz, a enxada do pulmão. “Há que gritar? Há que criar? – Quem pois nos cria neste instante? E contra a morte mesma não há senão criar?” Nesse sentido, o “oceano severo” exige o teatro proposto por Saint-John Perse, uma arena multifacetada que envolve tematicamente suas relações com o comércio, os amores, o alfabeto dos astros e com a religiosidade. “Há que gritar? Há que rezar?…” O mar é a seara escolhida entre o mundo físico e imaginário, capaz de revelar “o gosto de viver o homem, em toda a sua medida”. Depois da Odisséia de Homero e antes de Omeros do caribenho Derek Walcott, Saint-John Perse é o que melhor explorou o arquétipo como epicentro de façanhas e dos desastres humanos, caos disciplinado, elemento que vai integrar o seu repertório simbólico preferido, ao lado do vento e do deserto (Anábase). Sua linhagem é do poeta criador, inventor fora de si. Não descreve as coisas ou a paisagem, funda o mundo verbal. Estranha o viver, rompendo os costumes. Acredita que a missão do poeta é ser a “má consciência do seu tempo”, o que contesta a inércia visual. Nem que para isso custe sobrepassar o entendimento e conviver com as coisas ilícitas. Porque o mar que se abre à beleza é ainda o mar do transe e do delito. Perse não é maniqueísta, mostra a verdade sem apagar a crueldade e o mistério de sua busca, provando que o útil não é o verdadeiro.

Em sua cosmogonia, o poema é maior do que o escritor. Ao mesmo tempo em que apresenta uma liberdade metafórica excessiva, não abdica da construção formal rigorosa e exata. Instaura uma sensualidade líquida entre as palavras, canção derramada, marcha das marés, reproduzindo o fervilhar das correntes com a repetição das consoantes. Radicaliza o texto em vibrações, provocando uma leitura pela intensidade dos sismos. O poeta caminha em direção ao absoluto com a simplicidade de quem levanta a âncora. Barqueiro ébrio das metáforas, suas composições são desconcertantes, com uma solidez pictórica que materializa o fantasmagórico e o sobrenatural. “O relâmpago no mar busca a bainha do navio…” ou “até seus fins de vespas amarelas,/ O verão que perde memória nos roseirais brancos” são alguns exemplos de hiperatividade sensorial. O que para a maioria dos escritores seria gordura e excesso, em Perse é essencial como uma vértebra. A atmosfera suntuosa dosa ternura com ferocidade. A dificuldade de interpretação estimula a polissemia.

O escritor transforma o verso em versículo, em altissonante timbre profético. Exulta o mar como uma pátria autêntica. Uma monarquia onírica. Não é uma poesia que se define, mas que se multiplica na dúvida, no escoamento de hipóteses. Segundo ele, a poesia é filha da interrogação mais do que a filosofia. Perguntar para Saint-John Perse é se maravilhar. Desloca vogais, migra sílabas, acumulando anáforas, denotações e conotações. Em Marcas Marinhas, o mar é apanhado em frenética metamorfose. A toda hora, “muda de dialeto”. Para acompanhar, o poeta habita a mutação, o fulgor. Do lento artesanato das ondas, o mar aparece em diversas roupagens, como “uma pele de búfalo”, “cor de pedra de estábulo’, “carne de romã, figo da África e fruto da Ásia”. Fixa-se ao mudar, revirando as vagas, captando o insondável, das sandálias deixadas nas areias pelos afogados até as naus encalhadas das estrelas. Perse acorda as lendas, atravessando as águas e suas efêmeras vidas. Seu tema de meditação é a água salgada, selvagem, de início longínquo. Se a água doce é reflexo, a matéria viva persiana não permite a cristalização, espelhamento, cresce proporcional às distorções produzidas.

O mar trabalha no descanso. Surge como um ente incorruptível, cruel e generoso no julgamento, fazendo o homem sangrar como um galo ou se reencontrar na alga da mulher. Converte o medo em aventura, o receio em excitação. “Do mar também, sabias tu? Nos vem às vezes esse grande pavor de viver.” O homem louva o mar, como um cego. Não existe uma condição de impotência humana, mas de respeito e reverência ao que não se entende o suficiente para opinar. Quem vive perto do mar, demonstra Perse, absorve o seu cheiro e a fome de eternidade. Torna-se para sempre cúmplice de seus crimes e desejos. “E de um odor de mar em nossa roupa e em nossos leitos, no mais íntimo da noite.”

Repassar Saint-John Perse para o português é comparável a traduzir o cubano José Lezama Lima e o neobarroco Paradiso (missão cumprida pela poeta Josely Vianna Batista). Se a poesia é “fotografia da respiração” (Lezama Lima), respira-se com Perse o oxigênio letal da profundeza.

Sobre o autor:

PERSE, SAINT-JOHN

Né à Pointe-à-Pitre (Guadeloupe) le 31 mai 1887, Alexis Saint-Leger Leger est appelé à parcourir le monde en tant que diplomate. Il rencontre Claudel et le groupe de La Nouvelle Revue Française. En 1940, il quitte la France pour les États-Unis et le gouvernement de Vichy le déchoit de la nationalité française. Rétabli dans sa dignité d’ambassadeur de France, il reçoit le Grand Prix national des Lettres en 1959 et le Prix Nobel de Littérature en 1960. Il meurt à Giens le 20 septembre 1975.


08/08/08 – BOS – EXTINCTION IS FOREVER, PLEASE HELP THEM

Agosto 6, 2008

Leia aqui:

APENAS LEIA

Ou veja:


TOM STOPPARD e 1968(2)

Julho 7, 2008

O “movimento”, como podia ser chamado, localizava-se mais numerosamente num cambiante submundo de acontecimentos artísticos – exposições, shows de música, happenings, leituras de poesia – em endereços mal iluminados em torno de Covent Garden e em outros locais, e aqui a palavra “revolução” adquire, ao meu ver, uma certa substância. Não foi uma revolução social, e nem se limitou a 1968, mas havia a sensação de uma revolução cultural em curso naquele momento.

Infelizmente, também isso me deixava constrangido. Eu adorava a música e a liberdade para me vestir de maneira inventiva, mas não conseguia me acostumar com os diálogos, uma gíria redutiva composta de jargão militante e sabedoria de araque derivada da má compreensão das religiões orientais.

Esta última frase tomei de volta de um personagem da minha última peça, Rock’n'Roll, que começa em 1968. Ironicamente, a pessoa que fala por mim acerca dessa revolução é um marxista, um comunista de Cambridge chamado Max que aparece falando do passado em 1990, quando tem mais ou menos a mesma idade que tenho agora. A seu ver, os anos 50 foram o último período em que a liberdade só chegava depois que você deixava a juventude para trás. Em meados dos anos 60, os jovens já tinham muito mais liberdade do que sabiam usar, mas a confundiram com libertação sexual e liberdade de ficar doidão, de maneira que foi tudo um desperdício – melhor dizendo, desperdiçado numa revolução cultural, e não numa revolução social. “Teatro de rua” é como Max define o período. Alterar a psique era um suposto caminho para a mudança da estrutura social, mas como marxista ele sabia que na verdade as coisas funcionavam ao contrário: mudar a estrutura social era a única maneira de transformar a psique. A idéia de que “faça o amor, não faça a guerra” seja uma palavra de ordem mais prática do que “trabalhadores do mundo, uni-vos” é tão vazia de substância quanto o I Ching.

Eu queria ter conhecido esse homem em 1968. Nos entregaríamos ao constrangimento enquanto contemplássemos o espetáculo. O personagem combatera o fascismo nos cortiços e na Espanha, e quando observasse em tom sarcástico que a sua filha hippie “acha que fascista é um policial a cavalo na Grosvenor Square”, eu poderia ter dito “É isso aí!” ou “Estou de pleno acordo”.

Por outro lado, ele também poderia ter mudado a minha opinião sobre algumas coisas, a começar pela sociedade de que eu me sentia, e ainda me sinto, grato por fazer parte. E os abusos e maustratos? Serão de fato excepcionais ou endêmicos do sistema? E em que ponto o trabalho de edição pode se confundir com uma censura auto-imposta diante de pressões reais ou imaginadas?

Estas são perguntas que eu não me faria em 1968. Mas não fui o único a mudar. A sociedade também mudou. Em 2005, entrevistei um cineasta na Belarus que os órgãos estatais de segurança tinham espancado pelos motivos de sempre, e ele me disse algumas coisas notavelmente parecidas com um monólogo que eu acabara de escrever para um anglófilo tcheco em Rock’n'Roll… “Eu sonho com o que vocês inventaram”, diz Jan a Max. “Vocês podem xingar os governantes de idiotas e criminosos, mas a lei defende a liberdade de manifestação, e se o governo não gostar, que se foda, não pode pôr a mão em vocês…” E o cineasta em Minsk me disse: “O fato de vocês poderem chamar o primeiro-ministro de mentiroso e assassino não é uma virtude dele, é uma virtude de vocês.” Esse meu artigo sobre a Belarus foi publicado quase no mesmo dia em que Walter Wolfgang foi expulso à força da convenção do Partido Trabalhista inglês. Recebi um jubiloso cartão postal de Harold Pinter.

Essa coisa que “nós inventamos”, a autonomia do indivíduo, percebo que ecoa em tudo que já escrevi. Em The Coast of Utopia,5 usei as palavras do próprio Alexander Herzen6 sobre os ingleses oitocentistas: “Eles não dão asilo por respeitar quem lhes pede asilo, mas em sinal de respeito por si mesmos. Inventaram a liberdade pessoal sem formularem qualquer teoria a respeito. Dão valor à liberdade pela liberdade.”

Se eu soubesse em 1968 o que iríamos malbaratar, mais aceleradamente depois de 2001, bem antes da desculpa do 11 de Setembro, eu poderia ter me juntado àquela farra com menos embaraço, com menos a perder. Mas àquela altura tudo que ocorria me parecia frívolo em comparação com as liberdades que inventamos – ou, talvez deva dizer, as liberdades que os ingleses inventaram? Eu tinha 31 anos, vinha ganhando a vida desde os 17, era velho demais, encabulado demais, monógamo demais, medroso demais em relação às drogas, apaixonado demais pela Inglaterra e tenso demais para relaxar e aproveitar a fundo aquilo tudo.

Sir TOM STOPPARD, é dramaturgo e adora  rock’n'roll.

Olhem só:

Na página do British Council.

No Rock.


TOM STOPPARD e 1968 (1)

Julho 7, 2008

Em 1968 eu levava uma vida confortável, ao lado de minha primeira mulher e meu primeiro bebê na nossa primeira casa, graças ao sucesso da minha primeira peça, e começava a ser visto pelos meus pares como uma pessoa politicamente ambígua.

Ainda faltavam alguns anos para que um conhecido diretor de esquerda, quando lhe perguntaram qual seria uma boa peça para montar no Royal Court Theatre, 1 respondesse “uma peça que não tenha sido escrita por Tom Stoppard”. Na ocasião, eu já tinha consciência de um sentimento que me afastava do espírito reinante de rebelião, quando era uma glória estar vivo naquele amanhecer, mas ser jovem é que era o barato.

O sentimento a que me refiro era o constrangimento. Eu me sentia constrangido com as palavras de ordem e as posturas de rebelião numa sociedade que, tanto em Londres quanto em Paris, progredira muito desde a juventude de Wordsworth, e oferecia aquele que me parecia o menos ruim dos sistemas em que uma pessoa podia nascer – a democracia liberal aberta, cuja essência era a tolerância à dissensão.

Eu não tinha nascido nesse sistema. E ninguém precisa ser um grande especialista em psicologia para deduzir que, na Inglaterra de 1968, 22 anos depois de lá ter chegado, eu me sentia muito mais disposto a defender meu país adotivo do que a apontar os seus defeitos. Até onde eu sabia, caso o meu pai tivesse sobrevivido à guerra (ele foi morto no Extremo Oriente), era sua intenção levar a família de volta para o lugar onde nasci, a Tchecoslováquia. Chegaríamos em 1946, e eu teria crescido sob a ditadura comunista que lá se instalou dois anos depois.

Como a maioria das pessoas, eu tinha noção que nem tudo eram flores nos jardins do Ocidente, e é claro que não conhecíamos – ninguém jamais conhece – da missa a metade. No entanto, quando em agosto as forças do Pacto de Varsóvia invadiram e ocuparam a Tchecoslováquia, num ato que era uma confirmação cabal e enfatizada da ocupação em curso na Europa Oriental, o meu constrangimento diante da “revolução” dos nossos polichinelos da agitprop converteu-se em repulsa.

O que me repelia era a identificação implícita entre dois casos radicalmente diversos. O “Ocidente livre”, sabe Deus, também estava muito desfigurado pela corrupção e injustiça, mas no nosso caso os abusos representavam as situações em que o modelo não funcionava, e eram apontados como exemplos das suas deficiências. Já no Leste, os abusos representavam o modelo em plenas condições de funcionamento. Quarenta anos mais tarde eu não faria essa distinção com a mesma facilidade, mas àquela altura nada me parecia mais claro.

Um pequeno incidente que deve ter confirmado as piores suspeitas cultivadas por alguns a meu respeito ocorreu quanto me pediram para assinar uma declaração contra a “censura” depois que um jornal se recusara a publicar o manifesto de alguém. “Mas isso não é censura”, respondi. “É decisão editorial. Na Rússia você vai preso se tiver um exemplar de A Revolução dos Bichos. Isso sim é censura.” A “normalidade” do comunismo baseava-se na distorção da linguagem, e o meu novo herói, George Orwell, já diagnosticara fazia tempo essa doença na sua própria sociedade, de maneira que eu levava esse tipo de coisa muito a sério.

E é claro, em seguida ainda houve Paris.

Lá por agosto, a fumaça do maio parisiense já tinha dissipado. Ocorreram batalhas ferozes entre milhares de estudantes e as forças policiais, seguidas por uma ocupação da Sorbonne e uma greve geral, que durou cinco semanas. Foram acontecimentos enormes, pouco diminuídos, do meu ponto de observação num chalé modesto à beira de uma autoestrada, pela adesão pressurosa de filósofos famosos, atores e outros luminares de uma cultura generosamente subsidiada pelo Estado. Mesmo após quarenta anos, les événements de 1968 ainda conferem à versão inglesa daquele ano, mais contida, certa ressonância para quem não quer admitir o que aconteceu em Praga, e se furta a discutir as razões daqueles fatos. Mas eu vejo a nossa “revolução” – a ocupação da London School of Economics e do Hornsey College of Art, além de toda a agitação daqueles dias embriagantes – como pouco mais que uma Saturnália.

E era justamente esta uma das coisas que eu mais amava na Inglaterra. A versão inglesa das erupções do Continente sempre sugeria um caráter nacional em pleno controle de si mesmo. Na França, na Alemanha, na Itália e na Espanha o ativismo político, nos casos mais extremos, acabou desembocando em assassinatos, seqüestros e atentados a bomba. Meu editor italiano, uma das pessoas mais sofisticadas, encantadoras e carismáticas que jamais conheci, seria morto mais tarde por seus próprios explosivos enquanto tentava destruir uma torre de distribuição de eletricidade nos arredores de Milão.

Alguns quilômetros do outro lado do Canal, os choques entre manifestantes e a polícia envolviam carros em chamas, ônibus virados e edifícios em ruínas. No nosso caso, brigar na rua era só tema de rock’n'roll. Aqui, a rebelião tinha algo de envergonhada. As manifestações exibiam sempre certo ar carnavalesco. As nossas reuniões – e fui atraído a algumas delas – eram convocações a sério em que moradores de prédios invadidos e as pessoas que mais tarde viriam a ser conhecidas como “formadores de opinião” planejavam mudar a sociedade fundando uma revista e discutindo formas de atrair o apoio dos “trabalhadores”. A fascinante peça The Party,3 escrita por Trevor Griffith e cuja ação se passa em 1968, encenada no National Theatre com Laurence Olivier no papel de um militante da classe trabalhadora chamado para uma reunião num endereço caro de Londres decorado com um David Hockney dos primeiros anos na parede, é para mim a perfeita cápsula do tempo sobre o lado chique de 68.

Mas nem tudo era elegante, evidentemente.

O “movimento”, como podia ser chamado, localizava-se mais numerosamente num cambiante submundo de acontecimentos artísticos – exposições, shows de música, happenings,


Pense nisso.

Maio 30, 2008


CRONOLOGIA (1968)

Maio 8, 2008

+ Cronologia

Outubro de 1967 – Jovens franceses realizam manifestações contra o Plano Fouchet, que visava à “eficiência do sistema universitário”. Nos EUA, protesto contra a Guerra do Vietnã reúne cerca de 35 mil pessoas

1968 - Na Tchecoslováquia, Alexander Dubcek assume a liderança do Partido Comunista e inicia reformas liberalizantes. A retomada da liberdade de expressão culmina com a Primavera de Praga: diversos setores da população passam a exigir mais abertura democrática. A experiência terminaria em agosto, com uma ocupação militar organizada por países comunistas

8 de janeiro – O estudante de nacionalidade alemã Daniel Cohn-Bendit lidera protesto na Universidade de Nanterre. Com 50 estudantes, Dany, o “Vermelho”, ataca verbalmente o ministro da Juventude e dos Esportes, François Missoffe, comparando ao nazismo as novas normas de segurança em vigor nas universidades

22 de março - Estudantes, denunciando a repressão a protestos anteriores, ocupam a administração de Nanterre. As aulas são suspensas até 1º de abril

4 de abril – O pastor e ativista Martin Luther King Jr. é assassinado em Memphis (EUA). Conflitos raciais emergem em dezenas de cidades do país

2 de maio - Nanterre suspende aulas em dia de manifestação

3 de maio – Após protesto na Sorbonne, conflitos com a polícia no Quartier Latin deixam mais de cem feridos e 500 presos

6 de maio – Manifestações espalham-se por universidades francesas; nos dias seguintes, protestos reúnem dezenas de milhares de pessoas

10 de maio – A Noite das Barricadas: estudantes reivindicam a soltura de colegas e fecham ruas do Quartier Latin; a polícia intervém violentamente

11 de maio - Sindicatos convocam greve geral. O primeiro-ministro Pompidou concorda em anistiar estudantes presos, retirar forças policiais do Quartier Latin e reabrir a Sorbonne

13 de maio - Irrompe a greve geral: a maioria das universidades francesas adere, junto com os dois maiores sindicatos do país

19 de maio – O Festival de Cinema de Cannes interrompe os eventos. Não há premiado no ano

21 de maio – O total de grevistas chega a 10 milhões. O líder estudantil Cohn-Bendit é expulso do país, suscitando novos conflitos

22 de maio - Parlamento rejeita derrubada do presidente De Gaulle, proposta pela esquerda

27 de maio – Governo, empresas e lideres sindicais entram em acordo sobre aumento de salários e melhoria de condições de trabalho, mas trabalhadores permanecem em greve

30 de maio – Em discurso transmitido por rádio, De Gaulle se recusa a renunciar e clama por apoio de seus eleitores. Manifestações pró-governo juntam quase 1 milhão de pessoas

1º de junho – Abastecimento começa a se normalizar. Até meados do mês, serviços e indústria voltam a funcionar como antes

30 de junho – Os partidários de Charles de Gaulle vencem as eleições legislativas. O presidente, no entanto, não garante sua estabilidade: no ano seguinte, os eleitores votam contra um referendo proposto pelo general, que acaba renunciando à Presidência em seguida

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Pais de Aluguel

Maio 8, 2008

FAMÍLIA SE DEMOCRATIZOU, MAS PERDEU REFERÊNCIA SIMBÓLICA

Nascido em Paris em 1949, Alain Finkielkraut é ensaísta, produtor da rádio France-Culture e professor de história das idéias na Escola Politécnica.
Midiático e polêmico, é considerado uma das referências do pensamento de direita na França. Em 2005, criticou a onda de revoltas juvenis ocorrida nos subúrbios franceses.
Também afirmou que a seleção francesa de futebol não era “Branco, Azul e Vermelho” nem “Branco, Preto e Pardo” (como se diz desde a Copa de 98), mas sim “Preto, Preto e Preto”. Nesta entrevista concedida a Aude Lancelin, do “Nouvel Observateur”, o autor de “A Ingratidão” (Objetiva) e “A Humanidade Perdida” (Ática) comenta as influências de 1968 sobre a família.  

PERGUNTA – Em 1977, em “Le Nouveau Désordre Amoureux” [A Nova Desordem Amorosa], o sr. escreveu que tínhamos passado de uma era de “repressão sexual” para uma espécie de imperativo categórico de gozar, que era igualmente coercivo. Tudo o que aconteceu desde então confirmou sua opinião?
ALAIN FINKIELKRAUT
- Aquele foi um livro anti-1968 habitado pelo espírito de 1968. Era a época do “tudo é político”, e o discurso sobre o sexo remetia ao registro judiciário da acusação.
Na contramão disso, optamos pelo gênero da celebração, especialmente pelo elogio do gozo feminino. Sem a liberação sexual, não poderíamos ter escrito esse livro. Mas o escrevemos para libertar o amor do domínio do discurso da libertação. De fato, o que é o desejo amoroso senão a experiência de uma maravilhosa sujeição?

PERGUNTA – O filósofo americano Allan Bloom, nos anos 1990, disse: “Você pode ser um romântico hoje, se quiser, mas isso seria um pouco como ser uma virgem num puteiro”. O sr. pensa, como ele, que o amor hoje em dia está comprometido?
FINKIELKRAUT
- O que compromete o amor é o fato de não se enxergar senão um confronto entre as exigências do desejo e sua repressão. É essa a razão pela qual, em “A Nova Desordem Amorosa”, Pascal Bruckner [co-autor do livro] e eu quisemos reintroduzir o personagem esquecido do amado.
Contudo, se hoje fosse escrever uma seqüência para esse livro, começaria por um elogio erótico ao pudor. Este não é apenas uma restrição arcaica, o resquício de um preconceito burguês -pelo contrário, eu o vejo como um atributo ontológico da mulher.

PERGUNTA – Um autor como Michel Houellebecq propaga uma visão segundo a qual 1968, longe de ter dado início a uma era de libertação sexual real, teria estendido o domínio da luta capitalista para o próprio sexo, de tal modo que cada um se torna substituível, em estado de insegurança permanente. O sr. concorda com essa visão?
FINKIELKRAUT
- Quisemos acreditar que a libertação sexual iria suprimir a dimensão da infelicidade. Mas não é porque tudo é permitido que tudo é possível, Houellebecq teve o mérito imenso de ter chamado a nossa atenção para isso. O desejo é uma escolha, e escolher é excluir.
Sem dúvida hoje, mais do que nunca, é difícil ser feio, tímido ou antiquado. A proibição era um álibi para o fracasso. Nossa época é mais livre e, portanto, de certa maneira, mais cruel.

PERGUNTA – Ensaístas como Michel Schneider ou Eric Zemmour denunciam hoje uma confusão ou sobreposição das identidades sexuais e tendem a atribuir às mulheres as desordens que, segundo eles, solapam a sociedade ocidental. Como o sr. vê esse tipo de receio?
FINKIELKRAUT
- Não vejo como certo que a sexualidade seja a instância última de todos os nossos comportamentos.
Em outras palavras: não sou freudiano. Assim, não penso que a crise atual da transmissão em nossas sociedades proceda mecanicamente de um desaparecimento da função “viril”, nem, a fortiori, de uma conspiração feminina.
Em contrapartida, observo que se perdeu uma certa idéia do pai. E o problema não se reduz à questão de saber se os pais estão certos ou errados em trocar as fraldas de seus filhos -a meu ver, estão certos. A família tornou-se lugar de uma negociação perpétua.
Hoje tudo acontece num registro puramente afetivo, e não mais simbólico. Maio de 1968 não terá sido, em tudo isso, mais que um momento de aceleração do processo democrático que nos carrega há muito tempo.
A democracia -como afirmação da igualdade de todos os indivíduos, como passagem de uma vida suportada para uma vida desejada- se adapta muito dificilmente à partilha dos papéis. Assim, a família deixa de ser uma instituição para converter-se em uma associação precária. Se isso é bom ou mau, não posso dizer.


A íntegra desta entrevista foi publicada no “Nouvel Observateur”. Aude Lancelin (c) 2008 “Le Nouvel Observateur”. Tradução de Clara Allain .