Paulo Vanzolini

Março 23, 2008

“A Amazônia quer destruir a floresta”, diz Vanzolini

Zoólogo-sambista nega autoria da teoria dos refúgios; “só estudamos um bicho”

Autor de “Ronda” e teórico da biodiversidade, que faz 84 anos em abril, diz que única saída para a floresta é “trancar e perder a chave”

Carol Guedes/Folha Imagem
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O herpetólogo (especialista “cobras e lagartos”, como diz) Paulo Vanzolini, em sua casa em SP

EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

A generosidade e as opiniões contundentes -e muitas vezes politicamente incorretas- de um zoólogo compositor poderiam servir de inspiração para um grande samba. Mas Paulo Emílio Vanzolini, que completa 84 anos no dia 25 de abril, não faz mais música. E, mesmo na ciência, anda acertando as contas com sua obra-prima: a teoria dos refúgios.
“Nem deveria chamar teoria dos refúgios. Fizemos apenas um modelo de especiação de uma espécie. Um bicho. Nós não desenvolvemos nada. Não usamos o termo teoria dos refúgios no trabalho de 1970.”
Vanzo, como é conhecido, conta como surgiu a explicação científica mais ilustre (e debatida) sobre a origem da biodiversidade amazônica.
O ano é 1969. Trabalho quase pronto sobre um lagarto do gênero Anolis, que existe em boa parte do Brasil. Vanzolini, que dividia o projeto com o americano Ernest Williams, recebe um pacote da revista científica americana “Science”. Era um trabalho assinado por Jürgen Haffer sobre distribuição de aves na Amazônia brasileira.
“Ernest, acho que passaram a perna na gente”, foi a reação de Vanzolini. Logo em seguida, o trabalho sobre a distribuição de répteis no Brasil foi enviado para Haffer. “Gosto muito dele, que é pessoa inteligente, e, além disso, como bom alemão, gosta muito de cerveja.”
Haffer, que estava na África do Sul, pegou um avião e veio para o Brasil discutir o assunto com Vanzolini. Os dois trabalhos foram publicados em 1970. A concepção dos refúgios, provavelmente, ecoou porque encontrou dois autores generosos, algo nem sempre fácil de ocorrer no mundo da ciência.
Outro pesquisador que contribuiu, com seus estudos paleoclimáticos, para o trabalho de Vanzolini e Williams foi o geógrafo Aziz Ab’Sáber, amigo com quem Vanzo anda chateado. “O Aziz é uma criança. Somos muito amigos, apesar de que agora ele está nessa fase de invenção, de dizer que ele descobriu a teoria dos refúgios. Ele colocou isso na internet.”
Nem Haffer nem Vanzolini aceitam as críticas que vêm sendo feitas nos últimos anos aos refúgios -nome dado às “ilhas” de mata úmida e cerrado que se formaram na Amazônia à medida que o clima oscilou entre seco e úmido da Era do Gelo para cá. Essas “ilhas” isolam geograficamente as populações, estimulando o surgimento de novas espécies.
Mas críticas são algo que não falta quando o zoólogo-sambista fala da Amazônia atual.

Insustentável
“Vejo a situação da Amazônia com grande desgosto. A equipe dessa ministra [Marina Silva] é muito ruim. Você conhece o [João Paulo] Capobianco [secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente]? É o pior que tem. Agora ele inventou essa história de gestão do patrimônio genético”, dispara.
Do governo, Vanzo parte para criticar os próprios moradores da floresta e as ONGs.
“A Amazônia inteira quer derrubar a floresta. Principalmente o pessoal que vive lá mesmo. O único jeito seria diminuir a população. Não existe desenvolvimento sustentável. É uma besteira completa. Enquanto a população crescer, você não vai negar comida”. A única solução é: “Tranca a porta e perde a chave. Enquanto tiver gente e gente fazendo mais gente, como você vai comer sem plantar, sem matar os bichos que estão por lá?”
Em seguida, muda de bioma, mas mantém o alvo. “O grande mal são as ONGs. Elas são ignorantes e muito militantes. Fico feliz que agora liberaram a usina de Tijuco Alto.” O projeto da hidrelétrica, que poderá ser erguida sul do Estado de São Paulo pelo Grupo Votorantim, se arrasta há 20 anos na Justiça.
“Eu e algumas alunas tínhamos uma firma de impactos ecológicos. Fizemos estudos naquela área. Lá não tem um metro de mata atlântica. Tem só capoeira, o que é pior.”
Mas as boas lembranças amazônicas do autor de “Volta por Cima” -expressão que virou verbete em dicionário e o único samba, segundo Vanzolini, que rendeu algum dinheiro (“Comprei muitos livros com ele”)- voltam logo.
“Uma das maiores emoções que eu tive na vida foi na Amazônia, ao lado do Márcio Ayres [primatólogo morto em 2003], que eu conheci no berço.”
Os dois cientistas estavam atrás de uma espécie nova de macaco e pararam seu barco em uma ilha, na região de Mamirauá. “Logo quando chegamos pensaram que nós éramos regatões e foram logo perguntando o que vendíamos. Dissemos que estávamos trabalhando nessa coisa do mico-de-cheiro. “Qual o senhor quer?” -perguntaram. “O da cabecinha ruiva ou o outro?” Quase desmaiei na hora. Eles já sabiam que eram dois [tipos].”
Quando um exemplar da espécie nova foi encontrado, o próprio Vanzolini matou o animal. Ayres afirmou que não sabia fazer aquilo. “Eu fui lá e matei. Depois taxidermizei e o Márcio descreveu (e fez uma homenagem ao então orientador, dando o nome ao macaco de Saimiri vanzolinii).
Apesar de ter ficado de fora dessa descrição, a obra de Vanzolini não se resume ao estudo que acabou gerando a teoria dos refúgios. Nas coletas de campo ou no Museu de Zoologia da USP, ele não tem conta do número de espécies que descreveu e batizou, principalmente de répteis e anfíbios (“Quem é sério tem perfil baixo”, disse uma vez).
Matar bicho para fins científicos é cada vez mais importante, segundo Vanzolini. “As ONGs acham isso besteira porque elas não entendem de nada”, generaliza o zoólogo.

Rodas de samba
O sorriso maroto volta a se abrir quando Vanzolini – depois de tomar dois cafés feitos por sua mulher, a cantora Ana Bernardo, e elogiá-los muito- volta a falar de música, atividade da qual, diga-se de passagem, ele nunca precisou para viver. “A zoologia foi muito boa para mim. Me deu bom emprego, viagens, boas amizades.”
O compositor está aposentado mas, segundo ele, continua tendo a música como diversão. “Compor é muito difícil. Toma muito tempo. Perdi o gosto.” Porém, alguns botequins do bairro da Aclimação, como o do Heleno, ainda são testemunhas das rodas de samba de que Vanzolini e os amigos costumam participar de longe em longe.
“Ainda frequento, a cada dois ou três meses. Beber eu tive de parar. A proibição é só para cachaça, porque eu tomava um pouco demais. Mas cerveja e vinho eu tomo.”
Vanzolini, que em 2004 ficou 51 dias na UTI após a eclosão de quatro úlceras hemorrágicas e após ter três paradas cardíacas no mesmo dia, continua acompanhando tudo do seu refúgio na Aclimação (uma vila inteira dele e dos irmãos, com e uma das casas para ensaios). A eleição nos EUA, por exemplo.
“E essa do Obama agora? Vai ser a glória. Mas duvido que eles tenham coragem. No fim, eles [os americanos] votam em um republicano”, explica Vanzo, que ainda se considera um homem de esquerda.

Na escrivaninha
Entrevista encerrada. O zoólogo se levanta e convida o repórter a subir as escadas do sobrado. Passos lentos. Entramos num quarto com a janela quase toda fechada. A televisão ligada em um jogo da Copa dos Campeões -Vanzolini é torcedor da Ponte Preta- e uma estante com vários livros.
Ele retira dois volumes, coloca sobre a escrivaninha e diz: “Sente-se aí, leia isso”, com um tom professoral.
É a publicação original do artigo com Williams (dois livros que, somados, passam das cem páginas), feita em 1970. Apesar de não existir realmente o termo no trabalho, ali está um dos marcos (e um dos pais) da teoria dos refúgios.
Se novos sambas não surgirão mais – para Vanzolini tudo já está feito, com uma caixa especial de discos com todas as músicas dele já lançadas- será que algum livro pode surgir, sobre ele próprio?
“Tenho preguiça. Não acho que tenha tanta coisa interessante assim.”
Caso ele resolva falar de música, e disso gosta muito, alguns serão criticados, como o ex-parceiro Toquinho (“é um violonista de primeira, mas faz algumas coisas pelas costas”), Caetano Veloso (“esse não serve para nada”) e Noite Ilustrada (“quando ele aparecia, aborrecia todo mundo”).
Outros tantos, porém, receberão só elogios. Eduardo Gudin, Chico Buarque (“esse eu vi nascer, na casa do meu amigo Sérgio”), Luís Carlos Paraná (“depois da morte dele fiquei meio desiludido em compor”) e Isaías Bueno (“o maior violonista do mundo”).
Ou seja, o “homem de moral”, de frases curtas e diretas, será generoso e ao mesmo tempo duro com aqueles que conviveram com ele ao longo de todos esses anos.

RETIRADO DA FOLHA DE S.  PAULO


Ciência: “O GENE EGOÍSTA” faz 30 anos

Novembro 17, 2007

Estudo clássico da biologia faz 30 anos e ganha nova edição
Obra-prima do britânico Richard Dawkins chega com um ano de atraso ao Brasil

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Há uma anedota já clássica no gueto dos jornalistas científicos segundo a qual é possível sustentar qualquer tese sobre o papel dos genes no comportamento humano citando um trecho escolhido de “O Gene Egoísta“, de Richard Dawkins.
Como toda boa piada, esta é cruel, mas tem mais do que um fundo de verdade. Ela revela o barulho que o maior clássico moderno da biologia tem feito desde que saiu, em 1976, e a confusão que ainda causa: determinismo ou livre-arbítrio?

As idéias que permeiam o livro de Dawkins há muito vazaram do laboratório e foram canibalizadas pelo mundo da cultura. Viraram desculpa para um monte de coisas, de infidelidade conjugal a assassinato. E, recentemente, foram ecoadas por ninguém menos que James Watson, o pai do Projeto Genoma Humano, em suas declarações desmioladas sobre diferenças genéticas determinando diferenças de capacidade intelectual entre brancos e negros.
É em boa hora, portanto, apesar do atraso de um ano, que chega ao Brasil a edição comemorativa de 30 anos de “O Gene Egoísta”. Quem já leu pode aproveitar para desfazer mal-entendidos sobre o livro, numa atmosfera política menos carregada que a dos anos 1970. Quem não leu pode se deliciar com a prosa de Dawkins, então um pensador mais arejado (e menos chato) que o militante ateu de “Deus, um Delírio”.

A premissa básica do livro é que os genes são a “unidade” mínima da evolução e “agem” de acordo com o axioma da seleção natural darwinista: maximize sua sobrevivência. Sobreviver, aqui, equivale a espalhar o maior número possível de cópias de si mesmo. Para que isso aconteça em um ambiente em que vários genes competem entre si, é necessário eliminar rivais e recorrer a uma série de truques, tais quais criar “máquinas de sobrevivência” que protejam o DNA do contato direto com o mundo.
Essas máquinas somos nós, os organismos vivos, que Dawkins comparou a “gigantescos e desajeitados robôs”. O valor adaptativo de uma máquina de sobrevivência está em ser melhor que seus competidores na exploração do ambiente. Para o gene, não compensa ajudar outro organismo quando isso implica em custo.
Portanto, na evolução -e, por tabela, no comportamento humano-, impera a lei da selva. Parando por aí, fica-se com a impressão de que Dawkins cede ao determinismo. Mas, embora intencionalmente force a mão na linguagem, ele mesmo desmonta tal sugestão ao postular que o egoísmo dos genes montou uma máquina tão sofisticada -o cérebro e a consciência- que consegue se rebelar contra seus ditames.
A biologia mudou um bocado nestes 31 anos. Mas “O Gene Egoísta” continua sendo obrigatório. Não só para quem quer entender a genética mas também para qualquer um que se pergunte como é possível traduzir conceitos científicos complicados como quem escreve um romance.

 

 

 


O GENE EGOÍSTA
Autor: Richard Dawkins
Editora: Cia. das Letras
Quanto: R$ 55 (540 págs.)
Avaliação: ótimo

 

Retirado da FSP: Copyright Empresa Folha da Manhã S/A


E se Deus não existir?

Agosto 25, 2007

Corajoso e furibundo, “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, traz forte argumentação em favor do ateísmo, critica a irracionalidade e diz que religiões são nocivas ao bem-estar humano

No livro, cientista britânico utiliza argumentos evolucionistas e considera a existência de Deus uma grande improbabilidade

MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

Sacerdotes e cientistas mantiveram, durante um bom tempo, certas normas de convivência pacífica: salvo as exceções mais radicais, um não se metia com os assuntos do outro. Hipocrisia, afirma o biólogo Richard Dawkins no corajoso e furibundo “Deus, um Delírio”.
Dawkins inicia sua forte argumentação em favor do ateísmo assinalando que a maior parte dos cientistas, inclusive o físico alemão Albert Einstein (1879-1955), cuidava de fazer vagas profissões de fé deístas apenas para não chocar os espíritos religiosos. Acreditar num “Deus que não joga dados”, como formulado na famosa frase de Einstein, equivale muito mais a confiar nas regularidades das leis da natureza do que a afirmar qualquer coisa próxima de uma religião.
Acontece que os esforços no sentido de separar ciência e fé, Estado laico e convicção religiosa, foram sendo solapados ultimamente. Nos Estados Unidos, ganha especial virulência a campanha contra o darwinismo, levada por fundamentalistas bíblicos e adeptos da teoria do design inteligente.
Entre os muçulmanos, quaisquer críticas à religião encontram as respostas que se conhecem -e Dawkins faz um relato aterrorizante das reações suscitadas, mesmo entre grupos não-fundamentalistas, pelas célebres charges sobre Maomé inicialmente publicadas por um jornal dinamarquês. Do lado católico, o papa Bento 16 está longe de se mostrar tímido e conformado com o papel da razão iluminista nas sociedades ocidentais.
Verdade que o próprio darwinismo procura conquistar novas áreas de influência, seja na prática (com o desenvolvimento das pesquisas sobre o genoma), seja na teoria (descobrindo razões biológicas para muito do que se acreditava pertencer à ordem da psicanálise ou da cultura).

Grito de guerra

O livro de Dawkins surge nesse contexto como uma espécie de grito de guerra, de chamado à mobilização geral. Basta, diz ele, de respeitar um conjunto de crenças que não é apenas improvável, como profundamente tolo e nocivo ao bem-estar humano. Basta de “respeitar” a irracionalidade alheia. Os ateus esconderam-se tempo demais nas catacumbas. Perseguidos, estigmatizados, envergonhados, cabe-lhes assumir a iniciativa do debate intelectual.
Não é suficiente para Dawkins que se declarem “agnósticos” -e, na discussão desse termo, localiza-se talvez o ponto mais incisivo e original de sua argumentação. Um agnóstico, explica o autor, considera impossível responder se Deus existe ou não. Seja porque não surgiram até hoje provas convincentes de sua existência, seja porque essas provas seriam a rigor impossíveis de obter.

 

Improbabilidades
Com efeito, pelo menos desde Kant (1724-1804), uma série de supostas “provas racionais” da existência de Deus mostrou-se incapaz de resistir a um exame rigoroso; Dawkins dedica um capítulo de seu livro a um sumário e feroz resumo desses debates.
A posição agnóstica não basta, contudo, para Dawkins. O cientista agnóstico se contenta em deixar a questão sobre a existência de Deus no campo das coisas que não lhe dizem respeito. “Deus, um delírio” apresenta um argumento destinado a lançar a existência de Deus no campo das improbabilidades quase absolutas.
Um dos argumentos preferidos pelos criacionistas é o de que o acaso, por si só, não seria capaz de produzir coisas tão complexas quanto um olho humano ou a asa de uma borboleta. O surgimento de tais maravilhas a partir do acaso seria tão improvável, dizem os criacionistas, quanto imaginar que um furacão, passando por cima de um ferro-velho, montasse peça por peça um Boeing 747.
Dawkins refuta a tese de modo convincente. Asas de borboleta e olhos humanos não surgem “prontos” na natureza, a partir de uma combinação aleatória de moléculas. Os darwinistas não acreditam que tais coisas nasceram por acaso, e sim da seleção natural. Mostram como organismos complexos evoluíram, pouco a pouco, a partir de formas de vida muito simples. E isso, diz o autor, é muito mais provável do que imaginar um “criador inteligente”. Pois para projetar um Boeing é preciso ser um bocado mais complexo do que um Boeing. E, para repetir uma objeção clássica à idéia de Deus, fica a pergunta: “Quem teria criado o criador?” Um outro ser, ainda mais complexo do que ele?
Com boa variedade de exemplos e clareza expositiva, “Deus, um delírio” teria tudo para fazer a alegria de espíritos céticos ou ateus, como o deste resenhista. Mas o que sobra a Dawkins de inteligência científica parece lhe faltar de inteligência emocional. Há mais exasperação do que ironia, mais precipitação do que serenidade, no modo com que ele encaminha a discussão. Dawkins consegue chocar profundamente, com piadas brutais, algumas sensibilidades religiosas, sem ganhar a simpatia dos que concordam com seu ponto de vista.
Foi-se o tempo em que filósofos descrentes podiam brincar, com superioridade anglo-saxônica, a respeito de crendices religiosas. As diversas citações de Bertrand Russell, de H. L. Mencken e mesmo de Woody Allen, que volta e meia aparecem em “Deus, um Delírio”, são como que deliciosos remanescentes de outra era geológica, em que a ciência não se sentia tão acuada e perseguida. Criticava-se com verve e paz de espírito; este panfleto evolucionista, embora sólido cientificamente, parece debater-se e gesticular como uma fera aprisionada em sua jaula. Mas vale a pena ouvir seus urros: neles está, ai de nós, a voz da Razão.

 


DEUS, UM DELÍRIO

Autor: Richard Dawkins
Tradução: Fernanda Ravagnani
Editora: Companhias das Letras
Quanto: R$ 54 (528 págs.)
Avaliação: bom

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Retirado da Folha de S. Paulo